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Cérebro Triúno






Pode parecer engraçado, mas os músicos, poetas e artistas já sabem o que os cientistas tanto procuram em nosso cérebro. Penso que os políticos também..

Cérebro Triúno
Cérebro Triúno


Refiro-me aos segredos da nossa cachola – que os estudiosos chamam de encéfalo - essa máquina de evolução milenar que hoje nos domina ou nos engana no dia-a-dia. Percebemos essas nuances quando focamos nossos hábitos, por exemplo. 

Hábito é algo interessante e até intrigante. A gente os tem, cultiva-os e nem os percebemos. Ficam tão arraigados em nossa rotina diária que a vida só nos parece boa se nada mudar no cotidiano. Caso mude, vem a crise e sofrimentos. O que não valorizamos são os ensinamentos advindos dessas crises. Aprendemos ( ou não ) com as mudanças. É nesse ponto que queria chegar. 

O assunto hábito tem tudo a ver com a neurofisiologia cerebral nossa, considerada desde os primórdios da evolução dos organismos vivos aqui na Terra. Vale recordar que a estrutura encefálica vem evoluindo desde o unicelular. Considerando os milhões de anos dessa trajetória orgânica, foram nas crises e nas modificações da rotina existencial que as alterações dos circuitos cerebrais propiciaram as necessárias modificações de hábitos. 

Estudiosos da evolução histórica desta máquina dizem que ela tem três andares: o reptiliano ( mais antigo, instintivo – no tronco encefálico ), representando o passado; o intermediário, racional, cortical, representando o presente; e o lobo frontal – fonte superior de idealismo elevado, representando nosso futuro. Visão particularíssima sobre esse assunto é abordada no livro ‘O cérebro triúno’ dos professores Irvênia L.S. Prada, Décio Iandoli Jr e Sérgio L.S. Lopes ( AME Editora, SP,2018, 561 páginas ). Outros aspectos correlatos serão tratados no XV Congresso de Saúde e Espiritualidade, nos dias 10 ( sábado ) e 11 ( domingo ) próximos, no Salão Nobre da Faculdade de Medicina de Botucatu – UNESP ( www.inscricoes.fmb.unesp.br ). 

Nossos circuitos cerebrais necessitam serem religados aos andares superiores urgentemente. Os poetas e artistas do belo e superior já fazem isso com o pensamento. Fernando Pessoa ( na voz de Alberto Caeiro ) já dizia há muito tempo ( ‘Guardador de Rebanhos’): 

“Sou um guardador de rebanhos, / O rebanho é os meus pensamentos...” 
No Brasil de hoje, o tema sugere uma bela reflexão!
Francisco Habermann
Francisco Habermann