Vale do Ribeira - Projeto apresentou aos jovens ações sobre uso seguro de agrotóxicos e mostrou, na prática, como o conhecimento produzido na universidade pode chegar às comunidades da região
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| UCorSA-RI aproxima estudantes do Vale do Ribeira da ciência durante Semana Venha nos Conhecer da Unesp |
Registro, 24 de agosto de 2026 — Estudantes do Ensino Médio de diferentes municípios do Vale do Ribeira tiveram a oportunidade de conhecer de perto as ações desenvolvidas pelo projeto Uso Correto e Seguro dos Agrotóxicos na Bacia Hidrográfica do Ribeira de Iguape (UCorSA-RI), durante a Semana Venha nos Conhecer, realizada nos dias 19 e 20 de agosto pela Faculdade de Ciências Agrárias do Vale do Ribeira (FCAVR/Unesp), em Registro.
Ao longo da semana, diferentes turmas passaram pelas atividades do projeto e tiveram contato com temas relacionados ao uso correto e seguro dos agrotóxicos, tecnologia de aplicação e práticas voltadas à redução dos riscos de contaminação do trabalhador, das famílias e do meio ambiente.
Desenvolvido pela FCAVR/Unesp Registro-SP, com apoio da Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI) e financiamento do Fundo Estadual de Recursos Hídricos (FEHIDRO) e da Pró-Reitoria de Extensão Universitária e Cultura (PROEC), o UCorSA-RI atua na capacitação e conscientização de produtores e trabalhadores rurais da região. Entre os temas trabalhados pelo projeto estão o uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), os cuidados durante o preparo e a aplicação dos produtos, a destinação correta das embalagens e a prevenção da contaminação humana e ambiental.
Durante a Semana Venha nos Conhecer, esse conhecimento chegou também aos adolescentes, ampliando o alcance das ações desenvolvidas pelo projeto. Para o coordenador do UCorSA-RI, Prof. Dr. Ronaldo Pavarini, essa aproximação demonstra, na prática, uma das funções fundamentais da extensão universitária: estabelecer uma relação direta entre o conhecimento produzido dentro da universidade e as demandas existentes na sociedade.
“A universidade não pode ser uma bolha fechada. Ela precisa estar em interação com a sociedade, e os projetos de extensão são um dos caminhos para que isso aconteça. Quando desenvolvemos um projeto de extensão, partimos de uma demanda da própria sociedade e buscamos, por meio do conhecimento produzido na universidade, contribuir para essa realidade”, explica.
A participação do UCorSA-RI na Semana Venha nos Conhecer também amplia o alcance das informações sobre o uso seguro de agrotóxicos, ao aproximar esse conhecimento de um público que pode levá-lo para além do ambiente escolar e universitário.
“Muitos adolescentes vivem na zona rural ou têm pais e familiares diretamente ligados à agricultura e ao uso de agrotóxicos. Quando levamos esse conhecimento até esses jovens, não estamos falando apenas com o estudante que está aqui naquele momento. Essa informação pode chegar à família e contribuir para melhorar as condições de trabalho e de segurança das pessoas que fazem parte da realidade dele”, destaca.
Para Pavarini, essa relação também traduz o próprio sentido da extensão universitária: uma troca de conhecimentos e experiências entre universidade e sociedade.
“A extensão precisa ser uma via de mão dupla. A universidade identifica uma necessidade da comunidade e busca contribuir, mas também aprende com a experiência e com o conhecimento que existem na sociedade. Essa troca é fundamental e faz parte do papel da universidade pública”, ressalta.
Universidade pública como possibilidade
Além de aproximar os jovens das ações desenvolvidas pelo UCorSA-RI, a Semana Venha nos Conhecer amplia esse contato com a extensão universitária e com a própria universidade pública. A visita começa no auditório da FCAVR, onde os estudantes recebem informações sobre os pilares de ensino, pesquisa e extensão, o Vestibular Unesp, as formas de ingresso e as políticas de permanência estudantil. Em seguida, participam de uma visita guiada pela unidade, conhecendo pesquisas, projetos e atividades dos cursos de Engenharia Agronômica e Engenharia de Pesca.
Para a vice-diretora da FCAVR/Unesp, Profa. Dra. Giovana Bertini, essa aproximação é fundamental para romper uma barreira que ainda existe na região: a percepção de que o Ensino Superior público é uma realidade distante.
“A Semana Venha nos Conhecer tem exatamente esse objetivo: trazer os estudantes para dentro da universidade. Muitos chegam aqui sem saber o que existe em um campus, quais oportunidades podem encontrar e, principalmente, sem se enxergar nesse espaço. Quando eles entram, conhecem e vivenciam essa realidade, começam a perceber que a universidade pública também pode fazer parte do futuro deles”, afirma.
Essa percepção, segundo a professora, passa não apenas pela possibilidade de ingressar na Unesp, mas também pela compreensão de que existem mecanismos para permanecer nela. Durante a recepção, os estudantes conhecem as formas de ingresso e recebem informações sobre permanência estudantil e outras oportunidades acadêmicas.
A Unesp reserva 50% das vagas de seus cursos para estudantes que cursaram integralmente o Ensino Médio em escolas públicas, por meio do Sistema de Reserva de Vagas para Educação Básica Pública. A instituição também mantém políticas de permanência estudantil destinadas a estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica.
