29 de junho de 2017

Nome Social e Outras Ações: Direito à Dignidade

,
Nome Social e Outras Ações: Direito à Dignidade


A Unesp aprovou, no Conselho Universitário de 29 de junho, Resolução, pioneira em diversos aspectos, que assegura a inclusão, quando requerida por docentes, servidores e discentes, do nome social de travestis e transexuais, para fins de adequação de gênero, nos registros funcionais e acadêmicos da Universidade.

Entre os atributos que definem o perfil de identidade há o sexo e o   gênero. O sexo é um atributo biológico dado pela genética, e se classifica em masculino, feminino e intersexo. O gênero tem escopo pscico-social, e representa como nos reconhecemos e como somos reconhecidos. Há uma associação cultural padrão entre sexo e gênero. Entretanto, não são para todos que o sexo corresponde a associação padrão de gênero. Tais indivíduos são assim denominados transgêneros. Travestis e transexuais são transgêneros  no qual o sexo é o oposto ao gênero vivenciado.

Os nomes na nossa cultura possuem binaridade de gênero. Ele é atribuído no nascimento, com o pleno conhecimento do sexo, e não pode ser legalmente mudado, mesmo havendo uma discrepância no gênero esperado para o sexo. Por representar um elemento de grande destaque de gênero, o nome civil constitui um profundo sofrimento para os travestis e transexuais. 









O nome é a nossa primeira identidade. A primeira apresentação e o que nos diferencia em público. E ter um nome que não condiz com seu gênero é muito difícil no dia a dia dos travestis e transexuais. O nome civil representa uma pessoa que ela não é mais. Além disto, para um travesti ou transexual, o nome civil original remete a uma época de intenso conflito interno. Por tudo isto, ser chamado pelo nome civil, para um travesti ou transexual, pode ser entendido como uma espécie de violência. Da mesma forma, ser obrigado a escrever ou pronunciar o nome civil, é para o travesti ou transexual, uma auto agressão.

Além da parte psicológica, na parte social, para um travesti ou transexual é vexatório ser chamado pelo nome civil em público. Fica destacado para todos que se trata de um travesti ou transexual. E por conta desta, e outros tipos de humilhações e violência, os travestis e transexuais têm quatro vezes mais chances de desenvolver depressão e dez vezes mais de ideação suicida. No destaque do nome civil de travestis e transexuais em público, estamos dando oportunidade  e talvez incentivando a acontecerem outras agressões contra eles. E há possibilidade de estarmos dando um alvo para pessoas que são violentas contra as minorias.

Com isto, o nome social é uma questão de dignidade humana. Portanto, hoje há legislações referente ao nome social por todo país. É algo simples, porém de suma importância para que travestis e transexuais possam existir em espaços públicos, sendo reconhecidos pelo gênero que se reconhecem. Além disto, a adoção do nome social não traz nenhum prejuízo institucional ou à terceiros, não cria privilégios.

Na universidade, o nome social pode representar uma importante condição de permanência estudantil, pois eles passarão a se sentir respeitados, como iguais. Formar travestis e transexuais em nossa universidade, dando-os a oportunidade de entrar no mercado e na academia, ajudará a mudar a forma negativa que são vistos na sociedade, combatendo o preconceito. Logo, a implementação do nome social, como a UNESP passa agora a dar como direito, é uma resposta que podemos dar contra o preconceito, não só na universidade, bem como na sociedade.

Internamente, a adoção do nome social, transparecesse aos funcionários, professores e alunos que recebemos e respeitamos travestis e transexuais a sua orientação de gênero. Ou seja, que eles também têm espaço na universidade, como qualquer outro cidadão. De certa forma, mostrar a todos que o travestis e transexuais têm direito ao nome social, também é uma forma pedagógica de se chamar a atenção para a transgeneridade na universidade, suscitar o assunto e assim erradicar o preconceito.

Porém, há outros aspectos que envolvem os travestis e transexuais no ambiente universitário em que a UNESP pode contribuir e servir de exemplo para outras instituições.

É importante o levantamento da população transgênera na UNESP, como forma de dirigir políticas que se fizerem necessárias. Campanhas de esclarecimento sistemáticas, sobre estas e outras minorias, seriam a melhor forma de contribuir com a erradicação da violência. A segunda mais frequente doença entre travestis e transexuais se refere ao trato urinário, principalmente devido a situações vexatórias e violência. O uso do banheiro de acordo com sua orientação de gênero significa o direito de travestis e transexuais de existirem em espaços públicos. Ações de esclarecimento neste tema são fundamentais na convivência de travestis e transexuais na UNESP.  No fundo, bastaria adotar e divulgar a Resolução Federal 12 de 16 de janeiro de 2015, que dá direito ao uso do banheiro de acordo com a identidade de gênero em todas as instituições de ensino.

