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Carpe diem







Desculpem-me os leitores por começar com um título diferente. É que andei recordando a vida de ginasiano antigo e lembrei-me de quanto sofríamos no estudo da chamada língua morta, o Latim. 


Carpe diem
Carpe diem



A professora era rigorosa e só ouso abordar o assunto porque Marta, minha esposa, sabe decor até hoje o texto inicial do ‘Commentarii de bello gallico’ (“Gallia est divisa in omnia partis quae una incolunt Celtae” ), obra clássica com a descrição das conquistas militares romanas na Gália, escrito pelo primeiro imperador romano Caio Július César ( 100 aC – 44 aC ). O livro escolar adotado ( José Cretella Jr. ) era todo anotado a lápis, pois tínhamos que saber as declinações e tantas outras particularidades gramaticais. 


Cito a passagem escolar motivado pela lembrança de uma frase do poeta romano Horácio que ficou famosa, a expressão latina ‘Carpe diem’. Significa ‘aproveite o dia’, ou seja, ‘ viva o presente, dê sentido à vida’. Foi inserida no excelente filme ( 1989 ) “A Sociedade dos Poetas Mortos” pelo professor John Keating e usada para incentivar os seus alunos a aproveitarem a vida e buscarem a felicidade. É uma belíssima inspiração para a atualidade que vivemos. 


Outros autores, mesmo sem usar a expressão, defenderam o ‘Carpe diem’ ao longo das suas obras e inspiram aproveitar melhor cada hora, cada dia. Albert Camus, autor francês nascido na Argélia e Prêmio Nobel da Literatura, afirmou “A verdadeira generosidade para com o futuro consiste em dar tudo ao presente.” Referiu-se ao nosso trabalho individual, incansável, de efeito benéfico e amplo, doado a si e a todos os semelhantes contemporâneos. 


A época natalina que vivemos favorece o ‘Carpe diem’ bem aplicado no sentido amplo, menos egoístico, mais humanizado. Ultrapassa o conceito comum e dá sentido à vida. Será que entendi a lição em Latim? 


Quanta esperança tinha a professora, lá em Leme-SP, diante do aluno simples e ignorante...
Francisco Habermann
Francisco Habermann