Onças-pardas são registradas mais de 800 vezes em Reserva no Vale do Ribeira Onças-pardas são registradas mais de 800 vezes em Reserva no Vale do Ribeira
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Onças-pardas são registradas mais de 800 vezes em Reserva no Vale do Ribeira

Onças-pardas são registradas mais de 800 vezes em Reserva no Vale do Ribeira


Monitoramento de fauna resulta em mais de 20 mil vídeos de animais silvestres em Reserva no Vale do Ribeira



Do total, mais de 800 vídeos são de onças-pardas



Em dois anos de parceria entre o Legado das Águas – maior reserva privada de Mata Atlântica do país – e o Onçafari, associação criada para estudo e conservação da vida selvagem, foram gerados resultados expressivos em relação à fauna na Reserva, localizada no Vale do Ribeira, interior de São Paulo. Foram 20.591 vídeos de diversas espécies de animais, sendo que destes, 15.205 são de mamíferos. Deste total, também chamam a atenção as 883 filmagens de onças-pardas (Puma concolor), que possibilitaram a identificação e acompanhamento dos hábitos de cinco indivíduos, sendo quatro machos e uma fêmea.

Os vídeos são feitos por meio das “armadilhas fotográficas”, como são chamados os equipamentos que funcionam por sensores infravermelhos e de movimento, acionados automaticamente quando os animais passam por eles. A utilização dessas armadilhas fotográficas faz parte da parceria entre o Onçafari e o Legado das Águas, que iniciou em 2020, com objetivo de realizar o monitoramento e levantamento populacional de onças-pardas e onças-pintadas (Panthera onca) na Reserva, visando ações de proteção desses felinos na Mata Atlântica.

Nesses dois anos de monitoramento, o êxito foi com vídeos de onças-pardas. “Os resultados são muito animadores. Agora temos informações sobre a população dessa espécie no Legado, como a área que utilizam mais, os horários e a época do ano em que circulam com maior frequência, a proporção de machos e fêmeas e seus comportamentos”, diz Stephanie Simioni, bióloga coordenadora da base do Onçafari no Legado das Águas.

A bióloga comemora que no período também foi possível identificar cinco indivíduos. “Conseguimos identificar quatro machos: Tikún, Troncho, Dengoso e Naurú; e uma fêmea: a Capitu. Essas identificações são essenciais para acompanhar os animais, principalmente no quesito de saúde e de suas áreas de vida dentro do Legado”, acrescenta.



Vale lembrar que monitorar e diferenciar onças-pardas é uma tarefa desafiadora. Isso porque, diferentemente das onças-pintadas – que são identificadas por suas rosetas (nome científico para as pintas dessa espécie) –, os pesquisadores individualizam as pardas por marcas físicas, como cicatrizes, pelagem e porte, entre outras características.

Um grande destaque do primeiro semestre desse ano foi o registro de onça-parda fêmea com um filhote em fase quase adulta, ambos com aparência saudável.



Biodiversidade

Além dos vídeos das onças-pardas, outros resultados marcantes foram os 15.205 vídeos de mamíferos de diversas espécies e os 4.864 de aves. Dentre os mamíferos, os queixadas (Tayassu pecari) foram os mais filmados, seguidos pelas antas (Tapirus terrestris). Periodicamente, vídeos divertidos mostrando os hábitos desses animais são disponibilizados nas redes sociais do Legado das Águas, como uma ferramenta de educação ambiental e conscientização da importância da conservação dessas espécies.



Outro destaque são os pequenos felinos, como a jaguatirica (Leopardus pardalis), o gato-mourisco (Herpailurus yagouaroundi) e o gato-maracajá (Leopardus wiedii), registrados com frequência realizando os mais diversos comportamentos, como caça, e fêmeas com filhotes, explorando e demarcando a área.



Embora onças-pintadas não tenham sido registradas no período, a bióloga explica que há possibilidade de encontrar a espécie no Legado das Águas. “A Reserva tem todas as condições necessárias para as onças-pintadas, principalmente de alimentação. Continuamos investindo em outras estratégias para tentar registrar, como instalar armadilhas fotográficas em locais diferentes dos que utilizamos atualmente para fazer o monitoramento”, diz.

O objetivo em monitorar onças-pintadas na Mata Atlântica é contribuir para a conservação da espécie que está criticamente ameaçada de extinção nesse bioma. Atualmente, estima-se uma população de apenas 300 indivíduos na Mata Atlântica.



Refúgio para espécies ameaçadas de extinção


No Legado das Águas, mais de 50 parceiros já realizaram (e alguns ainda realizam) projetos e geram informações e conhecimento público sobre a Mata Atlântica. As descobertas científicas envolvendo a fauna e a flora do Legado das Águas estão entre as mais relevantes da última década no Brasil.



As pesquisas científicas e monitoramento de fauna e flora já registraram 1.765 espécies na área. Deste total, 809 são espécies animais e, neste mesmo grupo, 50 estão ameaçadas de extinção. Os números também chamam a atenção para a diversidade de aves. São cerca de 350 espécies já observadas no local, o que representa mais de 40% de toda a avifauna do Estado de São Paulo. Já para a flora, a lista conta com 956 espécies, sendo 9 ameaçadas.

Das 809 espécies animais registradas, 350 são de aves, 322 são de borboletas, 70 de mamíferos, 67 de anfíbios e répteis e 54 de peixes. Já do total de 956 de espécies da flora, sendo 233 de orquídeas.



Para David Canassa, diretor da Reservas Votorantim, os números impressionam. “Abrigar essa quantidade de espécies animais ameaçadas de extinção na Mata Atlântica em nossa área nos anima. Mas também reforça a importância e o compromisso do Legado das Águas em manter a área conservada. Temos certeza de que o número de espécies nas florestas do Legado pode ser bem maior”, diz Canassa.



Além do levantamento feito por meio das pesquisas científicas, o Legado das Águas mantém o monitoramento constante da fauna e flora utilizando dois métodos, um deles é com o registro fotográfico e de vídeo feitos pelos monitores ambientais, guias turísticos e técnicos de campo. O outro é por armadilhas fotográficas instaladas na mata, que, atualmente, são por meio da parceria com o Onçafari.



Sobre o Legado das Águas – Reserva Votorantim

O Legado das Águas é a maior reserva privada de Mata Atlântica do Brasil. Área de 31 mil hectares divididos entre os municípios de Juquiá, Miracatu e Tapiraí, no Vale do Ribeira, interior do estado de São Paulo, que alia a proteção da floresta e o desenvolvimento de pesquisas científicas a atividades da nova economia, como a produção de plantas nativas e o ecoturismo. Foi fundado em 2012 pelas empresas CBA – Companhia Brasileira de Alumínio, Nexa, Votorantim Cimentos e Votorantim Energia. É administrado pela Reservas Votorantim LTDA. e mantido pela Votorantim S.A, que também em 2012, firmou um protocolo com o Governo do Estado de São Paulo para viabilizar a criação da Reserva e garantir a sua proteção. Mais do que um escudo natural para o recurso hídrico, o Legado das Águas trata-se de um território raro e em estágio avançado de conservação, com a missão de estabelecer um novo modelo de área protegida privada, cujas atividades geram benefícios sociais, ambientais e econômicos de maneira sustentável. Saiba mais em https://www.legadodasaguas.com.br


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