Abertura do Planejamento Pedagógico reuniu docentes e técnicos em diálogo com representantes do Ministério das Mulheres, com impacto direto para a comunidade do Vale do Ribeira
A abertura do Planejamento Pedagógico do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP) – Campus Registro promoveu um importante debate sobre a formulação e o fortalecimento de ações de prevenção e enfrentamento à violência contra as mulheres no âmbito das instituições de ensino. A iniciativa, realizada de forma virtual no dia 2, marcou um momento relevante para a comunidade acadêmica e para os moradores do Vale do Ribeira, ao inserir um tema de grande impacto social na agenda formativa do campus.
O encontro reuniu professores e técnicos-administrativos do IFSP Campus Registro e contou com a participação de representantes do Ministério das Mulheres, que contribuíram com reflexões e orientações voltadas à promoção de práticas institucionais comprometidas com a formação integral, a justiça social e a consolidação de uma cultura de respeito e proteção aos direitos das mulheres.
Participaram do debate a secretária nacional de Articulação Institucional, Ações Temáticas e Participação Política (SENATP), Sandra Kennedy Viana, e a diretora de Proteção de Direitos da Secretaria Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres (SENEV), Terlúcia Silva. As exposições dialogaram diretamente com os desafios enfrentados diariamente pelas instituições de ensino.
A exposição de Sandra Kennedy foi seguida de debate com foco no enfrentamento da violência contra as mulheres, compreendida como uma construção social e estrutural que atravessa diferentes espaços da sociedade. O diálogo destacou, em especial, a realidade de mulheres historicamente silenciadas no meio acadêmico e institucional. “Na universidade, a violência de gênero se manifesta de forma muitas vezes não explícita, mas contínua: assédio moral e sexual, violência simbólica, deslegitimação da autoridade feminina, silenciamento ou descredibilização de denúncias, além de racismo e misoginia interseccionais”, alertou.
A secretária destacou o pioneirismo do IFSP – Campus Registro ao promover o debate sobre ações de prevenção e enfrentamento à violência contra as mulheres junto ao corpo docente e técnico-administrativo. Informou, ainda, que o tema está em curso no Governo Federal, com a elaboração de um Protocolo Nacional voltado às Instituições de Ensino Superior de todo o país, que preveem estratégias de proteção a meninas e mulheres. A iniciativa, que será coordenada pelo Ministério das Mulheres, em articulação com o Ministério da Educação (MEC), tem previsão de ser lançada em março.
Durante sua intervenção, foram apresentados dados alarmantes, como o registro de 1.492 feminicídios no último ano. Sandra Kennedy reforçou que o enfrentamento da violência contra as mulheres não é responsabilidade exclusiva do poder público, mas um desafio que exige o envolvimento de toda a sociedade. “A violência de gênero atravessa nossas salas de aula, nossos corredores, nossas relações de trabalho e nossas práticas institucionais”, pontuou.
Também destacou a importância de ampliar o diálogo com os homens como estratégia fundamental de prevenção.
Já a diretora Terlúcia Silva abordou a dinâmica da violência no ambiente escolar e sobretudo como intervir de forma qualificada garantindo acolhimento, proteção e apoio institucional. Ela reforçou que o enfrentamento à violência deve priorizar ações de prevenção, a autonomia econômica das mulheres, o fortalecimento da rede de proteção e o acesso às políticas públicas. “É fundamental investir na articulação interministerial, para avançar na regulamentação da Lei Maria da Penha nos currículos escolares e ampliar o debate em espaços estratégicos”, destacou.
Apesar de a Lei Maria da Penha ser reconhecida internacionalmente como uma legislação robusta, foram apontados desafios significativos em sua execução, especialmente no âmbito da segurança pública. A diretora da SENEV alertou para processos de revitimização enfrentados por mulheres ao registrar ocorrências e para falhas na concessão e no cumprimento de medidas protetivas, ressaltando dados que evidenciam fragilidades na operacionalização da lei.
As representantes do Ministério das Mulheres ressaltaram, ainda, a relevância de campanhas permanentes, do diálogo contínuo e da educação como estratégias centrais para romper o silêncio e prevenir a violência contra as mulheres.
Representando o IFSP Campus Registro, a diretora adjunta de Ensino, Heleni Ferreira, destacou a relevância da atividade no contexto do Planejamento Pedagógico e agradeceu a participação do Ministério das Mulheres, assim como o engajamento de professores e técnicos. “Esse diálogo fortalece o compromisso do IFSP com os direitos humanos, a equidade de gênero e a construção de ambientes educacionais seguros e inclusivos”, afirmou.
Professores e técnicos participaram ativamente da programação e, ao final, o espaço foi aberto para perguntas, possibilitando um ciclo ampliado de debates.
