Últimas Notícias

Sistema de mutirão, projeto Agroflorestar implanta mais de 30 hectares de agroflorestas no Vale do Ribeira

No total, mais de 480 agricultores/as familiares, quilombolas e indígenas participaram diretamente das ações do projeto, realizadas ao longo dos últimos dois anos.






No total, mais de 480 agricultores/as familiares, quilombolas e indígenas participaram diretamente das ações do projeto, realizadas ao longo dos últimos dois anos.

Sistema de mutirão, projeto Agroflorestar implanta mais de 30 hectares de agroflorestas no Vale do Ribeira

Projeto “Agroflorestar no Vale do Ribeira

Por vários cantos do Vale do Ribeira estão crescendo as sementes e mudas espalhadas pelo Projeto “Agroflorestar” ao longo dos últimos dois anos. Foram mais de 30 hectares de novas áreas implantadas com agroflorestas em mais de 15 municípios da região. São áreas pequenas, menos de 0,5 em média, mas com toda a diversidade de espécies agrícolas e florestais que caracterizam os sistemas agroflorestais (SAFs) inspirados na natureza. 
Sistema de mutirão, projeto Agroflorestar implanta mais de 30 hectares de agroflorestas no Vale do Ribeira



O trabalho de abertura e manejo destas novas áreas envolveu centenas de agricultores/as familiares, comunidades tradicionais indígenas e quilombolas, técnicos parceiros e equipes da Cooperafloresta-Associação dos Agricultores Agroflorestais de Barra do Turvo e Adrianópolis, executora do Projeto “Agroflorestar: Vale do Ribeira”, patrocinado pela Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental. Com mudas e sementes, insumos, equipamentos e assistência técnica, o projeto apoiou a implantação das agroflorestas e incentivou a prática do mutirão entre vizinhos.


“O projeto trouxe de volta essa ideia do mutirão, de trabalhar em conjunto, onde a gente troca conhecimento, ideias, aprende muito. No nosso bairro agora temos o grupo do mutirão. A união de todos faz com que a gente se sinta parte de uma família, onde um vizinho ajuda a cuidar do outro.”, destacaUlisses Santos Vitor da Luz, jovem agricultor do bairro Itimirim, município de Iguape, onde sete novas áreas de agrofloresta foram implantadas. “O projeto também me ajudou a ter uma renda no sítio e hoje não tenho mais intenção de sair da roça”.

Em muitos locais os primeiros frutos desses plantios já foram e continuam sendo colhidos por agricultores/as envolvidos no projeto. É o que acontece no próprio bairro Itimirim, cujas famílias tiveram a produção agrícola incrementada e a renda acrescida com a comercialização dos produtos agroflorestais na Feira do Produtor de Iguape, realizada semanalmente na praça central da cidade. E também é o caso do bairro Ribeirão, no município de Iporanga, onde um grupo de agricultoras que implantou agroflorestas em seus sítios acabou criando a primeira Feira Agroecológica da cidade, iniciada há pouco mais de três meses e realizada semanalmente. Em ambos os casos, são oferecidos aos consumidores diversos alimentos que saem das áreas agroflorestais.



“Aumentou bastante a diversidade de produtos que a gente traz pra feira. Com esse projeto, meu pai e minha mãe estão conseguindo tirar verdura bonita, de boa qualidade e sem veneno. E a clientela percebe isso: só de falar que é produto da agrofloresta já tem uma venda mais aberta porque é um alimento saudável”, ressalta Márcia Rosa Silva, que faz a feira em Iguape junto com a mãe Cecília Rosa Silva. Antes de participar do projeto, a agricultora Roseli Motta, também do bairro Itimirim, não tinha verdura para oferecer aos clientes da feira de Iguape. “Com a agrofloresta aumentou a diversidade e a qualidade dos produtos, isso aproxima mais a clientela. Tem freguês que já pede o produto da agrofloresta, porque sabe que é alimento sadio, sem veneno”. Além disso, continua a agricultora, “a nossa renda na feira quase triplicou”.

