Vale do Ribeira - Iniciativa promovida em parceria com o Sebrae-SP mostrou a força do cooperativismo e as boas práticas de manejo realizadas na região.
Produtores rurais e técnicos agrícolas dos municípios de Boa Vista, Caracaraí e Caroebe estiveram no Vale do Ribeira em missão técnica promovida pelo Sebrae-RR em parceria com o Escritório Regional do Sebrae-SP.
Realizada entre os dias 14 e 18 de setembro, a iniciativa destacou a força do cooperativismo na região e as boas práticas de manejo utilizadas para aumentar a produtividade na bananicultura.
![]() |
| Em missão do Sebrae Roraima, produtores conhecem cadeia produtiva da banana no Vale do Ribeira |
Gestor do projeto de fruticultura, o analista técnico do Sebrae-RR, Jammerson Silva, afirma que o objetivo da missão foi promover o intercâmbio de conhecimentos para produtores que estão começando a cultivar banana ou pretendem melhorar a produção da fruta em Roraima.
"Temos técnicos da Agência de Desenvolvimento de Roraima e do Senar que também vieram para adquirir conhecimento e poder nos ajudar com os produtores no campo", explica Jammerson.
Segundo o analista, o que mais chamou a atenção da comitiva foi o modelo de cooperativismo utilizado no Vale do Ribeira e as técnicas de manejo adotadas especialmente na produção orgânica da fruta.
"Nós estamos iniciando essa questão do cooperativismo em Boa Vista e nas visitas às cooperativas daqui o pessoal conseguiu tirar muitas dúvidas. Esse foi um dos pontos altos da missão, além das técnicas de combate às pragas e doenças e de adubação orgânica", revela Jammerson.
"Elaboramos um roteiro que apresentasse toda a cadeia produtiva da bananicultura do Vale do Ribeira, da produção à comercialização, mostrando como a integração entre os diferentes elos pode impulsionar os negócios e o desenvolvimento econômico regional", destaca o consultor de negócios do Sebrae-SP, Anderson Bezerra.
"Buscamos aproximar os produtores de Roraima a iniciativas bem-sucedidas na região, mostrando como o cooperativismo e o associativismo podem fortalecer a agricultura familiar e contribuir para o aumento da produtividade e da competitividade", destaca o consultor.
Anderson também falou sobre o plano regional de economia criativa 'Dá Gosto Ser do Ribeira', mostrando como os produtores de Roraima podem aproveitar a identidade cultural e as potencialidades do território para agregar valor e impulsionar a economia local.
Roteiro
A missão começou com a visita à sede do Sebrae-SP na capital paulista e seguiu para o Centro de Distribuição da Cooperativa Central do Vale do Ribeira (Cooper Central) em Mauá.
No dia seguinte, a comitiva esteve em Miracatu para visitar agricultores familiares e conhecer as Cooperativas Cooperabam e Coopmavig, além da Associação Banarte, que produz artesanato com fibra de bananeira.
Na quarta-feira (16/09), o roteiro começou na Associação de Bananicultores do Vale do Ribeira (Abavar) e seguiu para a fazenda exportadora de banana Univale na cidade de Jacupiranga.
No dia seguinte, o grupo visitou a agroindústria de doce de banana Nutryvitta e a Cooperativa de orgânicos Coopafasb. Na Agência Paulista de Tecnologia do Agronegócio (Apta), os produtores esclareceram muitas dúvidas com o pesquisador Edson Nomura e conheceram a empresa BrasilNanas. A missão encerrou no dia 18/09, com visita ao Escritório Regional do Sebrae-SP em Registro.
A força do cooperativismo
Produtor rural e presidente do Grupo de Produtores Indígenas Aurora do Campo, Fabio Marques Aguiar diz que se surpreendeu com a união promovida pelas cooperativas no Vale do Ribeira.
"Aqui o foco é o cooperado, as cooperativas vivem pelo produtor. Se o produtor sente um problema na pele, elas vão lá e resolvem. Já no nosso caso, em Roraima, não tem muito isso, precisamos trabalhar bastante essa questão", explica Fabio, que está na fase de regulamentação para transformar o Grupo Aurora do Campo em cooperativa.
Na bagagem, ele também leva a ideia de nomear os talhões que dividem as plantações para facilitar o manejo, além de novas técnicas para o descarte das cascas de banana e para a adubação com esterco de galinha, já que quer começar a produção orgânica em breve com o plantio de 400 mudas de banana.
"Uma das coisas que me chamou muito a atenção aqui foi a questão do cooperativismo. Eu vi muita união entre os produtores. No nosso caso, em nossa região, nós estamos muito atrasados em relação a isso.
E eu acho que essa união é fundamental, é o que leva a agricultura familiar a um patamar melhor. Então, o que mais me impactou foi isso", revela Adão Bento de Sousa, produtor de banana há quatro anos em Caroebe.
"Eu estava no ramo da pecuária e depois optei pela banana, plantei uns três hectares como experiência e logo me apaixonei.
Achei viável e estou migrando para bananicultura", explica o produtor, que também está auxiliando na abertura de uma cooperativa. "Já estamos com a documentação pronta. E espero que com o passar dos anos a gente consiga chegar no mesmo patamar das cooperativas aqui do Vale do Ribeira", ressalta.
.jpg)
.jpg)