No papel econômico-social, cerca de 90% dos travestis e transexuais são expulsos de casa, assim, mesmo alguns alunos que tenham família abastada podem ter sido expulsos e assim necessitar de apoio, da mesma forma que os outros alunos que necessitam de assistência.

Como travestis e transexuais são vítimas de violência, basta lembrar que 85% não terminam o ensino médio, seria importante ter em todas unidade um professor ou funcionário treinado que pudesse exercer papel de tutor. Este tutor faria o acolhimento, colocaria a UNESP como ambiente seguro e receberia eventuais problemas de discriminação e violência. Por fim, políticas voltadas a minoria tem de ser integradas, neste ponto sugiro a criação de uma espécie de Núcleo de Pesquisa e Extensão, similar ao que é feito em outras universidades. Este Núcleo deve ser integrados aos coletivos e outras organizações estudantis. Tendo em vista da forma como a violência vem aumentando, não somente contra transgêneros, seria interessante que houvesse uma espécie de centro de atendimento à vítimas de violência.

Atualmente, travestis e transexuais, assim como outras minorias, têm chegado a Universidade, e as instituições de ensino, secretarias e dirigentes de ensino vêm desenvolvido políticas para adaptar as instituições para esta população. Estas políticas visam terminar a violência e discriminação. Integram os travestis e transgêneros no ambiente social, dando-os perspectivas além da situação marginalizada que vinham sendo inexoravelmente.

O reconhecimento do nome social pela UNESP é um grande marco em  reconhecimento aos direitos humanos. A implementação do nome social mostra que a Universidade não aceita a discriminação e que está atenta às minorias.
Entre os atributos que definem o perfil de identidade há o sexo e o   gênero. O sexo é um atributo biológico dado pela genética, e se classifica em masculino, feminino e intersexo. O gênero tem escopo pscico-social, e representa como nos reconhecemos e como somos reconhecidos. Há uma associação cultural padrão entre sexo e gênero. Entretanto, não são para todos que o sexo corresponde a associação padrão de gênero. Tais indivíduos são assim denominados transgêneros. Travestis e transexuais são transgêneros  no qual o sexo é o oposto ao gênero vivenciado.

Os nomes na nossa cultura possuem binaridade de gênero. Ele é atribuído no nascimento, com o pleno conhecimento do sexo, e não pode ser legalmente mudado, mesmo havendo uma discrepância no gênero esperado para o sexo. Por representar um elemento de grande destaque de gênero, o nome civil constitui um profundo sofrimento para os travestis e transexuais.

O nome é a nossa primeira identidade. A primeira apresentação e o que nos diferencia em público. E ter um nome que não condiz com seu gênero é muito difícil no dia a dia dos travestis e transexuais. O nome civil representa uma pessoa que ela não é mais. Além disto, para um travesti ou transexual, o nome civil original remete a uma época de intenso conflito interno. Por tudo isto, ser chamado pelo nome civil, para um travesti ou transexual, pode ser entendido como uma espécie de violência. Da mesma forma, ser obrigado a escrever ou pronunciar o nome civil, é para o travesti ou transexual, uma auto agressão.

Além da parte psicológica, na parte social, para um travesti ou transexual é vexatório ser chamado pelo nome civil em público. Fica destacado para todos que se trata de um travesti ou transexual. E por conta desta, e outros tipos de humilhações e violência, os travestis e transexuais têm quatro vezes mais chances de desenvolver depressão e dez vezes mais de ideação suicida. No destaque do nome civil de travestis e transexuais em público, estamos dando oportunidade  e talvez incentivando a acontecerem outras agressões contra eles. E há possibilidade de estarmos dando um alvo para pessoas que são violentas contra as minorias.

Com isto, o nome social é uma questão de dignidade humana. Portanto, hoje há legislações referente ao nome social por todo país. É algo simples, porém de suma importância para que travestis e transexuais possam existir em espaços públicos, sendo reconhecidos pelo gênero que se reconhecem. Além disto, a adoção do nome social não traz nenhum prejuízo institucional ou à terceiros, não cria privilégios.

