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Os jesuítas no Vale do Ribeira








Com a descoberta de novas terras pelos portugueses e espanhóis, e a consequente conquista de novos súditos na África, Ásia e América, necessário se fazia cristianizá-los. Para tanto, autorizado por Roma, Inácio de Loiola fundou, em 1534, a Companhia de Jesus, cujos fundamentos foram confirmados pelo papa em 1540, através da bula Regimini Militantis Ecclesiae.

Os jesuítas no Vale do Ribeira
Padre José de Anchieta.

Os seguidores dessa companhia eram chamados de jesuítas ou inacianos. Os primeiros jesuítas chegaram ao Brasil com o governador geral Tomé de Souza. Seis deles desembarcaram na Capitania da Bahia, no dia 29 de março de 1549, sob o comando do padre Manoel da Nóbrega.

As missões jesuíticas no litoral de São Paulo foram iniciadas em 1554, ao tempo dos padres Leonardo Nunes (Abarebebê, “o padre voador”), Diogo Jácome, Pedro Corrêa e João de Souza.

O padre Manoel de Paiva esteve em Iguape em 1554, segundo afiança o historiador e pintor Benedito Calixto; junto com o padre Leonardo Nunes, percorreram toda a costa litorânea do Sul de São Paulo.

Em 1554, de acordo com a tradição, foi celebrada a primeira missa na Vila de Iguape. O historiador Ernesto Young, que colheu informações junto aos mais antigos iguapenses de sua época, assevera que o primeiro padre que passou pelo povoado foi o jesuíta Pedro Correa.

Mas no final desse mesmo ano, uma tragédia abalou a Companhia: Pedro Correa e João de Souza foram massacrados nas fraldas da Serra do Mar, “nos sertões de Cananeia”, o que levou à interrupção dessas missões no litoral. Sobre esse episódio, o pintor Benedito Calixto produziu artístico quadro, intitulado, bem propriamente, Os Mártires de Cananeia.

Somente depois de Anchieta e Nóbrega estabelecerem a paz com os tamoios de Ubatuba‚ a partir de 1556, as missões jesuíticas tiveram prosseguimento.

Por sua defesa intransigente do gentio, os jesuítas passaram a ser mal vistos pelos paulistas, preadores inveterados de silvícolas. Começaram a ser perseguidos. Companhias contra eles foram promovidas. Mas os inacianos também tinham os seus defensores.

No dia 25 de junho de 1640, em São Vicente, foi realizada reunião para angariar quatro mil cruzados, que seriam destinados à campanha em favor dos jesuítas. Iguape e Cananeia colaboraram quantias bastante expressivas para a época.

No entanto, nesse mesmo ano, os jesuítas foram expulsos de São Paulo e de toda a Capitania. Os jesuítas seriam definitivamente expulsos do Brasil e dos domínios portugueses em 1759, por ordem de Sebastião José de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal, que promoveu grandes reformas políticas e econômicas no império lusitano.

Sobre os jesuítas se criaram muitas histórias e lendas, sobre tesouros perdidos, assombrações, maldições e outras curiosidades transmitidas pela tradição oral desde os princípios da colonização portuguesa em nossa região.

ROBERTO FORTES
ROBERTO FORTES, historiador e jornalista, é licenciado em Letras e sócio do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo.  E-mail: robertofortes@uol.com.br


(Direitos Reservados. O Autor autoriza a transcrição total ou parcial deste texto com a devida citação dos créditos).



































. Falares caiçaras

O Bacharel de São Tomé (e de Cananeia)