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LIÇÃO DE CARINHO

LIÇÃO DE CARINHO


Estudos modernos indicam música como remédio. Na medicina – em suas múltiplas aplicações - cada vez mais se estudam os efeitos produzidos pela música nos circuitos cerebrais que promovem relaxamento e redução da dor. 

Francisco Habermann é professor da Faculdade de Medicina da Unesp de Botucatu
Francisco Habermann
Isso é de interesse imediato dos médicos e de hospitais. Algumas instituições hospitalares já possuem esquemas de avaliação dos efeitos benéficos do uso de música selecionada desde a sala de espera até nas salas de procedimentos. 

A música, dizem, “possibilita um caminho mais afetuoso entre o profissional de saúde e o paciente. Isso colabora para a humanização do cuidado.”

Outro aspecto é a necessidade do silêncio, tanto ambiental como o mental. A música contribui para a disciplina mental de todos e exige, previamente, silêncio no ambiente. Isso é benéfico tanto para o paciente como para a equipe de saúde. 

O ruído, claro, é lesivo. As observações assinaladas aqui valem para o homem e para os animais. Há ainda estudos sobre os efeitos nas plantas.









A propósito, tive na semana passada uma verdadeira aula na sala de emergência do Hospital Veterinário da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia – UNESP, daqui de Botucatu. Fui acompanhar a Estrela, uma Labradora mestiça muito carinhosa que necessitava de cuidados. Na sala daquele renomado hospital universitário vi mais quatro outros animais sendo medicados e controlados com muita dedicação pelos médicos veterinários de plantão. 

O que me chamou a atenção foi uma música bem suave que vinha lá do fundo da sala. Como não via nenhum aparelho eletrônico, aproximei-me da acompanhante de um cãozinho ofegante, todo agasalhado sobre a maca forrada. 

Percebi que o som vinha da bolsa da senhora que o acompanhava. Ela me explicou: “ele gosta da música de Beethoven, e só as dele”. Disse-me que o cão chegava a se irritar com outros compositores. Beethoven o acalmava sempre. Fiquei encantado com a revelação. Mas vi mais naquela sala de socorro.

Vi o quanto de carinho especial cada acompanhante dedicava aos seus animais de estimação, não arredando pé junto deles, num plantão de acompanhantes nem sempre visto nas enfermarias de humanos adultos que frequento há mais de cinquenta anos.

Foi ali, para mim, uma lição da música da vida ensinada com amor.


Francisco Habermann é professor da Faculdade de Medicina da Unesp de Botucatu. Contato: fhaber@uol.com.br


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