Pesquisa passa a integrar painel laboratorial de arboviroses com amostras coletadas em 73 UBSs, UPAs e hospitais de diferentes regiões do estado .
São Paulo é o primeiro estado do país a incluir o vírus da febre do Nilo Ocidental no monitoramento sistemático realizado por uma rede sentinela de arboviroses.
A iniciativa da Secretaria de Estado da Saúde (SES-SP), por meio do Centro de Vigilância Epidemiológica “Alexandre Vranjac” (CVE-SP), abrange 73 Unidades Básicas de Saúde (UBSs), Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e hospitais distribuídos pelo território paulista.
A iniciativa amplia a capacidade de vigilância epidemiológica e permite acompanhar a circulação do vírus de forma mais ágil e eficiente.
As amostras coletadas de pacientes que atendem aos critérios da vigilância são encaminhadas ao Instituto Adolfo Lutz (IAL).
Com a ampliação do painel laboratorial, o vírus do Nilo Ocidental passa a integrar o diagnóstico diferencial de dengue, Zika, chikungunya, febre amarela, febre do Oropouche e Mayaro.
A medida foi adotada após a confirmação, em agosto, dos dois primeiros casos humanos da doença no estado, em mulheres residentes em Ribeirão Preto e São José do Rio Preto. Os diagnósticos foram confirmados pelo Instituto Adolfo Lutz.
O município de residência, no entanto, não determina o local da infecção, que é definido durante a investigação epidemiológica a partir de informações como deslocamentos e possíveis exposições.
“São Paulo é o primeiro estado a incorporar esse monitoramento à rotina de uma rede sentinela de arboviroses.
A medida amplia a sensibilidade da vigilância, contribui para a identificação de possíveis áreas de circulação do vírus e gera informações para orientar as ações de saúde pública”, afirma Regiane de Paula, coordenadora de Vigilância em Saúde da SES-SP.
A estratégia complementa a investigação de casos neurológicos sem causa definida e a vigilância de aves, equídeos e mosquitos, conforme as recomendações do Ministério da Saúde.
Por se basear em amostragem, a rede sentinela não substitui a notificação e a investigação individual dos casos suspeitos.
Como funciona o monitoramento
O painel viral é realizado por meio de uma rede de 73 unidades sentinela implantadas no estado. Essas unidades, que incluem Unidades Básicas de Saúde (UBSs), hospitais e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), coletam amostras de pacientes com sinais e sintomas compatíveis com arboviroses.
As amostras são encaminhadas para análise laboratorial no Instituto Adolfo Lutz, referência estadual em diagnóstico. Até então, o painel contemplava doenças como dengue, zika, chikungunya, febre amarela, oropouche e mayaro. Agora, passa a incluir também a Febre do Nilo Ocidental como diagnóstico diferencial.
O que é a Febre do Nilo Ocidental
A Febre do Nilo Ocidental é uma doença causada por um vírus transmitido principalmente por mosquitos do gênero Culex, conhecidos popularmente como pernilongos.
O ciclo natural do vírus ocorre entre aves silvestres e mosquitos. Os seres humanos são considerados hospedeiros ocasionais e não participam da manutenção da transmissão.
Na maioria dos casos, a infecção não provoca sintomas. Estima-se que cerca de 80% das pessoas infectadas permanecem assintomáticas.
Entre os aproximadamente 20% que apresentam manifestações da doença, os sintomas costumam ser leves e semelhantes aos de outras arboviroses, como gripe ou dengue, incluindo febre de início repentino, dor de cabeça, dores musculares, mal-estar e náuseas.
Em menos de 1% dos casos, o vírus pode atingir o sistema nervoso central e provocar complicações neurológicas graves, como meningite e encefalite, que podem exigir internação hospitalar. O risco é maior entre idosos e pessoas com condições de saúde que comprometem a imunidade.
Vigilância preparada
A ampliação do painel viral faz parte das estratégias permanentes de vigilância da SES-SP para acompanhar o comportamento das arboviroses e identificar precocemente possíveis mudanças no cenário epidemiológico.
A medida reforça a capacidade do Estado de responder rapidamente a novas situações de saúde pública, utilizando uma rede estruturada de monitoramento laboratorial e epidemiológico que já atua na detecção de diferentes vírus circulantes.