Na universidade, o nome social pode representar uma importante condição de permanência estudantil, pois eles passarão a se sentir respeitados, como iguais. Formar travestis e transexuais em nossa universidade, dando-os a oportunidade de entrar no mercado e na academia, ajudará a mudar a forma negativa que são vistos na sociedade, combatendo o preconceito. Logo, a implementação do nome social, como a UNESP passa agora a dar como direito, é uma resposta que podemos dar contra o preconceito, não só na universidade, bem como na sociedade.

Internamente, a adoção do nome social, transparecesse aos funcionários, professores e alunos que recebemos e respeitamos travestis e transexuais a sua orientação de gênero. Ou seja, que eles também têm espaço na universidade, como qualquer outro cidadão. De certa forma, mostrar a todos que o travestis e transexuais têm direito ao nome social, também é uma forma pedagógica de se chamar a atenção para a transgeneridade na universidade, suscitar o assunto e assim erradicar o preconceito.

Porém, há outros aspectos que envolvem os travestis e transexuais no ambiente universitário em que a UNESP pode contribuir e servir de exemplo para outras instituições.

É importante o levantamento da população transgênera na UNESP, como forma de dirigir políticas que se fizerem necessárias. Campanhas de esclarecimento sistemáticas, sobre estas e outras minorias, seriam a melhor forma de contribuir com a erradicação da violência. A segunda mais frequente doença entre travestis e transexuais se refere ao trato urinário, principalmente devido a situações vexatórias e violência. O uso do banheiro de acordo com sua orientação de gênero significa o direito de travestis e transexuais de existirem em espaços públicos. Ações de esclarecimento neste tema são fundamentais na convivência de travestis e transexuais na UNESP.  No fundo, bastaria adotar e divulgar a Resolução Federal 12 de 16 de janeiro de 2015, que dá direito ao uso do banheiro de acordo com a identidade de gênero em todas as instituições de ensino.

No papel econômico-social, cerca de 90% dos travestis e transexuais são expulsos de casa, assim, mesmo alguns alunos que tenham família abastada podem ter sido expulsos e assim necessitar de apoio, da mesma forma que os outros alunos que necessitam de assistência.

Como travestis e transexuais são vítimas de violência, basta lembrar que 85% não terminam o ensino médio, seria importante ter em todas unidade um professor ou funcionário treinado que pudesse exercer papel de tutor. Este tutor faria o acolhimento, colocaria a UNESP como ambiente seguro e receberia eventuais problemas de discriminação e violência. Por fim, políticas voltadas a minoria tem de ser integradas, neste ponto sugero a criação de uma espécie de Núcleo de Pesquisa e Extensão, similar ao que é feito em outras universidades. Este Núcleo deve ser integrados aos coletivos e outras organizações estudantis. Tendo em vista da forma como a violência vem aumentando, não somente contra transgêneros, seria interessante que houvesse uma espécie de centro de atendimento à vítimas de violência.

Atualmente, travestis e transexuais, assim como outras minorias, têm chegado a Universidade, e as instituições de ensino, secretarias e dirigentes de ensino vêm desenvolvido políticas para adaptar as instituições para esta população. Estas políticas visam terminar a violência e discriminação. Integram os travestis e transgêneros no ambiente social, dando-os perspectivas além da situação marginalizada que vinham sendo inexoravelmente.

O reconhecimento do nome social pela UNESP é um grande marco em  reconhecimento aos direitos humanos. A implementação do nome social mostra que a Universidade não aceita a discriminação e que está atenta às minorias.










Daniela Cardozo Mourão é docente da Faculdade de Engenharia da Unesp de Guaratinguetá.
Comentários
0 Comentários
0 comentários to “Nome Social e Outras Ações: Direito à Dignidade”

Postar um comentário


Seu comentário é sempre bem vindo!

Comente, opine, se expresse! este espaço é seu!

Comentário Anônimo, sem nome e email , não será publicado.

Se quiser fazer contato por email, utilize o Formulário para contato

Espero que tenha gostado do Site e que volte sempre!

in-article

Mobile

addthis

Consorcio na Valenautico

Contato (13) 3821-6148

Manutenção de celulares - Técnico de Informática

20 Mega de Internet

20 Mega de Internet na Infovale

Clique na imagem

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
 

O Vale do Ribeira Copyright © 2011 | Design by: [ Camilo Aparecido Almeida ] | Movido a: [ Blogger ]