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Projeto inicia plantio agroflorestal em aldeia guarani do Vale do Ribeira






Em sistema de mutirão, agricultores/as familiares e quilombolas da Cooperafloresta se unem a comunidades indígenas para implantar áreas de agrofloresta.

Projeto inicia plantio agroflorestal em aldeia guarani do Vale do Ribeira
Projeto inicia plantio agroflorestal em aldeia guarani do Vale do Ribeira


Um encontro entre saberes e fazeres tradicionais. Assim podem ser definidas as atividades que têm reunido indígenas Guarani-Mbyá do Vale do Ribeira e agricultores/as familiares e quilombolas associados à Cooperafloresta, a Associação dos Agricultores Agroflorestais de Barra do Turvo/SP e Adrianópolis/PR. 

Lado a lado, seja em intercâmbios, vivências ou em mutirões agroflorestais, eles estão partilhando histórias, conhecimentos e práticas tradicionais, buscando diversificar a produção de alimentos e também fortalecer a luta em defesa de seus territórios e dos modos de vida tradicionais.

A próxima atividade programada entre comunidades indígenas e agricultores/as e quilombolas será realizada no dia 10 de maio, quando integrantes das aldeias Pindo-ty, de Pariquera-Açu, e Takuari-ty, de Cananéia, farão uma visita para conhecer áreas com agroflorestas já implantadas por famílias associadas à Cooperafloresta, no município de Barra do Turvo. Depois, será a vez de um grupo de agricultores/as da Cooperafloresta conhecer essas aldeias, para início de um trabalho conjunto.

Essa dinâmica de visitas, intercâmbios e trabalho em mutirão já envolveu também as aldeias Jejy-ty e Itapuã, ambas inseridas na Terra Indígena Ka´Aguy Hovy, no município de Iguape. Na Jejy-ty ocorreu o mais recente encontro entre essas comunidades tradicionais: em sistema de mutirão e junto com técnicos parceiros da Cooperafloresta, eles prepararam o solo e iniciaram o plantio de uma área de agrofloresta. Todas essas ações fazem parte do Projeto “Agroflorestar: Vale do Ribeira”, realizado pela Cooperafloresta e patrocinado pela Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental.

 Inspirado na Natureza, esse modo de produção em agrofloresta alia o cultivo agrícola e florestal, combinando no mesmo espaço diversas espécies de árvores com hortaliças, tubérculos, raízes, cereais, grãos e frutíferas. Na aldeia Jejy-ty, por exemplo, foram feitas diferentes combinações, como mandioca com juçara, alface, couve, salsinha, repolho e cebolinha com inhame, batata-doce, açafrão e gengibre, além do plantio de mudas de abacate, abacaxi, café, batata, adubo verde...

“O tempo de crescimento, o espaçamento e a altura das plantas são diferentes, mas na agrofloresta as plantas fazem amizade uma com a outra, uma ajuda a outra a se desenvolver”, explicou o agricultor Sezefredo Gonçalves da Cruz, da Cooperafloresta.  “A gente já faz um tipo de agrofloresta, mas não encontra o ponto de melhoramento do plantio. Montando essa área com a experiência deles, vai melhorar muito pra nossa comunidade”, reforçou Ailton Garcia, liderança da aldeia.

Agostinha Pereira, cacique da Jejy-ty, espera que mais mutirões aconteçam junto com agricultores/as da Cooperafloresta. “É bom a gente trabalhar unido, fazer esse serviço entre grupos pra ter mais alimento na comunidade. Com esse sistema de plantar alimento junto com árvore a gente aproveita mais a terra, pode colocar outros tipos de alimento junto com a mandioca, batata-doce, milho e amendoim que a gente já planta. O que sobrar, a gente pode vender na feira ou até junto com a cooperativa”, comentou. 

Professor e vice-diretor da Escola Estadual Indígena da aldeia Itapuã, João Lira valorizou o mutirão e a parceria com a Cooperafloresta e também espera que a prática agroflorestal se multiplique na região, envolvendo as comunidades na produção do próprio alimento. Ele explica que as aldeias sofrem pressões e limitações pelo fato de ainda não terem suas terras demarcadas. “Sem demarcação, somos impedidos de ter nossa prática tradicional de cultivo, a coivara. Mas com a agrofloresta podemos aproveitar melhor o pouco espaço que temos pra cultivar, colocando mais plantas numa mesma área e assim conseguir uma alimentação mais diversificada”.

Projeto inicia plantio agroflorestal em aldeia guarani do Vale do Ribeira
Projeto inicia plantio agroflorestal em aldeia guarani do Vale do Ribeira


Metodologia

A proposta de cultivar alimentos no sistema agroflorestal está sendo discutida com comunidades indígenas do Vale do Ribeira seguindo a metodologia de implantação das agroflorestas que tem sido usada pelo Projeto “Agroflorestar: Vale do Ribeira” em outras áreas e municípios da região. Antes do mutirão na Jejy-ty, por exemplo, foram realizadas conversas junto com lideranças guarani das aldeias de Iguape para apresentação da proposta. Depois, ocorreu o intercâmbio em que representantes das aldeias conheceram sistemas agroflorestais já implantados, no município de Barra do Turvo, onde fica a sede da Cooperafloresta.  Após o intercâmbio, foi a vez de um grupo de agricultores/as e quilombolas da Cooperafloresta visitar a aldeia Jejy-ty, ocasião em que conheceram a história da comunidade e percorreram pequenas áreas aptas ao cultivo agroflorestal. Também discutiram a organização do mutirão, do plantio, a definição das espécies florestais e agrícolas de interesse, entre outros encaminhamentos.

Além das equipes da Cooperafloresta e das aldeias vizinhas, o dia do mutirão na Jejy-ty contou com o trabalho de pesquisadores e técnicos voluntários, e extensionistas da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do estado de São Paulo. Em visita à aldeia, integrantes do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) também se juntaram ao mutirão.













Serviço:

Projeto “Agroflorestar: Vale do Ribeira”
Realização: Cooperafloresta - Associação dos Agricultores Agroflorestais de Barra do Turvo e Adrianópolis –SP/PR
Patrocínio: Petrobras - Programa Petrobras Socioambiental.
Contato:

Cooperafloresta:
Estrada SP 552/230, km 29,5 – Bairro Bela Vista
Barra do Turvo – SP - CEP: 11955-000
Telefone: (15) 3577-1460