4 de abril de 2017

Técnica de bioengenharia muda realidade do Complexo Mineroquímico da Vale Fertilizantes em Cajati

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Técnica de bioengenharia muda realidade do Complexo Mineroquímico da Vale Fertilizantes em Cajati

Por meio de pesquisa desenvolvida pelo convênio Vale-FAPESP, empresa realiza iniciativa para recuperar área de deposição de estéril

Técnica de bioengenharia muda realidade do Complexo Mineroquímico da Vale Fertilizantes em Cajati


A FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), com o apoio da Vale, realizou um estudo que modificou a área de deposição de estéril do Complexo Mineroquímico de Cajati da Vale Fertilizantes, localizado no Vale do Ribeira.

O projeto buscou utilizar os materiais disponíveis na própria unidade operacional e na região de Cajati para promover a recuperação de áreas destinadas ao estéril, composto descartado na operação da mina que, por conter baixa ou mesmo nenhuma concentração de fósforo (elemento químico usado na produção de fosfato), não é aproveitado nos demais processos de extração.










A realidade começou a mudar em março de 2012, quando pesquisadores do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT), por meio do convênio Vale-Fapesp e em conjunto com a Vale Fertilizantes, passaram a buscar alternativas para diminuir o impacto visual da existência dessas pilhas na operação e no meio ambiente local. 

A solução encontrada foi a utilização de técnicas de bioengenharia, que aliam conhecimentos de engenharia civil, agronomia e biologia para a estabilização das camadas de solo.

A partir disso, o solo foi projetado sobre a rocha, em um módulo com cerca de 20 metros de altura por 20 metros de largura. No local, os técnicos aplicaram argila e calcário para promover linearidade ao terreno.

Em seguida, com o objetivo de reter a argila e o calcário sobre a pilha de estéril, foram fixadas três estruturas diferentes: a guirlanda, preenchida com palha de junco, as colmeias e os sacos de café vazios, formados essencialmente por juta (tecido vegetal). 

Essas estruturas foram periodicamente testadas com o uso de água, simulando chuvas, e nelas foram depositadas sementes de espécies arbustivas de ciclo de vida curto para começar tanto o processo de formação de solo como a sua vida por meio da adubação verde. 

Após três anos do início dos testes, foram também inseridas mudas de espécies leguminosas visando atrair animais que pudessem acelerar a recuperação ambiental.

Além dos resultados já obtidos em relação à infraestrutura local, a geração de conhecimento científico foi um dos ganhos simbólicos da ação. “Com a execução do projeto, nós viramos referência bibliográfica em diversos trabalhos acadêmicos”, explica o o supervisor de Meio Ambiente do Complexo em Cajati, Henrique Miguel Martinho, que reforça o potencial dos benefícios sociais da iniciativa para a região, principalmente associados à geração de renda para artesãos que comercializam sobras de juta em suas atividades.

Os trabalhos de pesquisa foram finalizados em 2016. Após a conclusão, foram utilizados três critérios para a identificação da melhor estrutura a ser usada na recuperação ambiental da área: desempenho de cada técnica individual, fornecimento dos serviços ambientais e valoração ambiental. 

Dentro dessa análise, a estrutura que apresentou os melhores resultados foi a guirlanda, seguida pelos sacos de café e colmeias.


A parceria trouxe bons resultados em outras regiões também. Considerado o maior convênio já firmado entre uma empresa privada e órgãos estaduais de amparo do País, o Vale-FAPs contratou 114 dos 117 projetos apresentados, que viabilizaram 621 bolsas de pesquisa envolvendo 30 instituições nos Estados de São Paulo, Minas Gerais e Pará. 

As pesquisas se concentraram nas áreas de mineração, energia, ecoeficiência e biodiversidade e processos ferrosos para siderurgia. Do total investido, a Vale desembolsou R$ 61 milhões e as FAPs, R$ 38 milhões.

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