Em Iporanga, as agricultoras do bairro Ribeirão decidiram criar a Feira Agroecológica no centro da cidade para não desperdiçar o excedente dos alimentos produzidos nas novas agroflorestas. “Mesmo consumindo em nossas casas, ainda assim sobrava muita coisa nas hortas”, explica Edna Florindo da Silva, uma das participantes do grupo. “A feira tá sendo bem aceita na cidade. As pessoas ficam admiradas de saber que a gente produz tudo que expõe, e ainda por cima tudo orgânico! A renda aumentou consideravelmente se a gente pensar que a feira tá no começo ainda”.



Encontro celebra a diversidade

Em encontro final do projeto, o “Agroflorestar: Vale do Ribeira” reuniu mais de uma centena de pessoas de diversos municípios da região que participaram das atividades nos últimos dois anos, como indígenas Guarani Mbyá de diversas aldeias, quilombolas, agricultoras e agricultores familiares, produtores rurais, pesquisadores e técnicos/as de instituições parceiras.



“É um projeto perfeito, porque a gente não tinha condição de plantar como é do jeito da agrofloresta. E com o projeto a gente teve apoio. A gente quer que continue, pra comunidade continuar plantando nesse modo”, disseram Agostinha Pereira e Ailton Garcia, liderançasda aldeia Jejy-ty, no município de Iguape. Cacique da aldeia Pindo-ty, no município de Pariquera-Açu, Renato da Silva Mariano reforçou: “Nossa agricultura é muito ligada à nossa religião. Por isso nossa agricultura sempre foi pensada de não agredir a natureza, de proteger os rios, as matas, os animais. Quando surgiu o projeto da agrofloresta a gente ficou muito feliz, porque viu conhecimento e sabedoria ali. Era um sistema bastante usado por nós, e que estava sendo implantado por outros também: produzir sem prejudicar a natureza”.



Para a agricultora Isabel Izidoro Cabral Gonçalves, do Quilombo Peropava, município de Registro-SP, “o projeto trouxe conhecimento e também um olhar diferente pra natureza: antes a gente queimava, destruía e cortava as árvores pra plantar. Hoje não tem necessidade de fazer isso. Estamos plantando junto com as árvores. A gente já fez muito pão em nossa padaria artesanal com batata-doce, cenoura e mandioca que saiu da agrofloresta”. Integrante do grupo do bairro Raposa, município de Sete Barras, o produtor José Rodrigues da Cunha também aprovou o sistema agroflorestal. “Trabalho há muito tempo na agricultura e não sabia da importância de plantar árvores junto com as frutas. Plantei muitas frutas, tantas que nem sei o nome. A gente se sente feliz por estar recuperando parte da floresta”.


Ao apresentar os resultados alcançados, o coordenador do “Agroflorestar: Vale do Ribeira”, Artur Dalton Lima, destacou a importância das parcerias - mais de 30 instituições da região apoiaram a execução das atividades com as comunidades - e também ressaltou outros números do projeto: 33 ha de agrofloresta implantados; manejo de mais de 140 ha de sistemas agroflorestais já instalados; mais de 50 mil mudas e sementes e 30 toneladas de composto utilizadas nas novas áreas de agrofloresta; mais de 80 cursos sobre SAFs, 30 intercâmbios e 20 cursos sobre diversos temas promovidos com apoio de parceiros. No total, mais de 480 agricultores/as, quilombolas e indígenas participaram diretamente das ações do projeto e, de forma não frequente, as atividades alcançaram mais de 7.500 pessoas, entre estudantes, professoras/es e público em geral.


O projeto também desenvolveu cinco linhas de pesquisas com foco na quantificação e avaliação dos sistemas agroflorestais ecológicos, a partir de aspectos relacionados à sustentabilidade ambiental, produtiva e social. Coordenaram os trabalhos pesquisadores da Embrapa Florestas, Unesp-Registro, Instituto Florestal/SP e CDRS-Registro/SAA/SP. 












Serviço:

Projeto “Agroflorestar: Vale do Ribeira”


Realização: Cooperafloresta - Associação dos Agricultores Agroflorestais de Barra do Turvo e Adrianópolis –SP/PR

Patrocínio: Petrobras - Programa Petrobras Socioambiental.

Contato Cooperafloresta:



Estrada SP 552/230, km 29,5 – Bairro Bela Vista

Barra do Turvo – SP - CEP: 11955-000

Telefone: (15) 3577-1460