Receba Grátis Noticias do Vale do Ribeira.
1 de novembro de 2016

Para além do Estado Islâmico: o que está em jogo na Batalha de Mossul?

,
Para além do Estado Islâmico: o que está em jogo na Batalha de Mossul?


Duas semanas após o início da operação para libertar Mossul, a segunda maior cidade do Iraque, do controle do Estado Islâmico (EI), o Exército iraquiano finalmente se encontra a menos de 10km do seu centro urbano. 

A coalizão montada pelo governo em Bagdá e com apoio dos Estados Unidos deve agora adentrar a cidade e defrontar-se diretamente com os combatentes do EI.

Entretanto, está em jogo na batalha por Mossul muito mais que sua imediata libertação. O destino da cidade influenciará no complexo jogo de interesses políticos que envolve, de um lado, a disputa doméstica entre Bagdá e o autônomo Governo Regional do Curdistão (GRC), e, de outro, o crescente papel assertivo da Turquia na região. 

Tomada pelo EI desde 2014, Mossul encontra-se cercada por atores distintos, agrupados na coalizão formada por Bagdá.

Ao leste e ao sul, encontram-se, sobretudo, forças do Exército iraquiano. No norte, destaca-se o avanço das forças curdas, chamadas de Peshmerga, bem como o grupo “Guardas de Nineveh”, ambos treinados por soldados da Turquia estacionados na base de Bashiqa, ao norte de Mossul.

Ao oeste, e também pelo sul, avançam as Forças de Mobilização Popular, um conjunto de milícias xiitas com forte ligação ao Irã. Os interesses variados dessas forças, entretanto, são muitas vezes antagônicos, o que vem gerando conflitos políticos internos a coalizão. 

No nível doméstico, paira a questão sobre quem efetivamente governará a cidade de Mossul após sua libertação, em um contexto de disputa entre forças de Bagdá e do Curdistão Iraquiano autônomo. 

Desde que o Estado Islâmico consolidou sua presença no Iraque, em 2014, as Peshmerga curdas, antes restritas ao Governo Regional do Curdistão, passaram a ocupar espaços e cidades antes sob controle de Bagdá na medida em que o governo central iraquiano sozinho não conseguia enfrentar o EI.

Como resultado, cidades estratégicas como Kirkuk, rica em petróleo, hoje são governadas por Erbil, capital do Curdistão autônomo. Hoje, o governo central em Bagdá teme que Mossul possa ser ocupada e reivindicada pelas Peshmerga após a operação, mas sabe que sem essas forças não há como libertar a cidade. 

Ao mesmo tempo, Erbil teme que após libertar Mossul, Bagdá possa tentar reconquistar as cidades que agora estão sob controle curdo, revertendo seus ganhos recentes.

A nível regional, destaca-se a escalada de tensões entre os governos da Turquia e Iraque desde que a operação começou. 

De um lado, Bagdá não quer que forças turcas participem da tomada de Mossul – também temendo que possam ocupa-la –, de outro, o governo turco em Ancara exige sua inclusão na operação e vem impondo sua vontade de maneira assertiva.

Desde o início das operações em Mossul, o Primeiro-Ministro iraquiano, Haider al-Abadi, afirmou que apenas tropas iraquianas tomariam de volta territórios iraquianos, e que nenhuma tropa turca faria parte da libertação da cidade.

O Presidente turco, Recep Tayyip Erdoğan, revidou, afirmando que o país não se responsabilizaria por uma operação que exclui a Turquia e que, portanto, participaria tanto na retomada da cidade quanto nas negociações posteriores. 

O governo turco também vem tratando a questão através de uma retomada histórica de quando Mossul fazia parte do território turco, o que durou até 1923, com a assinatura do Tratado de Lausanne. 

No dia 22 de outubro, Erdoğan retomou em uma fala a perda de território sofrida naquele ano, e defendeu um novo conceito de segurança, em que o país deixaria de esperar que os problemas batessem à porta e interferiria em desenvolvimentos que pudessem trazer ameaças à Turquia, independentemente de onde ocorressem – em uma clara guinada intervencionista e de caráter preventivo. 

Em termos práticos, o governo turco vem afirmando que Mossul corre o risco de ser ocupada pelas Forças de Mobilização Popular xiitas, financiadas e equipadas pelo Irã, ou poderia ser infiltradas por forças curdas do PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão, em turco), grupo turco considerado terrorista pelo governo em Ancara.

Nos últimos dias, Erdoğan disse estar disposto a intervir na batalha de Mossul caso haja relatos de violência contra turcomenos e sunitas por partes das milícias xiitas. 

Destaca-se que, desde dezembro de 2015, mais de 500 soldados turcos e dois batalhões de tanques estão na base de Bashiqa, a menos de 40km de Mossul, onde treinam tanto as Peshmerga quanto os “Guardas de Nineveh”.

O governo iraquiano já demandou, em vão, a retirada das tropas turcas, inclusive reclamando à ONU o que chamou de “ocupação turca”.

Dessa forma, percebe-se que, a operação em Mossul transborda a luta contra o Estado Islâmico em si e tem consequências mais amplas.

A libertação da cidade desencadeará tensões domésticas entre os curdos iraquianos e o governo em Bagdá e também dirá muito sobre o papel da Turquia no Oriente Médio.

O governo em Ancara vem sinalizando políticas cada vez mais intervencionistas no seu entorno geográfico, retomando ideias do período Otomano e da formação da República, o que é expresso tanto na disposição em intervir em Mossul, como na já vigente Operação Escudo do Eufrates na Síria. 

Mais do que um golpe que pode enfraquecer o Estado Islâmico, a Batalha de Mossul tende a intensificar tensões latentes, tanto dentro do Iraque quanto entre os principais atores regionais – principalmente envolvendo a Turquia. 

Willian Moraes Roberto é pesquisador do Programa de Pós-Graduação San Tiago Dantas (Unesp - Unicamp - PUC-SP).


Comentários
0 Comentários
0 comentários to “Para além do Estado Islâmico: o que está em jogo na Batalha de Mossul?”

Postar um comentário


Seu comentário é sempre bem vindo!

Comente, opine, se expresse! este espaço é seu!

Comentário Anônimo, sem nome e email , não será publicado.

Se quiser fazer contato por email, utilize o Formulário para contato

Espero que tenha gostado do Site e que volte sempre!

Feibanana

Feibanana 2017

Contato (13) 3821-6148

Manutenção de celulares - Técnico de Informática

20 Mega de Internet

20 Mega de Internet na Infovale
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
 

Site Registro-SP

Site Registro-SP
Cotação da Banana
Cotação da Banana
20 a 27 de março

WhatsApp do Site

WhatsApp do Site
Google+
Autor
Facebook
Recomende-nos no Google

APP Notícias do Site

APP Notícias do Site

TV Ilha Comprida

TV Ilha Comprida
DMCA

Eventos Acer (RBBC)

Eventos Acer (RBBC)

Quadrinhos Registro da Colônia Japonesa

Quadrinhos Registro da Colônia Japonesa

Receitas do Vale

Receitas do Vale

pagead

O Vale do Ribeira Copyright © 2011 | Design by: [ Camilo Aparecido Almeida ] | Movido a: [ Blogger ]