Últimas Notícias

Pesquisadores do IB ministram palestras durante o XXVII Congresso Brasileiro de Entomologia, em Gramado





Formigas urbanas, nematoides entomopatogênicos, produção de hortaliças com menos agroquímicos e mortalidade das abelhas serão temas discutidos por pesquisadores do Instituto Biológico (IB-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, durante o XXVII Congresso Brasileiro de Entomologia. 

 Pesquisadores do IB ministram palestras durante o XXVII Congresso Brasileiro de Entomologia, em Gramado
 Pesquisadores do IB ministram palestras durante o XXVII Congresso Brasileiro de Entomologia, em Gramado



Exposição Planeta Inseto do Instituto será uma das atrações do evento


O evento, que será realizado de 2 a 6 de setembro de 2018, em Gramado, Rio Grande do Sul, tem a expectativa de reunir mais de dois mil participantes entre pesquisadores, professores, profissionais do agronegócio, consultores, produtores e estudantes de graduação e pós-graduação.

Além da participação de pesquisadores com a apresentação de palestra, o Instituto levará para o congresso a exposição Planeta Inseto – único zoológico de insetos do Brasil. A mostra é mantida pelo IB em São Paulo, Capital, mas já esteve em sua versão itinerante em outras duas edições do Congresso Brasileiro de Entomologia. “A exposição de São Paulo do Planeta Inseto já chegou a marca de 200 mil visitantes, porém, temos a versão itinerante que roda o país para ensinar a importância dos insetos e sua presença no cotidiano. Já estivemos em dez cidades, quatro estados e atendemos em torno de 50 mil pessoas”, afirma Harumi Hojo, pesquisadora do IB.





Segundo Harumi, participar do Congresso de Entomologia é importante, pois o público está diretamente ligado ao tema da mostra. “Além disso, podemos levar para o congresso um pouco das pesquisas desenvolvidas pelo IB em um formato mais lúdico e divertido”, afirma.

O público poderá conhecer as 27 atrações do Planeta Inseto, como baratas praticando corrida, lagartas tecendo fios de seda, formigas trabalhando em sistema organizado e o bicho-pau, que se assemelha a gravetos. Serão exibidos ainda vídeos sobre as abelhas sem ferrão e a importância dos polinizadores para a produção de alimentos. As visitas serão acompanhadas por educadores treinados e os visitantes – se quiserem – poderão pegar e interagir com alguns insetos, como a Barata de Madagascar e o bicho-pau. Está prevista a visitação de escolas no local.

Confira as palestras que serão apresentadas pelos pesquisadores do IB durante o XXVII Congresso Brasileiro de Entomologia:


Formigas-urbanas em laboratório de pesquisas


A pesquisadora do Instituto Biológico, Ana Eugênia de Carvalho Campos, proferirá a palestra “Formigas-urbanas em laboratórios de pesquisa e plantas de produção de insumos animais: problemas relacionados ao manejo”, em 3 de setembro, às 15h, na sala Cipreste. O objetivo é abordar as medidas para prevenir e controlar a ocorrência de formigas em laboratórios de pesquisa, que podem contaminar a produção de vacinas e antídotos.

“Nos laboratórios de pesquisa pode ocorrer às mesmas espécies que estão no ambiente urbano. As formigas causam contaminação porque são vetores mecânicos de patógenos, ou seja, podem veicular bactérias e fungos ao passar por equipamentos e utensílios de laboratórios que são limpos e esterilizados e os contaminar”, afirma. Segundo a pesquisadora, as formigas também podem atacar outros insetos utilizados nos laboratórios para alimentação de animais como cobras e escorpiões, usados na produção de soro.

Para resolver o problema é possível criar barreiras físicas, fazendo camadas largas de fita dupla face nos pés de mesas e cadeiras, afastar mesas e bancadas da parede e utilizar iscas com inseticida adequado para aquela espécie específica. “As formigas muitas vezes passam despercebidas, as pessoas não dão bola, porém, é necessário que os profissionais dos laboratórios fiquem atentos e utilizem essas barreiras físicas para evitar a ocorrência. Quando a contaminação já existe, é importante entrar em contato com um especialista ou empresa de controle de pragas urbanas para fornecer a isca adequada para controlar, senão o problema não é resolvido”, afirma Ana Eugênia.

