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Jovens de Miracatu (SP) lançam documentário com temática racial

Obra foi produzida de forma 100% remota e com elementos caseiros


Jovens de Miracatu (SP) lançam documentário com temática racial

As limitações impostas pelo isolamento social, como medida preventiva ao contágio pelo novo coronavírus, não impediram alunos do Ensino Médio da Rede Estadual de Miracatu (SP) a usarem a voz e o talento no documentário “O que é ser negro?” (https://www.youtube.com/watch?v=ddLS1MDzrFs), que deu visibilidade a questões raciais. O material, produzido inteiramente à distância, é fruto do curso de formação de jovens como agentes culturais e produtores de conteúdo para internet, braço educacional da Brazucah Produções, com o apoio do Legado das Águas, maior reserva privada de Mata Atlântica do Brasil.

O projeto Rede Brazucah, foi realizado no Vale do Ribeira, em 2020, para promover a união entre arte, tecnologia e sustentabilidade. Nesta perspectiva, durante o projeto foram abordados temas atuais como meio ambiente, questões étnicas e as relações humanas, sempre por meio da linguagem audiovisual, divido em duas frentes: festival virtual de cinema e o curso de formação.

Por conta da pandemia, o festival, que geralmente ocorre presencialmente, foi apresentado de forma online e gratuita no canal do Cinesolar no YouTube, projeto da Brazucah produções que utiliza a energia solar para exibição de filmes. Com os temas: "Meio Ambiente", "Vidas Negras Importam" e "Tudo Vai Ficar Bem", cada curta-metragem do festival ficou disponível durante duas semanas. Ao término de cada programação foi realizada uma live abordando a temática trabalhada, para tanto contamos com a participação de diretores e atores dos filmes participantes do festival; de especialistas na temática abordada e dos estudantes do curso de formação. A iniciativa foi viabilizada por meio Lei Federal de Incentivo à Cultura, com patrocínio do Legado das Águas, apoio do Instituto Votorantim e realização Brazucah Produções, Ministério do Turismo e Governo Federal.

Já o curso de formação – que contou com 72 horas aula – proporcionou conhecimentos de linguagem e das técnicas audiovisuais, atrelados aos temas sociais. O objetivo foi capacitar os alunos para a produção de conteúdos audiovisuais com foco em redes sociais, despertando a atenção do público para os temas ambientais da atualidade.

De acordo com Daniela Gerdenits, coordenadora de Parcerias e Responsabilidade Social do Legado das Águas, o apoio ao projeto visou proporcionar aos jovens o aprendizado de novas habilidades. “A pandemia acelerou o curso de uma transformação digital disruptiva, vimos esse processo acontecer nos diferentes projetos sociais apoiados pelo Legado das Águas. Capacitar o jovem para essa nova realidade digital, com o viés educacional e profissional, é contribuir para que possa capitalizar as oportunidades desse novo cenário”, diz.




Produção audiovisual

Raphael Alario, da Brazucah Produções e coordenador do projeto, explica que durante toda a formação, o projeto buscou contribuir para sensibilizar novos olhares sobre o papel dos jovens na sociedade, os estimulando a perceber seus potenciais enquanto agentes de mudanças sociais, tendo o cinema e a produção audiovisual como meio de empoderamento. “A partir de discussões teóricas e da vivência dos estudantes, foram desenvolvidas atividades práticas para produção audiovisual do curso. Dentre essas atividades, teve destaque a realização das entrevistas (desde a preparação e discussão do roteiro, até a realização de entrevistas e editoração). Contamos com a participação do secretário de Meio Ambiente do município, de professores da rede pública de ensino e de familiares dos participantes. Foi uma experiência muito rica para todos os envolvidos no processo! Os jovens passaram a se perceber como sujeitos atuantes, capazes de interferir na vida social, de ouvir e de serem ouvidos”, conta Alario.

Protagonismo jovem

A obra, que teve o tema escolhido pelos jovens, foi produzida pelos próprios alunos, utilizando celulares e ferramentas digitais para gravar as entrevistas que compõem o material. Mesmo em meio aos desafios impostos pela pandemia, Tayná Mendes de Lima, de 16 anos, buscou aprender o máximo possível e viu no curso uma oportunidade para desenvolver as habilidades necessárias para seguir com o sonho de trabalhar com produção audiovisual. “O curso foi muito bom. Eu aprendi muito, desde conceitos básico de produção, roteiro e até edição. Para mim, o mais importante é que tudo foi ensinado de uma forma que pudemos aprender. Eu me surpreendi, foi melhor do que eu esperava”, revela Tayna, que planeja investir profissionalmente na área de audiovisual. “Sempre quis trabalhar com vídeos, e hoje sei por onde começar”, complementa.

Sobre a escolha do tema, Tayná diz que foi um consenso entre os alunos. “Tinham muitas boas ideias, mas entendemos que era um assunto muito necessário no momento. No final, conseguimos abordar vários temas em um só. Ficamos muito felizes e orgulhosos com os resultados. Esperamos que a mensagem que quisemos passar com o documentário, ajudem as pessoas a refletirem sobre o racismo”, diz.

Vencendo os desafios


A formação, inicialmente, seria semipresencial. Com a pandemia, o formato foi adequado para acontecer 100% on-line, o que foi uma preocupação e um cuidado para todos os envolvidos no projeto. Para Cynthia Alario, sócia e fundadora da Brazucah, os desafios trazidos pela pandemia tiveram repercussão direta na percepção dos alunos. "Para a Brazucah, que atua há 18 anos com projetos que lida com educação, foi um novo momento de reflexão e de revisão de como atuar, usando a tecnologia a favor dos alunos e do conhecimento. Foi um grande desafio e a verdade é que aprendemos muito durante todo o projeto, descobrindo como agir neste novo cenário junto com os alunos e os professores. Tivemos grandes resultados com os jovens das oficinas que, atualmente, já podem ser definidos como usuários e produtores de conteúdo culturais na internet”, finaliza.

Sobre o Legado das Águas – Reserva Votorantim


O Legado das Águas, maior reserva privada de Mata Atlântica do país, com extensão aproximada à cidade de Curitiba (PR), é um dos ativos ambientais da Votorantim. Localizada na região do Vale do Ribeira, no sul do Estado de São Paulo, a área foi adquirida a partir da década de 1940 e conservada desde então pela Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), que manteve sua floresta e rica biodiversidade local com o objetivo de contribuir para a manutenção da bacia hídrica do Rio Juquiá, onde a companhia possui sete usinas hidrelétricas. Em 2012, o Legado das Águas foi transformado em um polo de pesquisas científicas, estudos acadêmicos e desenvolvimento de projetos de valorização da biodiversidade, em parceria com o Governo do Estado de São Paulo. Hoje, o Legado das Águas é administrado pela empresa Reservas Votorantim, criada para estabelecer um novo modelo de área protegida privada, cujas atividades geram benefícios sociais, ambientais e econômicos de maneira sustentável.

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