“Quando conversamos com esses alunos sobre a universidade pública, explicamos não apenas como entrar, mas também as possibilidades que existem para permanecer aqui. É nesse momento que a percepção começa a mudar. Muitos chegam pensando que, depois do Ensino Médio, a única alternativa é ir direto para o mercado de trabalho. Queremos mostrar que continuar estudando também é uma possibilidade real”, ressalta Giovana.
Os estudantes também conhecem oportunidades de iniciação científica ainda durante o Ensino Médio, como o PIBIC Júnior, que possibilita a alunos da rede pública desenvolver atividades de pesquisa sob orientação de pesquisadores e concorrer a bolsas.
Para Giovana, o contato presencial ajuda a transformar essas informações em uma experiência concreta e permite que os jovens compreendam melhor a dinâmica acadêmica e as possibilidades que encontram no campus.
“É diferente de irmos até uma escola, apresentarmos slides e falarmos sobre a universidade. Aqui, eles têm contato direto com essa realidade: acompanham as pesquisas, conhecem os projetos e conversam com os nossos estudantes. Muitos dos nossos alunos também vieram de escolas públicas. Quando existe esse contato, o jovem consegue olhar para quem já está aqui e perceber: ‘isso também pode ser possível para mim’”, explica.
Nesta edição, a articulação com a Diretoria de Ensino também viabilizou o transporte das turmas até o campus, ampliando a participação das escolas na programação.
“Nosso objetivo é despertar nesses jovens a percepção de que existe uma universidade pública, gratuita e de qualidade aqui na região e que eles também podem fazer parte dela. O primeiro passo é enxergar essa possibilidade”, destaca.
23 anos de Unesp em Registro-SP
Em agosto, a Unesp completa 23 anos de atuação em Registro. Para a Profa. Dra. Giovana Bertini, que acompanha essa trajetória desde o início, a instituição tem contribuído para transformar a realidade regional, embora sua aproximação com a população ainda seja um trabalho contínuo.
“São 23 anos de Unesp em Registro e ainda encontramos pessoas que não sabem, por exemplo, que não se paga para estudar aqui. Por isso, precisamos continuar aproximando a universidade da comunidade, mostrando aos jovens que ela está aqui, que é pública, gratuita e que pode fazer parte do futuro deles”, destaca.
Segundo a vice-diretora, iniciativas como a Semana Venha nos Conhecer ajudam justamente a diminuir essa distância ao permitir que os estudantes entrem no campus e conheçam, na prática, as oportunidades acadêmicas disponíveis.
Conhecer para perceber que é possível
Para quem acompanha esses jovens diariamente na escola, a experiência de estar dentro da Unesp produz um efeito diferente daquele alcançado apenas com informações sobre vestibular e cursos.
A professora de biologia Maria Rosa Roque Santana Gomes, do Ensino Médio do Senac Registro, acompanhou os estudantes durante a visita e chama a atenção para o desconhecimento de muitos jovens sobre as oportunidades existentes na própria região.
“Muitos alunos acham que essa realidade é muito distante, que isso não é para eles. Às vezes, já colocam na cabeça que vão sair da escola, arrumar um emprego e trabalhar, sem nem cogitar o ensino superior, muitas vezes por falta de oportunidade ou de informação”, relata.
Maria Rosa também destaca que a experiência pode continuar repercutindo depois do retorno à escola, permitindo que professores trabalhem as possibilidades apresentadas durante a visita e incentivem os estudantes a conhecer o vestibular, a iniciação científica e outras oportunidades.
“Eu acredito que esses momentos são, na verdade, plantar uma sementinha dentro desse aluno. Muitos deles vão cuidar, vão regar, e essa sementinha provavelmente vira uma aprovação no vestibular”, afirma.
Uma visita que pode mudar escolhas
A experiência vivida durante a Semana já ampliou as perspectivas da estudante Ana Julia Sobral Batista, de 16 anos, aluna do 2º ano do Ensino Médio Técnico em Administração do Senac Registro. Embora soubesse da existência da Unesp, esta foi a primeira vez que ela entrou no campus e conheceu de perto os cursos, projetos e atividades desenvolvidos pela universidade.
Até então, Ana Julia pensava em cursar Engenharia Química. Durante a visita, porém, descobriu afinidades que não conhecia com as áreas de Engenharia Agronômica e Engenharia de Pesca.
“Eu pensava em fazer Engenharia Química, mas aqui descobri que a Agronomia e a Engenharia de Pesca também têm relação com áreas que eu gosto, como a Química. Eu não sabia disso. A visita me fez conhecer outras possibilidades e agora já consigo me imaginar estudando aqui”, conta.
A mudança de perspectiva experimentada pela estudante materializa um dos principais objetivos da Semana: permitir que os jovens conheçam de perto a universidade e ampliem suas perspectivas sobre as possibilidades de formação e de futuro.
Para Ana Julia, conhecer pessoalmente uma universidade pública localizada na própria região transformou em uma experiência concreta aquilo que, até então, ela conhecia apenas à distância.
“Na região de onde eu venho, muitas pessoas ainda não têm acesso a essas informações e não conhecem todas essas possibilidades. Estar aqui me mostrou o quanto a universidade está mais perto da nossa realidade do que a gente imagina. É uma experiência que abre os nossos olhos para o que podemos fazer no futuro”, conclui.