Sistema reduz em 90% uso de defensivos agrícolas na horticultura

As barreiras físicas usadas para evitar ocorrência de pragas e doenças na agricultura também será tema de debate durante o Congresso de Entomologia. O pesquisador do IB, Fernando Javier Sanhueza Salas, participará da discussão, apresentando a palestra “Agrotêxtil: uma nova realidade na agricultura brasileira”, em 4 de setembro, às 15h, no auditório 2.

Pesquisa desenvolvida pelo IB mostrou que o uso do agrotêxtil – uma cobertura de tecido derivado do polipropileno, que pode ser reciclável – reduz em 90% o uso de defensivos agrícolas no cultivo do repolho e em 70% no de tomate. “Isso ocorre porque o tecido impede a entrada de insetos que atacam o cultivo, principalmente de hortaliças e hortifrútis, funcionando como uma barreira física”, explica o pesquisador.

Os testes com o agrotêxtil foram realizados na Bahia e em Mogi das Cruzes, em São Paulo, principal região de cultivo de hortaliças do Brasil. O Instituto também realiza testes do produto na região da Chapada da Diamantina, para cultivo de batata-semente. Os trabalhos foram desenvolvidos pelo IB em parceria com o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae-SP) e a empresa Fênixnet.

Nematoides entomopatogênicos (NEPs)

O pesquisador do Instituto Biológico, Luís Garrigós Leite, ministrará a palestra “Nematoides entomopatogênicos: potencial de uso e segurança para o meio ambiente”, em 3 de setembro, às 10h, na Sala Araucária. Esses nematoides são utilizados no controle de certos tipos de praga na agricultura. Leite apresentará o histórico das pesquisas com os nematoides entomopatogênicos e os estudos atuais na área.

De acordo com o pesquisador, o IB, diversas universidades e instituições de pesquisa vêm priorizando trabalhos voltados a produção “in vitro” e testes em campo. “Os nematoides entomopatogênicos vêm apresentando potencial para o controle de diversas pragas de solo em cana-de-açúcar. Para a produção desses nematoides in vitro é necessária a produção inicial de uma bactéria da qual os NEPs se alimentam. Essas bactérias vêm sendo estudadas mundialmente, apresentando potencial para uso como fungicidas, nematicidas e repelentes de insetos”, afirma.

Simpósio de Polinizadores

A pesquisadora do Instituto Biológico (IB-APTA), Érica Weintein Teixeira, participará do Simpósio de Polinizadores ministrando a palestra “Enfraquecimento, perdas e mortalidade em massa de colônias de Apis mellifera no mundo e no Brasil”, que ocorrerá em 4 de setembro, às 15h, no auditório 3. Érica debaterá com outros especialistas as principais causas de perda de enxames de abelhas no território nacional, suas consequências, estratégias e direcionamentos da pesquisa para mitigar as perdas das colônias Apis mellifera.

De acordo com a pesquisadora, pesquisas têm sido conduzidas no mundo todo com o objetivo de explicar a natureza multifatorial do fenômeno que vem afetando as abelhas, levando a mortalidade e declínio de populações desses insetos.A APTA realiza estudos na área desde 2006 e mantém o único laboratório de sanidade apícola do Brasil, chamado Laboratório Especializado de Sanidade Apícola (LASA).

Além de a atividade apícola gerar produtos como mel, pólen, própolis, geleia real e cera, as abelhas são consideradas os principais agentes polinizadores em ambientes naturais e agrícolas. “Esse serviço ecossistêmico é considerado essencial para a manutenção das populações selvagens de plantas e imprescindível para a produção de alguns alimentos como maçã e melão, por exemplo”, afirma a pesquisadora.

Segundo Érica, não são apenas as abelhas malíferas as afetados pelo fenômeno de enfraquecimento e declínio atualmente constatado, mas os polinizadores de maneira geral, incluindo as abelhas silvestres, também expostas a gama de fatores estressantes. “Evitar tais perdas significa garantir que esses insetos exerçam sua importante função ecológica e econômica, já que são responsáveis por pelo menos 33% da produção mundial de alimentos e 30% da produção brasileira, que perfaz as cifras de US$ 45 bilhões no Brasil”, explica.

O Simpósio será dividido em três blocos, com os temas: a importância das abelhas nos ambientais naturais e agrícolas, perdas de abelhas e suas causas e políticas públicas visando a proteção das abelhas. Subsequentemente à palestra a pesquisadora apresentará dois trabalhos com resultados recentes dos achados da APTA nesta área da ciência.

Por Fernanda Domiciano

Assessoria de Imprensa – APTA