Agricultura do Vale do Futuro está cada vez mais forte Agricultura do Vale do Futuro está cada vez mais forte - O Vale do Ribeira

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Agricultura do Vale do Futuro está cada vez mais forte

Coopercentral-VR amplia venda de produtos de agricultores do Vale do Ribeira e facilita o acesso às políticas públicas com gestão organizada e mais união.

Agricultura do Vale do Futuro está cada vez mais forte



O cooperativismo no Vale do Ribeira, região contemplada pelo Programa Vale do Futuro, do Governo do Estado, é um caminho para a geração de renda e mais produtividade entre os produtores da agricultura familiar. Organizados em pequenas cooperativas, os agricultores perceberam que unidos poderiam se fortalecer e o que era competitividade, transformou-se em oportunidade. Surgiu então a Cooperativa Central dos Produtores Rurais e da Agricultura Familiar do Vale do Ribeira (Coopercentral-VR), fundamental para a ascensão da agricultura familiar do Vale do Ribeira, gerando acesso ao mercado, venda qualificada, compartilhamento de estruturas e de saberes entre os pequenos produtores.

Atualmente, doze cooperativas atuam no Vale do Ribeira, sob a coordenação da Coopercentral-VR, localizada em Santo André. Eles recebem apoio do Programa Vale do Futuro e da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, por meio do trabalho da Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável (CDRS) e do Projeto Microbacias II, o que vem possibilitando o fortalecimento das organizações de pequenos produtores no Vale do Ribeira.

A expectativa dos agricultores da Coopercentral-VR é fechar o ano de 2021 com aproximadamente 10 mil toneladas de produtos comercializados. O número representa um movimento de R$ 30 milhões em vendas. Cerca de 1.500 famílias de toda a região são beneficiadas com este trabalho. Os produtos da alimentação escolar são entregues de 10% a 20% mais baratos que o preço praticado no mercado, com a qualidade garantida pela agricultura familiar do Vale do Ribeira.

Semanalmente, a Coopercentral entrega cerca de 250 toneladas de alimentos em 4 mil pontos de entrega espalhados pelo Estado de São Paulo, desde escolas até instituições governamentais. Mais de mil pessoas estão envolvidas nestas operações logísticas.


Da competitividade à oportunidade



A Coopercentral nasceu em 2013 e foi formalizada em 2017 no âmbito do Projeto Microbacias II, do Governo de São Paulo, por meio do qual foram investidos mais de R$ 5 milhões na organização e no fortalecimento de cooperativas e associações de pequenos produtores, com infraestrutura logística; aquisição de equipamentos, máquinas e veículos de grande e pequeno porte; construção de packinghouses, climatizadoras e aquisição de milhares de caixas plásticas.

O Projeto Microbacias II – Acesso ao Mercado, é executado pela Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), que viabiliza as máquinas e equipamentos para a Coopercentral VR. Atualmente a Coopercentral conta com o suporte de 10 caminhões, 10 climatizadoras, 18.820 caixas plásticas, 12 veículos, 1 trator, 1 agroindústria, 3 cozinhas industriais além de equipamentos de escritório, de operação locais e do centro de distribuição.

As cooperativas se beneficiaram com o advento das políticas públicas para fortalecimento da agricultura familiar, o acesso direto ao mercado com o antigo PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) e o PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar). Com a Coopercentral, foi a superação de limites. Segundo Marcelo Fukunaga, agricultor de Sete Barras e vice-presidente da Coopercentral-VR, a criação da Coopercentral retirou a figura do atravessador e colocou os agricultores em primeiro plano nas vendas, possibilitando a comercialização dos produtos com um custo menor e mesmo assim com o dobro de lucros. “Antes, somente as empresas atacadistas tinham acesso ao mercado, e ao pequeno produtor restava fornecer os alimentos para atravessadores que forneciam para essas empresas. Então, nos organizamos em cooperativas para fornecer nesse novo modelo de venda, porém vivíamos num modelo de competição entre essas cooperativas, brigávamos por mercados locais menores e não conseguíamos evoluir para atender mercados maiores, como a cidade de São Paulo, por exemplo. Sabíamos que precisávamos ser ousados e criar tecnologias sociais para superarmos nossas fragilidades e assim gerar mais acesso aos agricultores familiares. Nessa conjuntura nasceu a Coopercentral Vale do Ribeira, uma central de cooperativas do Vale do Ribeira com uma proposta inovadora, em modelos de gestão, operação, integração, democratização nas tomadas de decisões e equidade entre as Cooperativas de Agricultores familiares do Vale do Ribeira”, explicou Fukunaga.

