17 de maio - Dia da Luta contra a Homofobia 17 de maio - Dia da Luta contra a Homofobia - O Vale do Ribeira

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17 de maio - Dia da Luta contra a Homofobia

Essa semana, conversando com um jovem, ele me contou que sua irmã adolescente queria muito jogar futebol, porém sua família considerava o esporte masculino, e haviam-na matriculado no balé. “Adivinha, ela está faltando no balé de propósito, não quer ir”. Ele, hoje com 20 anos, conta que sempre quis fazer balé, mas havia sido matriculado no futebol quando era adolescente. “Eu tinha medo de me machucar”. Por que, enquanto família, reproduzimos esses lugares-comuns, o menino no futebol, a menina no balé, mesmo que isso vá contra a vontade da criança ou do adolescente, ignorando seus medos ou desejo?

Comportamentos são aprendidos e ensinados, e ensinamos as crianças a se comportarem de acordo com determinados papéis sociais. Um dos primeiros papéis sociais está relacionado ao gênero: “é menino ou menina?”. A partir dessa resposta, uma sequência de idealizações são projetadas. Cores, roupas, brinquedos, referências musicais, esportes, atividades a serem realizadas. Contudo, as experiências vivenciadas pela criança possibilitam a reafirmação ou o questionamento desses comportamentos, o que pode entrar em conflito com o que foi idealizado pela família, conflito esse que leva ao sofrimento. Enquanto responsáveis pelas crianças, tomamos decisões acreditando serem as melhores escolhas. Mas existem coisas que, quando queremos que estejam sob nosso controle, custam muito caro a quem precisa escolher submeter seu desejo, ou não, para não deixar de existir.

Se cores, roupas, brinquedos, esportes etc. não são métricas ou parâmetros de sexualidade, por que seguimos impondo esses signos para classificar e dividir as pessoas? Em seu canal “Tempero Drag”, Rita Von Hunty debate acerca do lugar que a sociedade homofóbica reserva à população LGBT: “elas podem ser integradas desde que sob uma perspectiva que as transforme, ou conceda a elas, um comportamento heterossexual”[1]. Perpetuar o “futebol para meninos, balé para meninas”, não aceitando outras formas de existência, é imprimir nas crianças e adolescentes um comportamento heterossexual que procura encaixá-los na sociedade homofóbica, a qual tem um medo patológico em relação à homossexualidade, assim como em relação à transexualidade e à bissexualidade.

O respeito à diversidade e à liberdade devem ser intransigentemente preservados, pois assim como todos os outros direitos, estão sempre sujeitos a serem violados. Aniquilar o desejo do outro muitas vezes é aniquilar a vida, é a morte do outro. E combater a homofobia, a transfobia e a bifobia, em pleno 2022, infelizmente ainda mostra-se urgente.

O dia 17 de maio marca o Dia Internacional de Luta contra a Homofobia, Transfobia e Bifobia. E o que é homofobia? A definição da palavra deriva de medo patológico em relação à homossexualidade e aos homossexuais, e define o ódio aos homossexuais e o preconceito contra os indivíduos que não se enxergam como heterossexuais[2]. No dia 17 de maio de 1990 a Organização Mundial da Saúde retirou a homossexualidade do Código Internacional de Doenças (CID 10), razão pela qual a data simboliza a luta contra a homofobia, hoje também contra a transfobia e a bifobia. A lei 14.462/2011, de autoria do deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL) também estabelece o Dia de Luta contra a Homofobia no Estado de São Paulo no dia 17 de maio[3].

A resolução 001/1999 do Conselho Federal de Psicologia, considerando que a homossexualidade não constitui doença, nem distúrbio e nem perversão, resolve que os psicólogos não exercerão qualquer ação que favoreça a patologização de comportamentos ou práticas homoeróticas, nem adotarão ação coercitiva tendente a orientar homossexuais para tratamentos não solicitados. Os psicólogos também não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e cura das homossexualidades[4].

 

Aproveito para divulgar a 5ª Parada do Orgulho LGBTI+ que será realizada em Iguape – SP, contemplada pelo edital de Chamada Pública da organização social Amigos da Arte, participante do projeto + Orgulho SP, programa que apoia ações afirmativas que promovem visibilidade para a população LGBTQIA+ no Estado de São Paulo e contribuem para a promoção de uma cultura de respeito pela diversidade[5]. Que o amor sempre prevaleça!


17 de maio - Dia da Luta contra a Homofobia


Carla Cristina Kawanami, CRP 06/96109, é psicóloga escolar do Instituto Federal São Paulo (IFSP) campus Registro, graduada pela USP e Mestre em Educação: Psicologia da Educação pela PUC SP.

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(Direitos Reservados. A Autora autoriza a transcrição total ou parcial deste texto com a devida citação dos créditos).


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