2 de fevereiro de 2017

Capacitar-se para não quebrar

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Capacitar-se para não quebrar


Ao longo do ano passado, falamos inúmeras vezes sobre como o empreendedorismo poderia ser uma alternativa para quem perdeu o emprego em decorrência da crise

Com os devidos cuidados no planejamento, abrir um pequeno negócio ou oferecer serviços por conta própria se tornou para muita gente um caminho para gerar renda e ocupação, com a satisfação de saber que está na condução de sua vida profissional. 

O problema é que nem tudo são flores no mundo do empreendedorismo.









Dados levantados pelo Sebrae-SP mostram um aumento no índice de mortalidade das micro e pequenas empresas. 

Em 2012, de cada 100 negócios desse porte abertos, 24 não chegavam ao fim de dois anos. 

Já em 2014, esse número cresceu 37%: de cada 100 novas empresas, 33 não sobreviveram até 2016. Colocando em números absolutos, dos 1,8 milhões de novos pequenos negócios, 600 mil fecharam as portas no período. 

Outros números recentes, estes do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mostram que o volume de pessoal ocupado em trabalhos por conta própria caiu 1,7% no período de julho a outubro de 2016 em comparação ao mesmo período de 2015. É a primeira queda nessa categoria desde 2013.

Essas informações são preocupantes, ainda mais ao analisar os motivos alegados pelos empresários para fecharem as portas: carga tributária alta, muitas taxas e falta de crédito. 

Infelizmente, esse cenário não é novo no Brasil, e o empreendedor precisa estar bem preparado para lidar com essas dificuldades. 

Isso envolve planejamento financeiro adequado, uma análise atenta do mercado e uma boa preparação em marketing, entre outros itens. Quem chega “cru” ao mundo do empreendedorismo, movido apenas pela necessidade, tem grandes chances de quebrar, especialmente em um momento de recessão e concorrência acirrada.

Estamos acompanhando muitos casos de profissionais demitidos que receberam suas verbas rescisórias e investiram em um negócio próprio, às vezes envolvendo também as economias da família. 

Pouco tempo depois, foram obrigados a fechar as portas. Vejo isso como uma nova fase da crise econômica que atinge o país: as pessoas estão perdendo seu trabalho pela segunda vez. Por isso, em 2017, estaremos atentos a esse público empreendedor mais vulnerável, que apostou em um negócio próprio “no susto” e agiu por necessidade. 

Quem está pensando em investir suas reservas em uma empresa precisa ter isso em mente: o primeiro passo é se capacitar, sob o risco de engrossar as estatísticas negativas. 

Estou certo, porém, de que vamos reverter esse cenário. Conte sempre com o Sebrae-SP!


Bruno Caetano é diretor superintendente do Sebrae-SP
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