6 de junho de 2017

As eleições no estado do México

,
As eleições no estado do México


Ocorreram, em 4 de junho de 2017, eleições para governador do estado do México. O processo recebeu grande atenção doméstica e internacional pelo nível de combatividade dos dois candidatos que apareciam à frente nas pesquisas: Alfredo Del Mazo, do Partido Revolucionário Institucional (PRI), o mesmo do presidente Enrique Pena Nieto, e Delfina Gómez, do Movimento de Regeneração Nacional (Morena), de Andrés Manuel López Obrador.

    Del Mazo ganhou por uma pequena margem, obtendo 33,7% dos votos, enquanto Delfina Gómez recebeu 30,8%. O índice de participação popular foi de 52,4%, o que significa que quase metade da população do estado não compareceu nos centros de votação. Dos mais de 11 milhões e 300 mil mexicanos que poderiam votar, Del Mazo recebeu um pouco mais de um milhão e 900 mil votos, o que significa que se elegeu com 17,28%. O índice de comparecimento e a baixa porcentagem de votos que obteve o candidato vencedor colocam problemas imediatos para o novo governador do Edomex. O acirramento da eleição polarizou a opinião pública, assim como manifestou a insatisfação social perante a estrutura política mexicana. Obter legitimidade para governar será um primeiro desafio para Alfredo Del Mazo.








    A eleição no estado do México vinha sendo posta como histórica pela possibilidade de alternância de partido político, já que o PRI governa o estado por quase noventa anos. Além disso, é o estado mais populoso do país e, portanto, que pode ter grande influência nos resultados das eleições presidenciais de 2018. Manter o partido no comando do estado era o objetivo primário do Partido Revolucionário Institucional e do presidente Enrique Peña Nieto. Diante das perdas eleitorais nas eleições do ano passado e da baixa popularidade presidencial, manter o reduto priista seria manter o partido vivo para a disputa do ano que vem. O tom acusatório entre os candidatos esvaziou a campanha em termos de propostas apresentadas, onde não houve proposições concretas para os grandes problemas enfrentados pelo estado, como a violência.

    Quando anunciado o resultado, Andrés Manuel López Obrador declarou que as eleições foram uma “farsa” e que irá pedir recontagem de votos. Contudo, apesar do resultado, o Morena sai mais forte. A dúvida é se o processo de fato significará maior apoio à Andrés Manuel, que utilizou a campanha de Delfina para projetar-se na política  mexicana. O Morena mostrou que pode ir além do personalismo, apesar de nem sempre AMLO permitir. Para o PRI, barrar a candidata Delfina Gómez era barrar o próprio López Obrador, o que daria um respiro para o partido no cenário político nacional.

    Como foram nas eleições no estado do México, as presidenciais do ano que vem serão bastante acirradas. Ainda é muito cedo para dizer, mas o cenário parece configurar-se entre o PRI e o Morena, visto a baixa porcentagem de votos (11,2%) que recebeu Josefina Vázquez Mota, do Partido da Ação Nacional (PAN). Para o partido, foi uma grande derrota, o que indica que precisam melhor organizar-se para o ano que vem e principalmente resolver suas disputas internas. Pensando que o PAN governou o México de 2000 a 2012, com Vicente Fox e Felipe Calderón, é notável que o partido precisará de grande reformulação para disputar o cargo de presidente em 2018.

    Apesar do PRI ter vencido, a situação para o partido não é confortável no cenário político nacional. As propostas do Morena de fato parecem atingir grande parte da população, como já vinham indicando as pesquisas eleitorais. É uma evidência, portanto, que López Obrador tem força para disputar em 2018, ainda que o apoio que recebeu Delfina no Edomex possa não ser revertido diretamente para ele. O grande desafio para qualquer candidato será o nível de abstenção. As propostas apresentadas deverão ser mais convincentes para levar o eleitor aos centros de votação, indo além das acusações mútuas nas eleições do Edomex. O mercado financeiro também reagiu as resultados, tendo o peso mexicano valorizado. Pelo jeito, não é só a classe política “tradicional” que “suspeita” de AMLO.

Marcela Franzoni é mestranda no programa San Tiago Dantas (Unesp, Unicamp e PUC-SP), ligado ao Instituto de Políticas Públicas e Relações Internacionais da Unesp.
Comentários
0 Comentários
0 comentários to “As eleições no estado do México”

Postar um comentário


Seu comentário é sempre bem vindo!

Comente, opine, se expresse! este espaço é seu!

Comentário Anônimo, sem nome e email , não será publicado.

Se quiser fazer contato por email, utilize o Formulário para contato

Espero que tenha gostado do Site e que volte sempre!

in-article

Mobile

addthis

Curso de Manicure e Pedicure

Contato (13) 3821-6148

Manutenção de celulares - Técnico de Informática

20 Mega de Internet

20 Mega de Internet na Infovale

Clique na imagem

Empregos no Japão

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
 

O Vale do Ribeira Copyright © 2011 | Design by: [ Camilo Aparecido Almeida ] | Movido a: [ Blogger ]