Sebrae-SP aponta a força do artesanato como tendência em 2026 no Vale do Ribeira

Vale do Ribeira - Gestor de economia criativa destaca a sustentabilidade e a identidade cultural da região como grandes diferenciais dos trabalhos feitos à mão

Sebrae-SP aponta a força do artesanato como tendência em 2026 no Vale do Ribeira
Sebrae-SP aponta a força do artesanato como tendência em 2026 no Vale do Ribeira 



Nas mãos habilidosas de dona Edileuza Maria dos Santos, a fibra da taboa se transforma em bolsas, cestas e jogos americanos. Artesã na Ilha Comprida, ela aprendeu a trançar a palha da taboa há mais de 25 anos. 

A tradição se mantém, mas o perfil do consumidor mudou. “Hoje, quem compra quer saber como foi feito, como é a colheita da taboa, onde encontramos e como fazemos para preservar a planta", revela a artesã. 

Esse diferencial do feito à mão ganha cada vez mais força e se consolida como grande tendência de consumo consciente em 2026.

“Em um mundo marcado pela automatização e pela produção em larga escala, o artesanato desponta como uma das principais tendências. 

Na era da velocidade digital, as peças artesanais representam tempo, intenção, história e conexão humana. 

Consumidores atentos à sustentabilidade, à autenticidade e ao significado por trás do que consomem buscam esse diferencial", destaca o analista de negócios e gestor de economia criativa do Sebrae-SP, Carlos Alberto Pereira Junior.

Das peças de decoração aos utilitários, da moda aos itens personalizados, o artesanal é impulsionado pela rejeição à “fast fashion” (moda rápida) e ao consumo descartável. 

Estima-se que mais de 60% das decisões de compra nesse mercado sejam influenciadas por critérios como origem ética, materiais naturais e impacto ambiental.

As irregularidades e marcas do processo manual são diferenciais de valor. Texturas, variações naturais e materiais como cerâmica, fibras, madeira e tecidos orgânicos representam autenticidade e reforçam o vínculo emocional com o produto. 

“No Vale do Ribeira, esse movimento representa uma oportunidade estratégica para artesãos locais. As técnicas e saberes tradicionais, a história das nossas comunidades e a relação direta com a Mata Atlântica posicionam o território de forma única dentro da economia criativa”, ressalta o analista do Sebrae-SP.

“O artesanato da região carrega um ativo muito valorizado pelo mercado atual, a autenticidade territorial. Quando o artesão comunica a origem da peça, o vínculo com a cultura local e o respeito à natureza, ele agrega valor imediato ao produto”, observa Carlos Junior.

Ligado à identidade cultural, territorial e simbólica de uma comunidade, o artesanato identitário expressa costumes, histórias, crenças e modos de vida locais. 

Baseado em técnicas transmitidas de geração em geração, o artesanato tradicional preserva saberes ancestrais e formas clássicas de produção, como a cerâmica tradicional e a tecelagem. 

Já o artesanato manual é definido principalmente pelo processo produtivo feito à mão e pode incorporar design contemporâneo, inovação e tendências de mercado.

Independentemente da técnica, para se destacar em 2026 o artesão precisa ir além da produção e atuar como empreendedor criativo. 

“É preciso contar a história por trás de cada peça, valorizar o processo manual e usar a personalização como diferencial competitivo no discurso e no marketing. Nossa identidade cultural é o que traz autenticidade e exclusividade a cada peça feita à mão”, reforça o analista.

Nesse movimento, a marca “Dá Gosto Ser do Ribeira” potencializa a valorização do território. Iniciativa do Sebrae-SP, o plano de economia criativa traz 25 ações focadas em desenvolver os negócios locais com base nos eixos do turismo, gastronomia e artesanato. 

“Mais que uma identificação, a marca promove uma conexão direta e autêntica com o território, valorizando a cultura, a história e todo o potencial do Vale do Ribeira em cada produto feito aqui”, ressalta a gerente regional do Sebrae-SP, Michelle dos Santos.

Para dona Edileuza dos Santos, cada peça trançada com a fibra da taboa também carrega sentimento. “Fiz o primeiro curso de taboa por curiosidade, depois foi amor. Fui me aperfeiçoando ao longo do tempo e amo o que faço”, revela a artesã, que preside a Associação Taboa e Arte da Ilha Comprida.

No Vale do Ribeira

No site do ‘Dá Gosto Ser do Ribeira’ é possível encontrar locais que comercializam artesanato e outros produtos da região. Acesse: https://dagostoserdoribeira.sebraesp.com.br/.
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