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Nossa crônica de cada dia

 O mal da crônica, por retratar o dia a dia, é que, quase sempre, o cronista volta a certos temas; daí que, vez ou outra, este aspirante a cronista se vê obrigado a rotular o nosso país de “faz-de-conta” e coisas do gênero. 

Nossa crônica de cada dia

A “rotulagem” faz parte da história da Humanidade desde o tempo do homem das cavernas (afinal, “Homem de Neandertal” ou “Homo sapiens” não deixam de ser “rótulos”). De igual maneira, temos Átila, o Huno; Alexandre, o Grande; Ivan, o Terrível; Felipe, o Belo; D. Manuel, o Venturoso; Chaplin, o imortal vagabundo; Marilyn Monroe, a loira fatal; Rita Hayworth, da qual falaram que nunca houve uma mulher como “Gilda”; ou mesmo Ava Gardner, considerada “o mais belo animal do mundo”. 

Não posso negar que todas essas enumerações não passam de “rótulos”. Mas, voltando ao nosso “país de faz-de-conta” (olha aí o “rótulo”, gente!), confesso que fico indignado com as mazelas de nossos governantes. Sim, ainda tenho essa capacidade de me indignar. Os políticos, quando na oposição, nunca descansam em cobrar moralidade do governo que está no poder; mas quando, finalmente, assumem as rédeas... E muito estardalhaço é feito, inclusive no Congresso, pelas aguerridas bancadas. 

Uma vez no poder, parece que os governantes procuram fazer tudo para se esquecer do passado. Um exemplo clássico talvez seja Fernando Henrique Cardoso, que pediu para que “esquecessem tudo o que escreveu”, apesar de que alguns estudiosos ainda não conseguiram localizar o veículo onde foi publicada essa declaração, que, para outros, não passa de mais uma “lenda urbana” ou coisa do gênero. Ou, ainda, aquela declaração de De Gaulle, segundo a qual “o Brasil não é um país sério”, que foi, e é, tão divulgada, mas que, até hoje, ninguém ainda conseguiu localizar a fonte. 

Lembrei-me agora de um célebre poema atribuído a Jorge Luiz Borges, cuja autoria nunca foi comprovada e que diz mais ou menos assim: “Se eu pudesse viver de novo seria menos sério, andaria descalço, me molharia na chuva, voltaria a ser criança, etc...”, não exatamente nessa ordem e muito menos com essas palavras, já que a minha memória muitas vezes me trai. 

E assim, apesar dos “rótulos”, mais uma crônica vem à tona. 


ROBERTO FORTES

ROBERTO FORTES, escritor e poeta, é licenciado em Letras e autor do livro de contos “O Tucano de Ouro - Crônicas da Jureia” (2012), além de centenas de crônicas e artigos publicados na imprensa do Vale do Ribeira.  E-mail: robertofortes@uol.com.br


(Direitos Reservados. O Autor autoriza a transcrição total ou parcial deste texto com a devida citação dos créditos).


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