12 de março de 2017

Leigas reflexões femininas e feministas

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Leigas reflexões femininas e feministas


Coloco-me a refletir sobre a questão feminina e do feminismo a partir do ponto de vista de um leigo em estudos sociais e pesquisador científico da área das ciências chamadas de exatas. 

Humano, de qualquer forma, porém assumidamente desprovido de formalismo no assunto e não tenho formação humanística ou ativismo, mas, talvez como um pequeno álibi, convivo com mulheres, apenas isso, esposa e filhas.


Meu grupo de pesquisa em conversão de biomassa vegetal que liderei na USP por mais de 15 anos foi fortemente feminino, mas não por escolha ou imposição e, sim, pela maior competência das pessoas que vieram trabalhar comigo. 









Em programas de financiamento à pesquisa que valorizavam a presença feminina (poucos) pude ser beneficiado em função dessa natureza do grupo e fui contemplado com recursos para propiciar às alunas intercâmbio e vivência internacional para complementar suas formações como engenheiras.

Algo me incomoda na diferenciação biológica entre machos e fêmeas que pode ter sido também a origem dessa dicotomia social, resultante na escravização da mulher frente à sociedade estabelecida por valores quase exclusivamente masculinos.

Há registros de sociedades matriarcais no passado, cheguei a estudar isso na escola apenas como uma ilustração ou pequena exceção para confirmar a cruel regra. Sistemas matriarcais esses que por algum motivo foram substituídos quase que exclusivamente por patriarcais, parecendo uma forma de defesa do homem devido a sua condição mais frágil de não conseguir fazer o fundamental na perpetuação da espécie: gerir um descendente e dar à luz.

Biologicamente há diferenças que não discuto aqui, mas tenho a dúvida do porquê em algum momento houve a distinção entre macho e fêmea, pois a mulher poderia gerar descendentes sem a necessidade de um parceiro, pensando em termos exclusivamente biológicos, sem considerar fatores morais, éticos ou religiosos. 

Em algum momento da evolução, espécimes híbridos vindos de gametas distintos tiveram mais condições de sobreviver do que aqueles advindos por clonagem. Ou houve algum distúrbio que causou a mortandade ou inviabilidades das crias. Sabemos a história do que biologicamente sobreviveu – ou deu certo – e os fósseis não são abundantes para esclarecer tudo o que não vingou e ficou para trás.

Somos diferentes e as diferenças devem ser evidenciadas, discutidas e esclarecidas quanto ao que demandam de posturas diferentes. A questão é que por pobreza de argumentos e fraqueza de ações atribuímos limitações a condições desconexas. O rótulo de frágil para a mulher é um deles.

Socialmente, parece-me que o macho da espécie humana passou a usar de sua força física imediata para se impor sobre a fêmea da espécie, aparentemente mais frágil em uma análise imediata – em um embate de luta entre ambos, por exemplo –, mas muito mais forte no conjunto das atividades ao longo do tempo. Digo que a mulher teria uma fragilidade aguda, porém com uma força crônica. 

E isso pode ter despertado o alerta no macho da espécie. Especulações, com certeza, e limito-me a essas divagações, pois o quanto de opressão ao longo do tempo isso custou e tem custado é objeto de investigação dos estudiosos da saga humana como sociedade.


Adilson Roberto Gonçalves é pesquisador no IPBEN (Instituto de Pesquisa em Bioenergia) da Unesp em Rio Claro.
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