17 de janeiro de 2017

Dias melhores virão

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Dias melhores virão
Bruno Caetano é diretor superintendente do Sebrae-SP


O que estava ruim ficou pior. Infelizmente, parece que 2016 pode ser descrito dessa forma por boa parte dos donos de micro e pequenas empresas (MPEs) quando comparado a 2015. Segundo pesquisa do Sebrae, 59,9% deles afirmam que, no ano, o desempenho de seus negócios se deteriorou ante o anterior.

O atual ciclo recessivo brasileiro começou no segundo trimestre de 2014. De lá para cá, foram só quedas no faturamento das MPEs. Escândalos de corrupção, turbulência política e uma economia na UTI são motivos suficientes para derrubar o ânimo de qualquer um. Contudo, dentro desse furacão, a maioria (62,6%) dos empreendedores acredita na melhora da situação de seus negócios em 2017 em relação a 2016. Ao mesmo tempo, estão receosos quanto a que atitudes tomar, já que 51,6% deles afirmam que não farão investimentos em 2017 ante 41,6% que dizem sim a tal possibilidade.









De qualquer forma, é positivo saber que, mesmo numa conjuntura desfavorável, quase metade dos empresários vai direcionar esforços para investimentos. Antes assim do que vê-los considerar a hipótese de fechar as portas. Entre os que projetam investir, o foco da maior parcela (43,6%) é a modernização do negócio.

A pesquisa também revela que 59,1% dos empreendedores pretendem tomar medidas para estimular as vendas em 2017 e, dentro desse movimento, a principal escolha é por propaganda e marketing, opção de 33,9% deles. Um sinal de que os empresários estão conscientes de que destinar recursos para essa finalidade não é supérfluo, mas necessário. O único setor com outra prioridade é a indústria, que pretende aumentar a variedade de seus produtos.

A conclusão que podemos ter quando olhamos a pesquisa é que, no geral, se prevê um 2017 menos desastroso do que 2016. É um passo, já que a confiança é a base para a economia andar para frente. Só há investimentos, geração de empregos e renda quando se acredita em um futuro positivo.

Porém, só isso não basta. O Brasil depende de uma combinação de fatores para se recuperar. Um deles é a queda dos juros, cujas altas taxas foram apontadas por 23,1% dos entrevistados como complicador para os negócios. Sem acesso a crédito, as empresas se veem amarradas para colocar em prática planos de expansão e aprimoramento. Outro complicador é a burocracia, que permanece minando o desenvolvimento das MPEs, impondo exigências demais e desestimulando a regularização.

O Sebrae-SP vai continuar na sua luta diária por um ambiente mais favorável às MPEs. Ainda há muito a se fazer, mas o empreendedor pode estar certo de que tem um parceiro para ajudá-lo a encontrar o sucesso.  


Bruno Caetano é diretor superintendente do Sebrae-SP
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