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Palavras, palavras, palavras

 

As palavras fazem parte de nossas vidas. É impossível pensarmos em algo sem nos valer delas. Talvez por ser formado em Letras, ou porque leio regularmente desde os oito anos, tenho um interesse especial pela Etimologia, a origem das palavras. Ao longo dos séculos, muitas palavras sofreram mudanças em seu significado: uma palavra que hoje significa uma coisa, há cem ou quinhentos anos poderia significar outra coisa.

Palavras, palavras, palavras.
 Palavras, palavras, palavras.

Nos dias atuais, parece que a Língua Portuguesa vem despertando o interesse de muitos. É só dar uma olhada nas bancas de jornais e comprovar os variados títulos existentes sobre o assunto, além de muitas revistas sobre História. Há alguns anos isso seria impensável, pois nas prateleiras só seriam encontradas exemplares de Capricho, Caras, Ana Maria etc. Nada contra essas leituras amenas, mas, para quem gosta de assuntos mais profundos, pouca coisa se encontrava.

Tempos atrás, numa de minhas visitas diárias à banca de minha cidade, encontrei uma edição especial da revista “Língua Portuguesa”, cujo título era justamente: “Etimologia”. Comprei-a imediatamente. Lendo os seus interessantíssimos artigos, encontrei a origem e o significado primitivo de muitas palavras hoje utilizadas em nossa língua. Muitas vieram do português arcaico, outras do grego, do latim ou mesmo do hebraico.

Também fiquei sabendo que muita coisa foi inventada para explicar a origem de certas palavras. Eis alguns exemplos: mulher viria de “mole”; velho, porque “viu” muita coisa na vida; antigo seria o que foi “antes do agora”; pássaro seria aquele que “passa” voando. O mais curioso é a explicação dada a homem: porque está “no meio” (da associação fonética entre “o meio” e “homem”), entre o bem e o mal.

Outra fantasia é sobre a origem da palavra “forró”, que teria sido criada no início do século XX, quando engenheiros ingleses da estrada de ferro Great Western, que passava pelos estados de Pernambuco, Paraíba e Alagoas, promoviam bailes para os operários nos fins de semana. Era o “for all”, ou seja, “para todos”. O folclorista Luiz da Câmara Cascudo (1898-1986) provou que “forró” veio de “forrobodó”, que significa: “baile ordinário, sem etiqueta”. 

Tirando de lado esses disparates, hoje causa riso alguns eruditos, no final do século XIX, tentarem a todo custo aportuguesar palavras de origem estrangeira, evitando assim anglicismos e galicismos. O mais pitoresco desses foi o filólogo Antônio de Castro Lopes (1827-1901) que, cheio de indignação, não admitia que “futebol” (do inglês foot = pé, e ball = bola) fosse assim chamado. Todo pomposo, propôs que se utilizasse o termo “balípodo”, formada com dois vocábulos gregos (ballo = lançar; e poús, podós = pé). Não deu certo.

Outros tentaram criar termos como “pedibola” (do latim pedis = pé, e bulla = bola). Outros ainda sugeriram “pébola” e “bolapé”. De nada adiantou o esforço dos puristas: o povão preferiu mesmo a palavra “futebol”, que talvez seja o mais perfeito exemplo de adaptação de palavra estrangeira.

ROBERTO FORTES

ROBERTO FORTES, escritor e poeta, é licenciado em Letras e autor do livro de contos “O Tucano de Ouro - Crônicas da Jureia” (2012), além de centenas de crônicas e artigos publicados na imprensa do Vale do Ribeira.  E-mail: robertofortes@uol.com.br

(Direitos Reservados. O Autor autoriza a transcrição total ou parcial deste texto com a devida citação dos créditos).

 

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