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A história do KKKK em Registro-SP

A sigla "K.K.K.K" significa Kaigai Kogyo Kabushiki Kaisha Companhia Ultramarina de desenvolvimento SA.


O KKKK


A sigla "K.K.K.K" significa Kaigai Kogyo Kabushiki Kaisha Companhia Ultramarina de desenvolvimento SA.


Em 1912 o governo do Estado de São Paulo, representado pelo então governador Albuquerque Lins, e o sindicato de Tóquio firmaram um convênio para ampliar a colonização japonesa e autorizar o funcionamento de uma companhia de beneficiamento e estocagem de arroz na Vila de Registro. O Estado doava com essa parceria 50 mil hectares de terra para serem distribuídos entre 2 mil famílias japonesas para o cultivo agrícola.

Em 1913 a empresa de imigração japonesa “Brasil Takushoku Kabushiki Kaisha” instalou a colônia Katsura em Jiporuva, Iguape. 

O nome Katsura foi dado em homenagem ao primeiro Ministro do Japão Sr. Iaro Katsura. Em 1917 foi instalada a colônia de Registro. 

A sigla "K.K.K.K" significa Kaigai Kogyo Kabushiki Kaisha Companhia Ultramarina de desenvolvimento SA.
A sigla "K.K.K.K" significa Kaigai Kogyo Kabushiki Kaisha Companhia Ultramarina de desenvolvimento SA.


Convêm salientar que apesar de Registro ter recebido o título de “Berço da Imigração Japonesa” os primeiros colonos se estabeleceram em Iguape. Posteriormente foram instalados núcleos colonizadores no Bairro Quilombo em Sete Barras e em Juquiá.

Em 1913 nascia em Tóquio (Japão) a Companhia Ultramarina de desenvolvimento, Kaigai Kogyo Kabushiki Kaisha (que significam respectivamente: Outra Nação, Sociedade Anônima e Companhia) com o objetivo de apoiar e instrumentalizar os colonizadores japoneses que partiam para o Brasil, mas especificamente para Registro.

Em 1919 a empresa KKKK incorporou a empresa de imigração japonesa Brasil Takushoku Kabushiki Kaisha, passando a administrar as colônias de Iguape, Sete Barras, Bairro Rio Quilombo e Juquiá, orientando e supervisionando todo o trabalho desenvolvido nas mesmas como: os cafezais, a pecuária, a criação de bicho da seda, campos de experiência, mantendo ainda escritório administrativo, posto médico, farmácia, departamentos de vendas, equipe de agrimensores, além de construir o maior engenho de beneficiamento de arroz da América do Sul na época.

A construção do conjunto arquitetônico KKKK teve início em 1919, e era composto por 4 armazéns com mais de dois mil metros quadrados e um edifício com instalações de engenho de beneficiamento de arroz. Apesar de ser um marco da imigração japonesa o edifício tem pouco a ver com a arquitetura nipônica, que inclusive inspirou muita das construções ao redor do complexo no mesmo período.

O projeto original teria vindo do Japão, contudo evidencia a típica arquitetura inglesa do início do século XX que se utilizava dos tijolos e telhas de barro, material abundante devido á produção oleira no Vale do Ribeira. A estrutura de ferro que sustenta o prédio foi importada da Inglaterra assim como a máquina de beneficiamento de arroz com a capacidade de produção de 14,400kg (240 sacos) de arroz por dia.

Durante a 2º Guerra Mundial, em 1939 o KKKK teve suas atividades suspensas no Brasil.

Sobre esse período Pedroso relata:

“Um pouco mais tarde foi implantado em Registro a Kaigai Kogyo kabushiki Kaisha (KKKK),constituindo-se então a Companhia Ultramarina de Empreendimentos Sociedade Anônima, com objetivo de incrementar a colonização japonesa de Registro, Sete Barras e Juquiá (…). Foi cedida à Companhia uma boa área de terras devolutas, onde os recém chegados imigrantes poderiam trabalhar. O núcleo ficou conhecido como “Colônia de Registro” expandindo-se então as colônias instaladas na região.

Os japoneses tentaram desenvolver diversas culturas, inclusive a do arroz, mas o que prevaleceu mesmo foi a do chá, depois a da banana.

Ainda sobre o término das atividades da KKKK em Registro, Oliveira destaca:

“A empresa KKKK entrou em processo de liquidação devido à entrada do Brasil na 2º guerra Mundial, e o imóvel teve que ser penhorado em garantia de dívida trabalhista para com o Sr.Eiro Hirota. Durante esse processo, o prédio foi vendido irregularmente a três compradores e acabou pertencendo judicialmente à professora Nicéia Hirota mãe do vereador Nilton José Hirota da Silva, na qualidade de herdeira sucessora de Eiro Hirota, falecido em 1987.

Após a 2º Guerra Mundial no período de 1954 até 1989, o Sr. Shigueru Fukuda trabalhou com beneficiamento de arroz já com uma nova máquina de fabricação nacional denominada “Máquina Zacharia”.

O prédio do KKKK, pela sua importância histórica e arquitetônica foi tombado em 1987 pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de são Paulo (Condephaat).

Em 1990 a prefeitura de Registro desapropriou o conjunto arquitetônico sendo declarado pelo decreto nº174 de 1990, do então prefeito o Sr. Valdir Moraes como de utilidade pública. Em 1996 o prédio foi repassado à Secretaria da Educação para um projeto em conjunto. No entanto todo o patrimônio histórico sofreu muito a ação do tempo. Somente em 1999 iniciou-se a sua restauração através de empresa especializada, mantendo ao máximo as características originais, desde os tijolos aparentes, as janelas e portas em formato de arco e a estrutura inglesa.

Foram construídos um anfiteatro e um “piscinão” evitando que as cheias do Rio Ribeira invadam a construção.




Desde então o KKKK se tornou um centro irradiador de cultura para toda a região do Vale do Ribeira abrigando o museu da Imigração Japonesa e o museu da Mata Atlântica (este último organizado pela UNESP) além de ser palco de inúmeros eventos como exposições, palestras, cursos, mesas redondas e seminários, além de apresentações culturais em geral.

Professora Elisângela Maria Xavier  Professora Lucelma Aparecida Camillo Rigante  Professora Luiza Aparecida de Souza
Fonte: TCC - Autoras : 

Professora Elisângela Maria Xavier 
Professora Lucelma Aparecida Camillo Rigante 
Professora Luiza Aparecida de Souza