Treze de julho Dia Mundial do Rock Treze de julho Dia Mundial do Rock - O Vale do Ribeira

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Treze de julho Dia Mundial do Rock

A coluna de hoje traz a pauta sobre a importância da Arte em nossas vidas.

13 de julho Dia Mundial do Rock


O que é a Arte? A Arte, entre diversas outras definições, é uma forma que encontramos para expressar nossa subjetividade. Além de ressignificar nossas próprias experiências, a arte é uma possibilidade de traduzir nossos sentimentos. A música, uma das formas de expressão artística, sempre esteve presente em minha vida. A coluna de hoje, nomeada “13 de julho, Dia Mundial do Rock", além de trazer a pauta sobre a importância da Arte em nossas vidas, será, antes de tudo, uma homenagem ao meu pai.

Uma das primeiras histórias que ouvi sobre meu nascimento era a de que, por minha causa, meu pai deixou de ir ao Rock in Rio. Para que vocês tenham noção da importância desse fato: o ano era 1985. Primeiro Rock in Rio. Nomes como Iron Maiden, AC/DC e Ozzy Osbourne estariam em terras brasileiras entre 11 e 20 de janeiro. Meu pai tinha 18 anos, fã de rock, ingresso comprado. Eu nasci no dia 10. Meu pai nunca disse que havia sido uma escolha difícil deixar de ir ao Rock in Rio por minha causa. Mas ele dizia, com ironia “eu não fui, você nunca irá". E essa profecia se mantém até os dias de hoje.

Meu pai nasceu e faleceu no dia 12 de julho. Seu enterro, aos 43 anos, se deu no dia 13 de julho, dia mundial do rock. Não haveria data mais oportuna. Meu pai me ensinou a amar a música como forma de expressão. Era frequentador de karaokê, e tive a oportunidade de vê-lo interpretar Raul Seixas diversas vezes. Meu pai não era muito fácil de lidar, mas para entendê-lo bastava ouvi-lo cantando Gita.

Talvez tenha sido o nosso relacionamento que me levou a cursar Psicologia. Freud explica, não é mesmo?

Esse mês, a coluna Cotidiano Psi trouxe o diálogo sobre o período da adolescência vivenciado neste momento ("O despertar da adolescência na pandemia"). Reproduzo aqui um trecho da coluna: "Passar pela adolescência neste momento de pandemia da Covid-19 implica em mais coragem e esforço para crescer e aprender a andar em um caminho novo, sob muitos aspectos, como o fato de ser algo novo para todos nós, ou seja, o adulto já não pode se iludir com certezas de que sabe onde o caminho vai dar. Diante disso surge a possibilidade de transformação, na qual a abertura para novas experiências e questionamentos é fundamental". (Grifo nosso).

Enquanto psicóloga escolar, ao lidar diariamente com estudantes dessa faixa etária, diversas vezes me pergunto em que momento eu acreditei não ser mais adolescente. Para além da definição cronológica, ser adulto talvez esteja mais representado pela segurança em realizar as escolhas necessárias e responder às consequências. Porém, vivemos dias muito difíceis. Estamos à mercê e à deriva. Em momentos assim, somos tomados pela sensação de insegurança, e buscamos algum acolhimento, aquilo que nos remeta a momentos em que nos sentimos seguros e protegidos. Dias desses, percebi que sentia muita falta de colo. Um colo no qual eu recebia um afago na orelha, e parecia que tudo ia ficar bem, bastava ter coragem. O colo do meu pai.

Neste mês a coluna Cotidiano Psi também abordou sobre as palavras e seus significados (“Brincando com as palavras”). Além da música, a literatura também é uma das formas de Arte. E foi num trecho escrito por Mia Couto (em "O Mapeador de Ausências") que vi traduzida a sensação de desamparo que senti:

"Quando [meu pai] morreu fiquei sem saber quais dedos eram os seus, quais os meus. E agora os gestos dele habitam-me as mãos que, ilusoriamente, penso serem minhas. Por causa dessa impossível ausência não aprendi a ter saudade. Ou melhor, tenho saudades do meu pai apenas quando a mim mesmo me falto". (Couto, 2021, p.23)

Fica aqui então, além da homenagem ao meu pai, o compartilhamento de algo que pode ser terapêutico para esse momento que vivenciamos: procure na Arte uma forma de materializar e dar sentido às vivências e emoções. Este é o momento. Conta pra mim, o que tem traduzido o que você vem sentindo?


Carla Cristina Kawanami, CRP 06/96109, é psicóloga escolar do Instituto Federal São Paulo (IFSP) campus Registro, graduada pela USP e Mestre em Educação: Psicologia da Educação pela PUC SP.

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(Direitos Reservados. A Autora autoriza a transcrição total ou parcial deste texto com a devida citação dos créditos).

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