19 de janeiro de 2017

O professor de Geografia frente à realidade brasileira

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O professor de Geografia frente à realidade brasileira
Imagem ilustrativa (internet)


Pretendo desenvolver este tema que me foi proposto pela universidade estadual de Maringá em 1984 que me deu oportunidade de exercitar minha oratória aproveitando questões básicas do curso de oratória que desenvolvi na PUC de Campinas e para mostrar que a minha fala se enquadra na realidade da época que estávamos vivendo e, para isso cito trechos de um trabalho desenvolvido pelo ilustre professor da USP Miguel Reali Júnior que diz em certo trecho: “No plano socioeconômico pode-se pintar, frente aos números, um quadro tenebroso. O Brasil passa pela pior crise dos últimos 50 anos com recessão, altíssima inflação, dívida externa sufocante. Isto é uma amostra da desordem econômica em que vivemos. O panorama social é desalentador pois a miséria absoluta aumentou assim como a concentração de rendas e, nas cidades há milhões de desempregados ou subempregados, os salários são insuficientes e há favelas por toda a parte.”









Bem, vamos à conferência em que a base inicial é realizada por meio de virtuais bloco-diagramas que podem representar a realidade da sociedade. Um dos blocos é formado por muitos pontos altos e baixos como se fosse relevo bem acidentado e é assim que vejo a sociedade brasileira. Os pontos mais altos são ocupados pelos grupos dominantes e nos pontos mais baixos e, em maior número, os oprimidos.  Nesse quadro sabe-se que o aluno recebe influxos dos professores e de outros agentes que atuam sobre ele numa suposta preparação para a vida. Decorrido algum tempo esse aluno adquire a condição de cidadão dessa sociedade como se observa no bloco em que relevo é mais suave sem locais muito altos nem muito baixos e aquele aluno de acordo com os pressupostos da educação e de sua formação geográfica transforma-se num cidadão atuante agente de mudanças cooperando para atenuar os altos e baixos, as arestas  que impedem a existência de uma sociedade mais  digna, mais humana e mais justa. Ele está vivo, dinâmico ajuda a conduzir, não é conduzido, menos ainda oprimido. Ele está em pé!

Infelizmente esta situação não existe. O modelo não se concretiza. O cidadão dilui-se na massa informe, amorfa. Não influi em nada, não contesta, não critica, não tem condições de agir e continua recebendo toda sorte de influxos, oprimido, alienado preza fácil de dominação. Ele está inerte, dorme ou está morto!
Isto é o que penso da realidade brasileira embora para alguns este juízo parece exagerado. As aparências enganam. Uma análise fria da sociedade global examinada de alto a baixo certamente mostrará que não há exagero. O pequeno texto do professor Reali júnior mostra isso. Sob muitos aspectos a realidade ainda é mais dolorosa do que se pensa. Não conhecemos tudo do que deveríamos conhecer.

É consenso geral que a escola tem função social. Ela vive, deve viver, trabalhar sempre em função da sociedade. Se há que mudar alguma coisa na sociedade – e na brasileira há que mudar tudo – essa mudança tem de ser realizada a partir da escola. As transformações que se deseja para a sociedade terão que ser realizadas pela educação que tem de ser conhecedora dos direitos e dos deveres de cada um. Se  desejarmos uma sociedade livre a educação tem de ser “prática de liberdade” no dizer de Paulo Freire.

Mas a escola está em crise. A desarticulação entre os diversos graus de ensino é evidente. Cada professor parece falar língua diferente daquela falada pelo colega. Mas num ponto todos estão de acordo: o nível do aluno é baixo. O docente que atua no primeiro grau se queixa que a criança não estuda, é malcriada, a família não ajuda. No segundo grau atira-se a culpa no primeiro e quando aquele aluno chega à universidade já se tornou chavão dizer que ele não está preparado, não sabe nada  e não quer nada. Mas passa certo tempo ele vai observar que é mais difícil entrar na universidade que sair dela e, com despreparo e tudo lá vai ele de posse de seu diploma dar suas aulas e, naturalmente engrossar o coro das lamentações esquecido de que ele é, a um só tempo, objeto e sujeito no processo. Os colegas aqui  presentes já pensaram nisto, alguma vez?

Acrescente-se, ainda, a inadequação de currículos e programas e mais a burocracia administrativa que sufoca a criatividade e resulta no quadro que se conhece: Sistema educacional brasileiro.  Mas quem é o professor de Geografia?  Em geral é oriundo da classe média – talvez não tão média hoje– funcionário do estado ou assalariado de grupos empresariais que “prestam serviço” à sociedade.  E sua formação? Há vocação ou ele está ali por acaso, ou por que o curso que licencia para a docência é mais fácil ou porque ele precisa trabalhar e teve de fazer curso noturno?  E que dizer de sua formação pedagógica? Tem ele condições de entender o jovem, o adolescente? De qualquer maneira não se pode esquecer que o professor, todo professor é acima de tudo um educador.

Infelizmente não há o que discutir pois agora, depois de sairmos de uma grande crise como demonstrou o professor Reali Junior caímos em outra talvez pior que aquela por que deixa o Brasil com mais de 120 milhões de pobres e miseráveis. É a herança do governo Lula-Dilma.

Para encerrar este pequeno trecho da conferência chegamos a dezembro de 2016, quando os jornais noticiam: “Brasil estaciona em ranking da educação”. O desempenho escolar dos alunos brasileiros estagnou em níveis muito baixos. É o cenário que aparece na edição de 2015 do Pisa e nosso país segue nas piores colocações em comparação com 69 países. O Pisa mostra que o problema maior não é só o aluno é também a escola, seus maus professores e problemas de infraestrutura e outras providências como, por exemplo, investimento muito baixo e nenhum planejamento. E a senhora Dilma queria que o Brasil fosse conhecido, no mundo inteiro, como Pátria Educadora. É uma tristeza, não?

Afinal uma notícia boa. A Unesp escolheu seu novo Reitor que é o Dr. Sandro Roberto Valentini nascido aqui perto na cidade de Martinópolis. Ele venceu nas eleições com uma proposta muito sugestiva: “Unesp Inovadora, sustentável e participativa” que já nos passa a ideia de como será sua gestão. Eu, como bom unespiano, vou orar para que Deus o ajude nessa difícil missão.

Marcos Alegre, professor emérito da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT)/UNESP e ex-diretor dessa mesma instituição. Contato: maralegre@ig.com.br
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