Últimas Notícias

O problema do Valo Grande em Iguape

O problema do Valo Grande em Iguape

O Valo Grande, em Iguape no litoral sul de São Paulo, é um problema que se arrasta desde a sua construção. Hoje o desague das águas do Canal do Valo Grande direto no estuário tem causado grandes consequências diretas para a fauna e flora de todo um ecossistema, alterando a ciclagem biogeoquímica dos nutrientes e também a salinidade, em função da maior descarga de água doce no Sistema do Complexo. 

O Valo ainda permitiu a descarga de metais pesados vindos de antigas mineradoras já existentes no Rio Ribeira para dentro do estuário

Dentre todas as alterações causada com a fauna e flora, estudamos a influência do Valo Grande sobre a distribuição do boto-cinza (Sotalia guianensis) dentro do Complexo Estuarino Lagunar de Cananéia.






Através de modelos estatísticos verifiquei que a vazão diária do Valo Grande está correlaciona de maneira negativa com a distribuição dos botos na região. 

Além desses modelos descritivos, também realizados um modelo preditivo que, como o próprio nome já diz, prevê alguma situação. 

Nele prevemos a distribuição dos botos considerando a vazão máxima, média e nula do Valo. Com isso constatamos que nas áreas mais próximas ao Valo Grande a distribuição dos botos cinza pode aumentar em até 4 vezes quando a vazão do Valo é nula, ou seja o Valo fechado.

Muitos ainda argumentam que o fechamento do Valo Grande acarretará enchentes nas várzeas. No entanto, mesmo com o Valo Grande aberto tivemos enchentes na região, como já podemos presenciar por alguns anos.

Temos que pensar que se o Valo continuar aberto alterando todo um ecossistema a perda de espécies de fauna e flora em determinadas regiões do estuário terá um valor inestimado, muitas vezes sem possibilidade de recuperação.


Daniela Ferro de Godoy é Doutora em Ecologia (UFJF) e Pesquisadora do Instituto de Pesquisas Cananeia - IPeC.