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Ano novo vida nova

A cada início de ano as esperanças se renovam. Faz parte da índole humana acreditar em dias melhores. Vivemos tempos tenebrosos. Acossados por um vírus que parece nunca ser domado, tornamo-nos refugiados em nossos próprios lares. Apesar da vacinação em voga e dos protocolos de higiene seguidos pela maioria da população, a doença ainda persiste e inspira cuidados, considerando, também, as nefastas variantes que pipocam a cada período. Quando, esperançosos, achávamos que, vacinados, estaríamos protegidos, surgem novas cepas, novas variantes, e a sensação de medo e resignação continuam a nos dominar.

Ano novo  vida nova



Já estamos em janeiro de 2022. Ainda é o início de mais um novo ano, porém, quando menos esperarmos, já estaremos em dezembro, comemorando outro final de ano. O tempo ruge, não urge, como diziam os antigos. O tempo passa, o tempo voa e a poupança de certo banco (que mudou de nome e depois foi vendido a outro banco), como dizia a antiga propaganda de TV, não se sabe se ainda continua numa boa.

A cada novo ano que se inicia fazemos muitos projetos de mudanças, e nisso parecemos acreditar com todo o ardor, mas, quando termina o ano, vemos que pouco ou nada do que planejamos saiu de fato do papel. Continuamos do mesmo jeito, sem ter efetuado em nossas vidas aquelas tão planejadas e acaloradas mudanças.

Mas analisemos bem a questão. Que tipo de mudanças seriam essas? Mudaríamos a nossa maneira de ser, nossas perspectivas diante do mundo, nossa opinião a respeito das coisas? Se agíssemos assim, passaríamos a ser outra pessoa, e não mais aquela pessoa que, no início do ano, planejou mudanças em sua vida. Que nem a profecia maia, nosso projeto de mudanças tem que sempre dar xabu?

Quais são nossos projetos de mudanças? Fazer exercícios para perder a indesejável barriguinha ou para reduzir o colesterol e o diabetes? Ler aqueles livros que ficam nos chamando da estante, mas que nunca temos tempo de lê-los? Abraçar aquela pessoa com quem não simpatizamos? Dedicar mais atenção aos filhos e, por tabela, àquela pessoa com quem dividimos nossa vida? Fazer faculdade, ou, talvez, um novo curso? Andar descalço nas ruas? Tomar banho de chuva, sem guarda-chuva? Fazer aquela viagem para tal lugar que vimos adiando há anos? Comer com as mãos num restaurante chique, sem garfos e facas, mandando às favas a etiqueta? Conversar com aquele mendigo que fica jogado, bêbado, sujo e maltrapilho na praça, que todos fingem que não existe, e ouvir a sua história de vida?...

Bem, os projetos de mudanças podem ser muitos e variados. Mas parece que nunca conseguimos colocá-los em prática. Temos a impressão de que o ano passa tão rapidamente que não dá tempo de executá-los. Agora, convenhamos: o que é o tempo senão uma convenção humana? Contudo, se é uma convenção que nós, humanos, criamos, então nós é que deveríamos ter domínio sobre o tempo, e não o contrário.

Talvez a gente nunca consiga realizar os nossos projetos de mudanças justamente porque ficamos com essa obrigação martelando em nossas cabeças, e o que era para ser executado prazerosamente, acaba se transformando num fardo que carregamos nas costas durante todo o ano, sem vontade de torná-lo uma grata realidade.

Mas não sejamos tão pessimistas. Vamos acreditar que 2022 nos reserva a oportunidade de realizar os nossos tão acalentados projetos!


ROBERTO FORTES,

ROBERTO FORTES, historiador e jornalista, é licenciado em Letras e sócio do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo. E-mail: robertofortes@uol.com.br

(Direitos Reservados. O Autor autoriza a transcrição total ou parcial deste texto com a devida citação dos créditos).

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