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Carta de apoio às Comunidades Caiçaras do Rio Verde e Grajaúna na Jureia (SP)










O COLETIVO DE EDUCADORES POPULARES DO VALE DO RIBEIRA vem repudiar a criminosa ação de despejo e demolição de casas do Território Tradicional do Rio Verde e Grajaúna, na Jureia, ocorrida no dia quatro de julho de 2019, a mando da Fundação Florestal do Estado de São Paulo sem autorização judicial e manifestar nosso total apoio e solidariedade às famílias atingidas nesta terrível ação do governo João Dória (PSDB), sob o argumento de proteger o meio ambiente.

Carta de apoio às Comunidades Caiçaras do Rio Verde e Grajaúna na Jureia (SP)
Carta de apoio às Comunidades Caiçaras do Rio Verde e Grajaúna na Jureia (SP)

Há pelo menos 33 anos a Secretaria de Meio Ambiente, atualmente Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente (SIMA), através da Fundação Florestal, vem pressionando e assediando os povos caiçaras que vivem na Jureia há cerca de oito gerações, em cima do seu território. Este constante assédio resultou na destruição de casas, mas não de pessoas, das bravas e justas populações caiçaras, ainda que também cause prejuízos culturais, psicológicos e econômicos na vida destas pessoas.

Esta secular resistência obteve finalmente uma vitória judicial no último 12 de julho de 2019, quando o juiz da 1ª Vara Judicial da Comarca de Iguape deferiu o pedido liminar do morador Edmilson e sua família, que tem os requisitos de tradicionalidade necessários para permanência no Território do Rio Verde e Grajaúna, impedindo a Fundação Florestal de continuar a demolição da última casa presente neste território.

Nosso Coletivo reconhece a história dos moradores do território caiçara, em especial com os educadores populares e professores da Jureia, sendo parte desta construção feita de forma conjunta. A rica experiência da Escola Caiçara, conduzida por seus educadores, em parceria com o poder público, é exemplo para o resgate da cultura tradicional através da educação popular no campo ou apenas Educação do Campo.

Sabemos ainda que enquanto as comunidades permaneceram neste território, jamais tiveram práticas que degradassem os recursos naturais ou que tivessem impactos significativos que ameaçasse a fauna e a flora. Pelo contrário, a permanência dos caiçaras neste território é garantia da conservação ambiental, de forma sustentável e planejada, valorizando e perpetuando a imponente cultura caiçara.

No atual contexto de ataques dos governos Municipal, Estadual e Federal, é preciso resistir às investidas que querem separar o povo de seu território e resgatar as práticas de vida e educacionais que possam empoderá-los de forma autônoma, desenvolvendo projetos político-pedagógicos e currículos próprios no resgate da estrutura e dos princípios da Escola Caiçara.

            Viva a Cultura Caiçara! Viva as Comunidades Tradicionais! Viva os Povos Originários!

24 de Julho de 2019

COLETIVO DE EDUCADORES POPULARES DO VALE DO RIBEIRA
APAE – Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais de Cananéia
Associação de Capoeira Nosso Senhor do Bonfim – Filhos de Cananéia
Associação Grupo Cultural Tiduca
Coopercanis – Cooperativa dos Catadores de Materiais Recicláveis de Cananéia
EAACONE – Equipe de Articulação e Assessoria às Comunidades Negras do Vale do Ribeira
Grupo Arte em Retalhos
Grupo Cheiro do Mato – Produtos Artesanais com Plantas Medicinais do Itapitangui
Grupo Cultural São Gonçalo