Vale do Ribeira - Palestra de Pietro Falsetta destacou a importância de contar histórias que respeitem as comunidades e valorizem a identidade local; evento também discutiu resiliência climática e desenvolvimento sustentável.
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| Sebrae-SP promove debate sobre turismo responsável e valorização dos territórios no Fórum do Corredor Azul |
Como transformar um destino turístico em uma história que desperte interesse sem perder de vista as pessoas que vivem naquele território?
A reflexão foi proposta pelo criador de conteúdo digital Pietro Falsetta, fundador do Foge de SP, durante a 8ª edição do Fórum do Corredor Azul.
Realizado pelo Sebrae-SP, por meio do Sebrae for Startups, o evento ocorreu nos dias 17 e 18 de setembro, em Cananéia.
Com cerca de 580 mil seguidores no Instagram, Pietro levou ao Fórum a palestra “Entre Marcas e Territórios: Como transformar viagens patrocinadas em histórias que respeitam quem vive nelas”.
A partir de sua experiência na produção de conteúdos sobre destinos brasileiros, ele abordou os desafios e as oportunidades de aproximar marcas, criadores de conteúdo e territórios de uma maneira mais responsável.
"Muito além da Mata Atlântica preservada, o Vale do Ribeira tem história viva, porque a história está nos patrimônios materiais e imateriais, está na cultura, na história do Valo Grande, nas comunidades tradicionais, a história está na rua", afirmou.
Para Pietro, a comunicação pode contribuir para esse processo de valorização quando transforma as histórias locais em narrativas capazes de gerar conexão com o público. A proposta é que o conteúdo turístico não se limite à divulgação da chamada “beleza cênica”, mas ajude a apresentar a cultura, as pessoas e as características que tornam cada território único.
"Aqui temos uma natureza pulsante, tem festividade própria e são lugares cada vez mais raros a nível nacional.
A gente está vendo tudo ser pasteurizado, tudo ser padronizado e replicado, e as cidades estão cada vez menos com essa originalidade. Mas o Vale do Ribeira tem um potencial gigante de autenticidade que pode ser trabalhado a partir do turismo", destacou Pietro.
A relação entre empresas e criadores de conteúdo também foi abordada durante a palestra. Pietro destacou a possibilidade de conciliar publicidade e propósito, desde que as parcerias respeitem a identidade do destino e considerem os diferentes atores que fazem parte da cadeia do turismo.
"Ao divulgar um destino, é preciso compreender que a narrativa construída também pode influenciar a percepção sobre as comunidades, os negócios e a própria identidade local".
Mudanças climáticas
Outro destaque do Fórum foi a palestra de Romilda Roncatti, coordenadora do Programa Escola Azul, do Maré de Ciência/USP, sobre os impactos das mudanças climáticas no litoral paulista e as oportunidades para a resiliência climática.
Romilda chamou a atenção para a velocidade do aquecimento dos oceanos. Segundo ela, pesquisas científicas apontam que foram necessários cerca de 40 anos para o oceano aquecer 0,6°C, enquanto em apenas três anos o aumento chegou a 0,3°C.
"É como se o nosso corpo estivesse em uma temperatura permanente de 37,8 graus. E o que significa isso? Um oceano febril", exemplificou.
A pesquisadora destacou ainda a distância entre os impactos das mudanças climáticas e a percepção da população sobre o tema. Nesse cenário, apontou os manguezais como importantes aliados da resiliência
climática e defendeu a educação e a cultura oceânica como caminhos para ampliar a conscientização. Por meio de iniciativas como o Programa Escola Azul, a proposta é preparar as novas gerações para compreenderem a relação entre oceano, clima e sociedade e atuar de forma mais responsável diante dos desafios ambientais.
Visitas técnicas
Realizado dentro da programação da Semana do Manguezal de Cananéia, o Fórum do Corredor Azul apresentou ainda o papel importante dos manguezais na conservação ambiental com a palestra da professora da Unesp Marilia Cunha, e os recursos pesqueiros como ponte entre sustentabilidade, resiliência climática e desenvolvimento inclusivo, com o professor Felippe Daros, também da Unesp.
No segundo dia do evento, os participantes visitaram o Instituto de Pesquisas Cananéia (IpeC), remaram pelo Lagamar e conheceram a fábrica MJ Veleiros em Jacupiranga.
Realizado pelo Sebrae-SP, o evento contou com apoio do Ilha Hub, Unesp, Unifesp, Incubadora Aquário de Ideias, Instituto de Pesca e Prefeitura de Cananéia.
