1 de novembro de 2016

Hillary, o FBI e o labirinto institucional norte americano

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Hillary, o FBI e o labirinto institucional norte americano

A decisão do diretor do FBI, James B. Comey, sobre a retomada das investigações à candidata democrata, Hillary Clinton, acrescentou mais tensões ao suficientemente controverso cenário eleitoral norte-americano.

Em uma carta encaminhada ao Congresso, Comey alegou a descoberta de novos e-mails da ex-secretária de Estado, a partir da investigação de outro “caso não relacionado” que, supostamente, poderiam ter utilidade para a continuidade do processo.

As circunstâncias, porém, são delicadas, pois o caso já havia sido arquivado e pelo fato de as denúncias serem realizadas a uma semana das eleições, em um momento em que todas as pesquisas pareciam garantir a vitória a Hillary. 

O acontecimento reacende a polêmica do uso das contas de e-mail pessoais por Hillary Clinton, enquanto ocupava seu cargo no Departamento de Estado (2009-2013).

Dada à sua gravidade, o tema esteve presente em todos os debates televisionados, despertando posturas agressivas por parte do candidato republicano, Donald Trump, que vem bradando em seus comícios o mote “Lock her up” (“prendam-na”).

As reações de Hillary, em contrapartida, variavam do reconhecimento do erro à continuidade das acusações, mencionando a divulgação do conteúdo dos e-mails pelo site Wikileaks, o qual, segundo a candidata, vinha recebendo auxílio externo russo e favorecendo Trump na corrida presidencial. 

Agora, Clinton busca reduzir os danos e desviar a atenção midiática à conduta do diretor do FBI. Segundo líderes do Partido Democrata, a atuação desse último se choca com o Hatch Act de 1939, que proíbe ocupantes de cargos executivos (com exceção do presidente e vice-presidente) de adotar posicionamentos políticos, durante o exercício de suas funções. Assim, Comey tem sido acusado de se posicionar ilegalmente do lado republicano.

Na prática, a divulgação não afetou a liderança de Hillary que permanece com cerca de 45% das intenções de voto, contra 41% de Trump. Todavia, o abalo contribuiu para encurtar a distância entre os dois, que, após as denúncias encontravam-se quase empatados.

Apesar disso, os questionamentos levantados pelo ocorrido são mais amplos que a disputa eleitoral. Interrogações acerca das reais motivações e, sobretudo, do timing do FBI em relação à reabertura do processo não deixam de vir à mente, considerando a proximidade das eleições.

Essa situação reforça a percepção de que tanto o mundo, quanto os cidadãos americanos conhecem pouco o funcionamento das instituições do país.

Mesmo cobrando transparência por parte dos governos de seus pares internacionais, os EUA sustentam uma burocracia densa e emaranhada, na qual normas e funções se sobrepõem.  

Essa última, por seu turno, só faz se distanciar da realidade doméstica dinâmica da nação estadunidense, marcada pelo aprofundamento de desigualdades e por conflitos sociais intensos.

O desencanto e a baixa participação do eleitor médio começam em Trump e Hillary, mas não se resumem a eles: o vácuo é mais profundo e a descrença é institucionalizada.


Clarissa Nascimento Forner é pesquisadora em Relações Internacionais pelo Programa San Tiago Dantas Unesp - Unicamp - PUC-SP.
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