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FLI - Festival Literário de Iguape foi mais um sucesso







Desde 2013, o FLI - Festival Literário de Iguape existe e se relaciona com as demais cidades do Vale do Ribeira através de oficinas e elegendo uma temática condizente com a realidade regional, com importantes comunidades quilombolas, indígenas e caiçaras que ocupam e dão identidade ao lugar.
FLI - Festival Literário de Iguape foi mais um sucesso
FLI - Festival Literário de Iguape foi mais um sucesso


Nessa 7ª edição, sob o tema “Futuro, Lugar e Memória”, entre os dias 7 e 8 de junho o FLI reuniu dezenas de artistas, de dentro e fora do Vale, debatendo sobre território, ancestralidade e povos tradicionais.
Após uma semana de muita interação com as escolas municipais e estaduais de Iguape, além de oficinas de crônica, poesia e ficção literária em outra cidades, o FLI iniciou sua programação na sexta-feira com um sarau de participação aberta, onde jovens declamaram poemas de autoria própria ou fizeram releituras, apresentaram canções etc.
Seguindo a noite, a atriz e ativista Zezé Motta participou de uma roda de conversa com Geovani Martins e Russo Passapusso, falando sobre carreira e futuro na atual sociedade, exemplificando dificuldades individuais e coletivas que cada um vivenciou até aquele momento, como o estudo interrompido e a vida nas periferias de Geovani Martins e as experiências com racismo e direitos humanos de Passapusso e Motta.


FLI - Festival Literário de Iguape foi mais um sucesso
FLI - Festival Literário de Iguape foi mais um sucesso

Fechando o primeiro dia, Luedji Luna fez todos os muitos presentes levantarem das cadeiras com sua música brasileira e africana.
Sábado começou cedo com o Samba de Roda Nega Duda, na Praça da Basílica, e levou na sequência os presentes para a primeira conversa do dia, no Museu Histórico, com a presença da própria Nega Duda e do indígena Timóteo Verá Popyguá, sobre a prática da literatura como valorização das raízes e da quebra de padrões. Como refletiu a mediadora Bianca Santana:
- “As pessoas são muito intimidadas quanto a escrita. Geralmente elas se sentem desautorizadas a escrever por pessoas que têm maior domínio de regras ou de conhecimento formal. Precisamos entender que escrita é para todos. Todos têm algo para contar. A escrita não pode ficar presa apenas na imagem do homem de terno tradicional. Temos que nos apoderar da escrita e da literatura. Não podemos ser desautorizados pelos outros e perder a confiança em nós mesmos".
Já na tenda do Território da Palavra, Conceição Evaristo falou sobre sua produção de livros, que tocam em temas como educação, gênero, memórias e relações étnicas da sociedade, além analisar e ler trechos de suas obras e contar sua experiência como autora negra e brasileira.
Em seguida, ocorreu a premiação do Concurso Cultural de Redação ‘Prof. Antônio Rochael da Silva Júnior’, iniciativa da Prefeitura de Iguape destinada a incentivar e fortalecer a leitura e criatividade entre os estudantes regularmente matriculados no ensino médio das escolas públicas e privadas de Iguape. Foram contemplados os estudantes Amanda Beatriz Alencar (1º lugar, Escola Eng. Agrônomo Narciso de Medeiros), Igor Augusto dos Santos (2º lugar, Escola Jeremias Jr.) e Agnes Rodrigues de Lima (3º lugar, Escola Eng. Agrônomo Narciso de Medeiros). Os textos relacionados à cultura caiçara premiaram os alunos com R$ 2.500,00 para o primeiro colocado, R$ 1.500,00 para o segundo e R$ 1.000,00 para o terceiro.
Outras duas conversas se seguiram no período da tarde no Museu Histórico, com o tema “Bastidores da Escrevivência”, falando sobre o trabalho de escrita e edição com Islene Motta, Luciana Bento e Maria Mazzarello; e “Futuro, Lugar e Memória”, com Angélica Freitas, Cidinha da Silva, Eda Nagayama e Júlio César da Costa, que debateram sobre memórias, suas e do outro, que refletem em suas obras.
Ao final da noite, a última conversa, com a presença de Ana Maria Gonçalves, Deborah Dornellas, Deivid Domênico e Marcelino Freire, fechou o dia abordando o tema “Histórias que a História Não Conta ou o Avesso do Mesmo Lugar”, onde de forma muito bem humorada refletiram sobre as diferentes perspectivas da nossa história e como interferem diretamente sobre nossas vidas e de quem somos.
As conversas do FLI tiveram a mediação da jornalista e escritora Bianca Santana.
Paralelamente à programação principal, aconteceram atrações como contação de histórias para crianças e sessões de autógrafos com participantes das conversas.
O Grupo Cultural Batucajé do Vale fez intervenções artísticas durante os dois dias do evento, a partir do livro “Futuro e Memória”, que reuniu textos dos escritores das cidades de iguape, Cajati, Cananeia, Eldorado, Itaoca, Registro e Ribeira, que participaram das oficinas do FLI.
Por fim, encerrando a noite e o evento no sábado, o grupo Nação Zumbi levantou o grande público com seus maiores sucessos.
O Festival Literário de Iguape é uma realização da Prefeitura Municipal e do Governo do Estado, através das Oficinas Culturais da Secretaria Estadual de Cultura e Economia Criativa, gerenciadas pela Poiesis.