Ainda dá tempo de ver exposição - À sombra do flamboyant de Takeo Sawada, no SESC Registro-SP Ainda dá tempo de ver exposição - À sombra do flamboyant de Takeo Sawada, no SESC Registro-SP
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Ainda dá tempo de ver exposição - À sombra do flamboyant de Takeo Sawada, no SESC Registro-SP

Ainda dá tempo de ver exposição - À sombra do flamboyant de Takeo Sawada, no SESC Registro-SP


Eu pensei que tinha acabado, mas hoje soube que vai até 30 de julho a bela exposição do trabalho do artista e educador Takeo Sawada (1917-2004) imigrante nipo-brasileiro no SESC Registro-SP.

A exposição me comoveu por diversos aspectos, entre eles pela forma como Takeo Sawada enfrentou perdas e não desistiu de procurar uma forma para sair do sentimento de solidão e tristeza que tomou seu ser quando aos 10 anos perdeu sua mãe. 

 A exposição traz trechos da biografia do artista na qual ele expressa como foram anos se questionando sobre o isolamento e solidão e o papel da na arte como um dos poucos espaço que conseguia expressar suas emoções, nota-se uma virada na vida de Takeo Sawada quando aos 17 anos ele se encantou pela descrição das belezas naturais de nosso país e decidiu vir viver nele. 

É no Brasil que a arte se transforma em um trabalho de educação, no qual se dedicou os últimos 25 anos de sua vida a ensinar a pintura para crianças de várias faixas etárias.

E como as nossas escolhas nunca são ao acaso, Takeo Sawada após ter realizados por anos o trabalho como agricultor e professor de japonês, escolhe dedicar sua vida a ensinar a pintura as crianças, alguns trechos como “elas demonstram o que tem no coração”, “falo para elas colocarem o que elas gostam, o que está no coração” e que “As exposições são boas para [...] educar o sentimento das crianças” e que “não ensino a copiar. Copiar não é arte, se não fica a vida toda imitando”¹.

Essas palavras fizeram meu coração esquentar, a fala sobre não ensinar a copiar desenhos para não viver a vida toda imitando. 

Refleti sobre isso, e sei bem como estes atos tem efeitos sobre formas mais amplas de olhar a vida, quando ensinamos a uma criança que ela é capaz de criar isso vai se expandindo para que ela se permita criar em outros espaços.

A história de Takeo Sawada me fez lembrar uma frase do romance a Insustentável leveza do ser do escritor Milan Kundera, que faleceu essa semana. “Não se existe um meio de verificar qual é a boa decisão, pois não existe termo de comparação. Tudo é vivido pela primeira vez e sem preparação”.

Desbravar caminhos geralmente envolve muitas emoções, aventuras, preocupação e os desafios de se lançar na vida. Takeo Sawada mesmo precisou várias vezes lidar com mudanças, fala da dureza de deixar suas terras e ao mesmo tempo o quanto foi isso que com o tempo lhe possibilitou ter a vida que tinha, inclusive como artista educador.

Ao se lançar rumo a algo que fazia sentido para Takeo Sawada possibilitou construir novos sentidos, ele que se sentia sozinho e construiu relações de amizade que levou por toda vida, além de sua família que construiu. Ele manteve expandindo suas relações com os adultos, com as crianças e com as várias histórias de sua vida.

Recomendo aos adultos e principalmente as crianças que ainda não formam para ver o trabalho de um artista que percebeu desde cedo a importância de olhar a capacidade criativa das crianças e o quanto a arte pode ser uma rica fonte de expressão, compreensão de sentimentos e possibilidades de transformação de sua realidade. 

A partir da história do artista é possível refletir sobre como as mudanças da vida (de trabalho, de moradia, de perda de pessoas queridas, etc) que hora trazem dor hora trazem alegria, podem trazer também novas possibilidades.

Sobre a exposição:


Exposição: À sombra do flamboyant – Takeo Sawada

Realização: Sesc Registro

Curadoria: Carmo Malacrida, Valquuíria Prates e Valéria Prates Gobato

Apoio: Japan Foundation (São Paulo), Associação Cultural Nipo Brasileira de Registro (Bunkyo), Memorial da Imigração Japonesa do Vale do Ribeira, Prefeitura Municipal de Registro, Unesp Campus Registro.

Local: Sesc Registro – Av Pref. Jonas Banks Leite, 57 - Centro



Escrito por Michele Gouveia é Psicanalista, Psicóloga Clínica e Consultora de Carreira, mestre em Psicologia Social e Especialista Clínica em Psicanálise e Linguagem pela PUC/SP. site: https://michelegouveia27.wixsite.com/michelegouveia



(Direitos Reservados. A Autora autoriza a transcrição total ou parcial deste texto com a devida citação dos créditos)

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