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Toma conta da sua vida

 "Você que é psicóloga, o que você acha…"

Profissionais de qualquer área que necessite de uma formação acadêmica para o exercício da profissão, vira e mexe são convocados com a frase "Você que é (profissão), o que você acha…?"

Toma conta da sua vida


A expectativa daquele que pergunta é a de que a resposta represente o conhecimento científico construído sobre determinado assunto. Costumo responder "eu enquanto psicóloga não acho nada, eu enquanto Carla acho…". Dessa forma, tento demarcar os limites entre a representação de uma classe e a minha identidade e história pessoal.

Porém, nem sempre a pergunta vem com a expressão "você que é psicóloga". Mas a expectativa daquele que pergunta, permanece.

Os sofistas viveram no século V a.C., e partiam do pressuposto de que não era possível conhecer a Verdade, então a verdade seria aquilo que se afirmasse ser. Atualmente, no século XXI, revivemos esse pensamento: nas redes sociais, todos expressam as suas opiniões e julgam-nas verdades inquestionáveis para si. Cientistas e pesquisadores buscam questionar a verdade, e como Sócrates, são condenados pela sociedade virtual sofista.

Nas redes sociais utiliza-se muito o recurso da "lacração", ou seja, expõe-se a opinião como palavra final, sem possibilidade de diálogo, provocando no "público" a reação dicotômica "concordo-discordo". Desse modo, acaba afetando aquele que lê, como fazem os influenciadores digitais. Quando aquele que ocupa esse lugar de ciência, seja por ser um pesquisador ou profissional da área, decide externar a sua opinião, provoca um impacto na subjetividade daquele que lê. O problema está em delimitar, ao público das redes sociais, que nem sempre nossa opinião representa a classe profissional. E, se o profissional utiliza-se desse recurso da "lacração", inibe o contato com quem tem um pensamento divergente ou diferente do seu. Pensamento este que só poderia ser desenvolvido através do diálogo.

Estamos a todo o momento sujeitos à crítica do outro. Fazemos um esforço para criarmos a cultura do "toma conta da sua vida" porque sabemos o quanto a crítica nos afeta. Ao mesmo tempo, queremos saber e influenciar a opinião dos outros. Expressamos nossos comportamentos e pensamentos nas redes sociais em busca de contato, diálogo e/ou aprovação. Queremos também saber a opinião daqueles que nos afetam: pessoas que admiramos, que gostamos, que não gostamos. Queremos saber o que representamos para o outro. Você pode até negar e dizer que a opinião alheia não te interessa: a intersubjetividade é algo que nos afeta enquanto seres humanos. Nós nos construímos no olhar do outro. Por isso devo cuidar, e muito, ao externar a minha opinião.

Carla Cristina Kawanami, CRP 06/96109, é psicóloga escolar do Instituto Federal São Paulo (IFSP) campus Registro, graduada pela USP e Mestre em Educação: Psicologia da Educação pela PUC SP. 

Contato:

Email: carla.kawanami@gmail.com

Facebook: Carla Kawanami

Instagram: @carlakawanami

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