27 de janeiro de 2017

Cem anos da Revolução Russa

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Cem anos da Revolução Russa

No centenário da Revolução Russa de 1917, em uma conjuntura de aproximação das relações políticas entre Cuba e EUA, bem como o recente apoio oficial da China ao livre comércio e a economia de mercado no mundo, muito se refletirá acerca da vitalidade do comunismo enquanto projeto político.

Considerado um movimento de emancipação do poder e de radicalização da modernidade, o comunismo soviético produziu uma racionalidade revolucionária, que vigorou por boa parte do século XX. Seus ideais percorreram todos os continentes do globo terrestre, contrapondo-se à modernidade adjacente ao modo de produção capitalista. 









O espraiamento de sua teoria revolucionária resultou em novos projetos. Contudo, a partir dos acontecimentos relatados logo acima, estes também deverão passar por questionamentos similares àqueles ocorridos após a queda do Muro de Berlim, em 1989. Imersa nesse debate, encontra-se a minha tese de doutorado intitulada Trajetória, identidade e esgotamento do comunismo na América Latina: os casos de Brasil e Chile, defendida na Unesp, Câmpus de Franca.

O presente trabalho realiza uma análise comparativa entre as estratégias políticas elaboradas por dois partidos comunistas latino-americanos, o Partido Comunista Brasileiro (PCB) e o Partido Comunista de Chile (PCCh). Ambos nascidos em 1922, os partidos comunistas do Brasil e do Chile, ao longo do século XX, exerceram um importante papel nos debates de esquerda em seus respectivos países. 

Suas trajetórias acompanharam os tempos revolucionários do Movimento Comunista Internacional (MCI), cuja liderança era exercida pela União das Repúblicas Soviéticas Socialistas (URSS).

O próprio nascimento do PCB e a reformulação do PCCh, em 1922, estiveram intrinsicamente relacionados ao advento da Revolução de 1917, ocorrida na Rússia. Contudo, desde a formação desses dois partidos sempre houve um espaço de autonomia frentes às problemáticas nacionais e regionais (no caso, latino-americanas). 

E é a partir dessa interação, nem sempre pacífica, entre autonomias e alinhamentos das estratégias esboçadas pelo MCI, que procuramos estudar o comunismo latino-americano a partir dos casos de Brasil e Chile.

No caso específico de nossa pesquisa, a comparação entre essas esquerdas visa resgatar, enquanto objeto de estudo e de reflexão, elaborações teóricas e linhas de atuação que buscavam alcançar o poder de maneira distinta daquilo que, a partir de 1959, devido ao impacto da Revolução Cubana, ficaria consagrado como o “modelo revolucionário” a ser adotado em toda a América Latina.

A enorme influência da Revolução Cubana no conjunto das organizações de esquerda na América Latina acabaria por encobrir a existência de outras formulações e propostas de acesso ao poder por parte da esquerda latino-americana, que estavam em curso antes da sua eclosão e que permaneceram nas décadas posteriores. 

Ademais, ao realizarmos um exercício comparativo entre esses dois partidos estamos, no fundo, procurando identificar as diferentes estratégias comunistas construídas no espaço latino-americano a partir de distintas interpretações acerca das modernizações vivenciadas no Brasil e no Chile.

O exercício comparativo aqui pretendido parte do pressuposto de que houve uma inversão nos caminhos estratégicos desses dois partidos. Tendo como principal referência o ano de 1958, a análise em torno das estratégias políticas desses dois Partidos ilustra os distintos posicionamentos acerca dos processos de modernização em curso no Brasil e no Chile. 

Desse modo, enquanto o PCB deu início a uma transformação em sua cultura política, passando a legitimar a relação entre desenvolvimento capitalista e democratização social, o PCCh, juntamente com outros partidos da esquerda chilena, elaborou um projeto político que objetivava a hegemonia na condução de um projeto socialista de sociedade. 

Ao final dos anos 1970 e durante a década de 1980, quando o Movimento Comunista Internacional se deteriorava, os sentidos dessas estratégias definiram o papel de cada Partido nos processos de redemocratização no Brasil e no Chile.


Comparativamente, embora tenha sofrido uma derrota estratégica no combate à ditadura chilena, diferentemente do que ocorreu no Brasil, quando o PCB viu consagrada sua estratégia ao mesmo tempo em que encerrava suas atividades institucionais na nova conjuntura democrática, o PCCh conseguiu formalizar uma nova identidade, passando a privilegiar uma história nativista e nacionalista, em detrimento da matriz leninista-stalinista, esgotada ao final do século XX.

Victor Augusto Ramos Missiato é Doutor em História pela Unesp de Franca.
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