23 de janeiro de 2017

Um ciclo que deve ser rompido

,


Um ciclo que deve ser rompido


Sabe aquela frase frequentemente vociferada quando uma mulher retorna para o marido-agressor, e dizem que se trata de “mulher que gosta de apanhar”? Esta discorre de uma manifestação cultural condenatória que muitas mulheres são alvo, e sua reprodução só faz com que se revitimize a agredida.

Basta olhar para trás, e ver que ao requerer o divórcio de um casamento fracassado e por vezes violento, a mulher era considerada volúvel e promiscua. Em tempos atuais, ainda se trata de um assunto tenso em alguns setores, tal como o religioso, porém, há de se reconhecer que a aceitação social e por fim, os trâmites legais estão bem mais democráticos e solidários.









A lei Maria da Penha (lei nº 11.340/2006) é marco histórico no Brasil no que se refere à proteção social da mulher e sua família contra a violência doméstica. Em 2016, completou 10 anos de existência, e durante este tempo é sensível às mudanças de percepção cultural acerca da violência contra a mulher, que vem sendo constantemente discutido.

De assunto privado, a questão se tornou pública, ajudando a entender o complexo fenômeno que é a violência, e que dela se resulta situações difíceis, tal como a decisão de mulheres vítimas de agressão, que voltam para seus companheiros na esperança de que seja diferente.

Poucos, fora do contexto de pesquisa, acadêmico, jornalístico ou que trabalham diretamente com a questão, tem a oportunidade de saber que há estudos sobre o ciclo da violência doméstica, no qual se inicia pela violência verbal, emocional, em que o agressor, aos poucos derruba a autoestima da vítima, instalando a insegurança e a vulnerabilidade. A partir daí, começam as agressões físicas como empurrões, tapas, seguidas do aumento no grau de violência, que com o recrudescimento faz com que a vítima reaja a toda a situação.

Entretanto, antes que ela se liberte o agressor a procura pedindo desculpas, fazendo juras de amor e afirmando que irá mudar. Com um voto de confiança, o casal volta, e este momento é denominado Lua de mel, no qual o agressor se autocontrola, porém, a situação é passageira e as agressões retornam para a vida cotidiana do casal. Iniciando novamente o ciclo da violência doméstica.

Esta situação causa consternação, mas, ocorre porque as ligações, amarras e sentimentos não são facilmente rompidos e podem envolver a constante presença da ameaça, da dependência financeira, da falta de apoio familiar e comunitário, do sofrimento dos filhos, a insegurança quanto ao futuro, à dor de ver um relacionamento desfeito, entre outros motivos. Fazendo deste, um momento de profundo sofrimento.

Em vista disso, o empoderamento da mulher é essencial para romper este ciclo, mas não basta, é preciso compreender que o enfrentamento da violência contra a mulher não se resume apenas na tomada de atitude por parte da agredida, já que, da mesma forma está atrelada visceralmente a atitude ética de todos os indivíduos da sociedade se posicionarem ao lado das vítimas e não de seus agressores.

Iara M.E. Marubayashi, formada em Serviço Social pela UNESP.
Comentários
0 Comentários
0 comentários to “Um ciclo que deve ser rompido”

Postar um comentário


Seu comentário é sempre bem vindo!

Comente, opine, se expresse! este espaço é seu!

Comentário Anônimo, sem nome e email , não será publicado.

Se quiser fazer contato por email, utilize o Formulário para contato

Espero que tenha gostado do Site e que volte sempre!

Contato (13) 3821-6148

Manutenção de celulares - Técnico de Informática

20 Mega de Internet

20 Mega de Internet na Infovale
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
 
Google+

Site Registro-SP

Site Registro-SP
Cotação da Banana
Cotação da Banana
20 a 27 de março

WhatsApp do Site

WhatsApp do Site
Autor
Facebook
Recomende-nos no Google

APP Notícias do Site

APP Notícias do Site

TV Ilha Comprida

TV Ilha Comprida
DMCA

Eventos Acer (RBBC)

Eventos Acer (RBBC)

Quadrinhos Registro da Colônia Japonesa

Quadrinhos Registro da Colônia Japonesa

Receitas do Vale

Receitas do Vale

pagead

O Vale do Ribeira Copyright © 2011 | Design by: [ Camilo Aparecido Almeida ] | Movido a: [ Blogger ]