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Maio Mês de Luta Resistência e Esperança

Maio é um mês de muita luta e movimento. São diversas pautas a serem trabalhadas: no 18 de maio, temos o Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes e o Dia Nacional da Luta Antimanicomial. 17 de maio, Dia Internacional contra a Homofobia. 13 de Maio, dia Nacional da Denúncia contra o Racismo.       

Maio Mês de Luta Resistência e Esperança

Neste mês, a coluna Cotidiano Psi trouxe duas importantes reflexões: entre 2010 e 2020, mais de cem mil crianças e adolescentes com idade até 19 anos morreram no Brasil vítimas de ato violento. Este dado escancara e evidencia a necessidade de que o dia 18 de Maio seja marcado por um ato coletivo de desenvolvimento de ações que visem o fim dessa barbárie. 

Outra importante reflexão debatida em nossa coluna foi sobre o luto e a impossibilidade de elaborar o sofrimento devido à contínua cobrança pela produtividade. Lembro de ter visto por diversas vezes a seguinte frase nas redes sociais: “exigem que continuemos trabalhando como se nada estivesse acontecendo”. E, para manter a sensação de que “nada está acontecendo”, aumentamos o consumo de drogas: a edição especial do Global Drug Survey (GDS) na pandemia da COVID-19 mostrou que, no Brasil, houve um aumento no uso de álcool, de maconha, de cocaína e de benzodiazepínicos (ex. Diazepam, clonazepam, alprazolam).

Eram tantas pautas que eu não sabia por onde começar, ou a qual delas dar visibilidade. Em comum, o enfrentamento à violação dos direitos humanos. Neste macabro cenário pandêmico que vivenciamos, faz-se mais do que necessário o aviso de Simone de Beauvoir: “Nunca se esqueça de que basta uma crise política, econômica ou religiosa para que os direitos das mulheres sejam questionados”. Das mulheres, das crianças e adolescentes, dos que não são considerados “normais”, da comunidade LGBTQIA +, dos negros e dos povos tradicionais (indígenas, quilombolas, ribeirinhos entre outros).

 Após o horror da 2a Guerra Mundial (1939-1945), a escola foi tida como o lugar em que teríamos a chance de educarmos crianças e adolescentes para que a barbárie não mais tivesse espaço em nossa sociedade. Porém, a escola também sempre foi palco de disputas ideológicas: a autonomia do professor é refém de discursos conteudistas, que medem a qualidade da educação por métricas externas ou que tem como objetivo números de aprovação em vestibulares. Ainda assim, seguimos resistindo e trabalhando para uma educação pública que seja não sexista, anti-racista e não homofóbica.


Em 2020/2021 fizemos o esforço de tentar adaptar os processos de ensino-aprendizagem que aconteciam em sala de aula para o mundo virtual, e inauguramos o “ensino remoto”. B.F. Skinner (1975), em “Tecnologia de Educação”, apresenta uma proposta de ensino através de máquinas (softwares) que estimulariam o estudante a assimilar o conteúdo. O "ensino remoto" que vivenciamos durante a pandemia de covid-19 aproximou-se bastante dessa realidade proposta por Skinner: em suas casas, estudantes idealizados acessam a internet e apreendem o conteúdo. Professores investem em apresentar conteúdos de diversas formas, em diversas expressões, tentando atingir dessa maneira a todos os estudantes. Porém, o próprio termo "ensino remoto" traduz a sua realidade imposta: a exclusão da palavra aprendizagem, ou seja, não compreender o processo de ensino-aprendizagem como um processo dialético, de troca, de interação, assim como proposto por Vigotsky (1934/2001). A contradição entre a teoria e a prática, além da própria realidade imposta pela pandemia, traduz-se em muito sofrimento para estudantes e professores.

 Muito mais do que apresentar conteúdo, a função da escola sempre foi a de proporcionar um espaço de interação saudável, que forneça condições para que crianças e adolescentes possam se expressar e serem valorizados em suas múltiplas inteligências e sabedorias. Além disso, a escola fornece os instrumentos necessários para que possamos efetivar nosso projeto por uma sociedade mais justa, inclusiva e igualitária, estimulando o pensamento crítico e proporcionando o necessário contato com o outro para desconstruir  nossos preconceitos.

 As pautas apresentadas no mês de maio exigem uma mobilização da sociedade. E, assim como as datas que marcam um mês de muita luta, ainda precisamos caminhar no enfrentamento desse momento histórico que nos deixa diversas marcas. Neste momento de pandemia, nossa função enquanto educadores não é seguir como se nada estivesse acontecendo: devemos sim pontuar, trazer para a pauta, dar espaço para a expressão, para o sofrimento e para a denúncia, possibilitando dar voz aos nossos sentidos e nomear nossas angústias. Precisamos, coletivamente, arranjar uma forma de continuar sobrevivendo em meio ao caos e buscando esperançar uma existência com melhores condições de vida para todas, todos e todes.

 

Carla Cristina Kawanami, CRP 06/96109, é psicóloga escolar do Instituto Federal São Paulo (IFSP) campus Registro, graduada pela USP e Mestre em Educação: Psicologia da Educação pela PUC SP. Docente do curso de Psicologia na UniVR.

Contato:

Email: carla.kawanami@gmail.com

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Instagram: @carlakawanami

 

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