Na avaliação de Isnaldo Lima da Costa Junior, diretor tesoureiro da Coopercentral, esta ação coordenada entre as cooperativas fortaleceu o agricultor familiar do Vale do Ribeira. “Por meio do cooperativismo e da agricultura familiar, que é responsável pela grande parcela da produção de alimentos no mundo, motivo pelo qual, neste momento de caos que estamos vivendo, um setor que se torna ainda mais essencial, e precisa ser fortalecido cada dia mais, para continuar gerando renda, emprego, contendo o êxodo rural e combatendo a desigualdade social”, afirma.

“O Programa Vale do Futuro vem fortalecendo as relações da população do Vale do Ribeira com o Governo de São Paulo. São dois anos de um trabalho que vem aproximando os produtores das políticas públicas, ajudando-os a superar barreiras, com homens e mulheres garantindo o próprio sustento, consumidores recebendo alimentos de melhor qualidade, melhores estradas rurais, o meio ambiente preservado e diversas transformações que visam à qualidade de vida, geração de emprego e renda para a população do Vale do Ribeira”, disse Marco Aurélio Gomes, coordenador geral do Programa Vale do Futuro.

Economia mais forte


A banana é a principal cultura do Vale do Ribeira, com cerca de 35 mil hectares das variedades nanica (60%) e prata (40%). A economia é forte, mas cada pequeno produtor amargava prejuízos quando, reunidos cada um em sua associação ou cooperativa, entregavam a produção para os intermediários para que o produto fosse escoado no grande mercado. Com a Coopercentral-VR, a figura do atravessador foi eliminada e a história do pequeno produtor foi então transformada.

O Vale do Ribeira é uma das regiões do Estado de São Paulo que mais produz alimentos, preservando a maior área contínua de Mata Atlântica preservada que existe no mundo. “Além de garantir a segurança alimentar, somos também prestadores de serviços ambientais para sociedade. É muito gratificante saber que nossos produtos estão sendo consumidos nas nossas escolas e que nossas crianças estão consumindo produtos com valores como a produção vinda de comunidades tradicionais, quilombolas, ribeirinhos, caiçaras, fortalecendo essas famílias que produzem alimentos de baixo impacto, protegendo o maior patrimônio ambiental do Estado de São Paulo”, disse o vice-presidente da Coopercentral Marcelo Fukunaga.

O agricultor familiar João Bianchi, de 74 anos, é de Miracatu e herdou do pai o gosto pelo trabalho no campo. Ele faz parte da ABAM, a Associação dos Bananicultores do Município de Miracatu e, segundo ele, a Coopercentral-VR resolveu a vida de toda a gente. “Agrupou o pequeno agricultor e deu esperança. Foi uma benção porque a gente vivia vendendo pra um, pra outro. As vendas melhoraram bastante e hoje temos mais segurança, dá para fazer uma conta com a certeza do pagamento”, disse. Sobre as bananas irem direto para a merenda escolar, Bianchi comemora e faz propaganda com a certeza de um bom produto. “Fico feliz que as crianças das escolas estão recebendo produto de melhor qualidade. A gente espera que o próximo governante olhe o Vale do Ribeira como o Vale do Futuro”, finalizou.


Organizações integrantes da Coopercentral–VR: Associação dos Bananicultores de Miracatu • Cooperativas dos Bananicultores e Agricultores de Miracatu• Cooperativa Mista Agroecológica de Vista Grande• Cooperativa dos Produtores Rurais e da Agricultura Familiar do Município de Juquiá • Cooperativa Mista dos Bananicultores do Vale do Ribeira • Cooperativa Agroecológica dos Agricultores Familiares do Vale do Ribeira e Litoral Sul• Cooperativa dos Agricultores Quilombolas do Vale do Ribeira • Associação Quilombo de Ivaporunduva • Cooperativa Agroindustrial Solidária • Cooperativa Agropecuária de Produtos Sustentáveis do Guapiruvu • Associação dos Agricultores Familiares do Município de Cajati • Cooperativa da Agricultura Familiar de Sete Barras.

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