16 de maio de 2017

Os sons animais dos Beach Boys não ficam velhos

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Os sons animais dos Beach Boys não ficam velhos

Grandes discos sempre são lembrados quando chegam aos aniversários em datas redondas: os 50 anos de Sgt. Peppers dos Beatles ou os 30 anos do Appetite for Destruction do Guns n’Roses estarão em cartaz em 2017. 

Hoje, 16 de maio, é o 51º aniversário do álbum Pet Sounds, da banda norte americana The Beach Boys. 

Os cinquenta anos do disco já foram devidamente comemorados, ano passado. Eu, entretanto, me lembro de Pet Sounds todo ano e assopro uma vela.

O responsável por isso é Brian Wilson, o líder dos Beach Boys. Superior à Lennon e McCartney na artesania musical, Wilson faria em 1966 a transição de sua banda comercial de surf music, cuja profundidade das canções se revela em títulos como “Surfin USA”, “Surfin’ Safari”, “Surfer Girl” ou “Surfer Moon”, para postá-la em outro nível na música popular. 

Tal como os rapazes de Liverpool na metade dos sixties, imortalizaria em seus versos e arranjos o sentimento de uma época: o estranhamento do sujeito à sua época, as dificuldades dos jovens nos grandes centros urbanos, a depressão, os amores descobertos e os não correspondidos.  As incontornáveis Wouldn’t be Nice e God Only Knows são de pronto reconhecidas, como todo sucessão precisa ser, e também dois grandes exemplares do que Wilson engendrou neste disco.









Mas quando você avança sobre as letras, melodias e harmonias de I just wasn't made for these times e That’s not me, a conversa se torna mais séria: ali estão depositadas boa parte do que se produziu de mais instigante na música pop a partir dos anos de 1960, sob influência de Bob Dylan. A parceria com o letrista inglês Tony Asher deu outra dimensão às canções de Brian Wilson. 

O sentimento de que você não pertence a este tempo, ou a este tipo de vida, aparece fortemente nestas músicas: no ideário cristão, o próprio Cristo falava em cidadania dos céus, dando mostra de sua completa inadequação a este mundo. Lewis Carroll, Thomas Mann e Lima Barreto também exploraram o tema à sua maneira. 

Não se trata de algo inédito. Mas em música popular o que vale é a força da releitura, não necessariamente a originalidade. E isso sobra no disco.

Em tempos de música asséptica e polida em estúdio, é impressionante ouvir o Brian Wilson de cinquenta anos atrás, com um time de músicos muito competentes, em gravações cheias de sentimento. 

Além da execução, sua inventividade musical deve ser considerada: usava instrumentos incomuns ao rock da época, como um oscilador de ondas sonoras (semelhante ao teremim) e combinações instrumentais intuitivas, que estavam fora dos manuais de orquestração eruditos. 

Fã de música vocal, dos Four Freshmen e Hi-lo´s, Wilson absorveu muitas das ideias e maneirismos destes em suas composições, oferecendo um colorido novo e distinto para o tipo de rock que ajudaria a popularizar nas décadas de 1960 e 70. 

Acabaria por influenciar diretamente o Sgt. Peppers dos Beatles, segundo depoimento do próprio McCartney.
Escute o disco. Os sons animais de Brian Wilson e sua banda não ficam velhos. Continuam falando alto mesmo após este meio século passado.

Paulo Constantino
Músico e Doutor em Educação.
Professor na Unesp Marília e atua na
supervisão das escolas técnicas do Centro Paula Souza.





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