10 de maio de 2017

A presidência de Trump estaria ficando normal? Ou “Não, Trump não pode...”

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A presidência de Trump estaria ficando normal? Ou “Não, Trump não pode...”

Este artigo: “A presidência deTrump estaria ficando normal? Ou “Não, Trump não pode...” foi escrito por Paulo Constantino, Músico, Doutor em Educação pela Unesp Marília, É professor na Unesp Marília e atua na supervisão das escolas técnicas do Centro Paula Souza.

Leio e ouço com atenção as análises feitas sobre os cem primeiros dias do Governo Trump. Comentaristas da Globonews aliviados por Donald Trump não ter iniciado uma guerra atômica. 

Colunistas da grande imprensa felizes porque ele não enviou mexicanos aos campos de concentração. Pensadores de esquerda admirados com as políticas estatizantes do presidente. A presidência de Trump estaria ficando normal?

Trump nunca foi anormal. Ele é um político absolutamente comum, um exemplar comezinho, entre tantos outros. E é possível considerá-lo com alguma razão, em graus variados, tosco, bufão, com um cabelo horrível, despreparado para o cargo que ocupa. São estes atributos que o tornam tão parecido com o restante do establishment político de lá e de cá. Prova disso: enquanto escrevo, franceses reclamam de seus dois candidatos na televisão. Nós, brasileiros, reclamamos de modo idêntico quando fomos às urnas nas eleições presidenciais de 2014, lembram-se?








O problema é que em nossa Ilha de Vera Cruz (que o Lessa chamava de Bananão) muitos ainda esperam por salvadores da pátria imaculados – Dilmãe, o Pai dos pobres ou Supergestor são exemplos acabados – e acabamos por esquecer o óbvio: o político recheado apenas de boas intenções não existe e provavelmente nunca existirá. O que eles possuem, invariavelmente, são dois instintos básicos: o da sobrevivência a todo custo e o da permanência no poder.

Em 2016, o debate político no Brasil ficou mais polarizado e os ânimos acirrados, ainda que o assunto em pauta fosse o pleito norte americano, não necessariamente o nosso. E ao final, o demônio, o pária, o sujeito cuja eleição seria impossível e impensável acabou na Casa Branca (por contraste, ficou a sensação de que sua adversária, Hillary Clinton, seria a candura em pessoa, mas isso é outra história...).

José Serra, chanceler brasileiro na ocasião, considerou a eleição de Trump “um pesadelo”. Com o pesadelo consumado, deu uma declaração que considero o resumo da ópera bufa protagonizada por políticos daqui e de outras bandas: “treino é treino, jogo é jogo. O treino é a campanha. O jogo começa agora.”. Para ele, era tudo bravata, conversa mole. É uma frase esclarecedora sobre a natureza dessa gente. Acredito que deveria ser veiculada obrigatoriamente após qualquer aparição televisiva de um político, como aquela advertência que pisca na tela ao final das propagandas de cigarros.

Trump ocupa um cargo poderosíssimo, mas não pode fazer o que quer o tempo todo. O que ele fez foi levar ao extremo a máxima enunciada por Serra. Os freios inibitórios do presidente estão disponíveis nas democracias mais pujantes, como a americana. No mundo real, o Congresso, Suprema Corte e demais instituições dos EUA servem como um contrapeso para seus excessos. Poupe, portanto, suas preocupações: Trump será um presidente como todos os demais. Terá que submeter-se às regras de uma democracia robusta e não poderá sair por aí apertando o botão vermelho a torto e a direito. Acertará em algumas poucas coisas e errará em outras tantas, assim como seu antecessor Obama (este último, para parte de nossa imprensa, inimputável e portador somente de acertos “históricos”).










Ao final, é pedagógico assistir estes pouco mais de cem dias da presidência de Trump. Ajuda a recolocar o debate político em terras brasileiras no seu lugar. Ensina que políticos não são redentores messiânicos ou anticristos confessos e precisam ser vigiados o tempo todo. Esperar por ungidos na política sempre acaba mal.


Paulo Constantino
Músico, Doutor em Educação pela Unesp Marília.
É professor na Unesp Marília e atua na supervisão das escolas técnicas do Centro Paula Souza.


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