14 de outubro de 2016

EUA promovem ajuda militar de U$ 38 bilhões a Israel

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EUA promovem ajuda militar de U$ 38 bilhões a Israel



Desde a eleição de Barack Obama, algumas medidas adotadas por seu governo para o Oriente Médio levaram a um relativo afastamento entre os Estados Unidos e Israel. 

O presidente norte-americano se posicionava em desacordo com o que era esperado pela elite conservadora israelense, principalmente por criticar a política de ocupação da Palestina adotada pelo Primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Outro tema de desentendimento refere-se ao acordo assinado com o Irã, possibilitando que o governo iraniano continuasse com o programa nuclear. 

No entanto, em 14 de setembro de 2016, Barack Obama aprovou a maior doação de dinheiro da história a Israel, voltado ao âmbito militar. Se por um lado, a ajuda militar que ele aprovou para a próxima década de Israel agrada a mesma elite israelense e grupos pró-Israel dentro dos EUA, por outro, desagrada inúmeros outros grupos, principalmente os pró-Palestina, uma vez que sua ação possibilita a continuação de políticas negativas do ponto de vista humanitário e do direito internacional na região.



O valor acordado no tratado (38 bilhões de dólares) será custeado através dos impostos dos contribuintes estadunidenses e o destino do dinheiro é claro, se trata de uma ajuda dos Estados Unidos à defesa de Israel, no que tange a compra de armamentos e financiamento da indústria de defesa. Os cidadãos estadunidenses de forma indireta estarão ajudando a fornecer armas para um exército que é um dos mais poderosamente armados no mundo, cujos principais inimigos, a população civil palestina, estão armados com pedras e estilingues e no pior dos casos, o Hamas, armado com foguetes muito inferiores a qualquer armamento de artilharia israelense. Esse é o trato e não houve debate público sério sobre ele, nem em Israel nem nos Estados Unidos.

Nos EUA, apenas alguns estão perguntando: Por quê? Para quê? O que vem em troca? As explicações para a assinatura de um acordo dessa magnitude por parte dos Estados Unidos advêm basicamente de dois motivos: em parte uma resposta ao acordo nuclear que os Estados Unidos e outras potências mundiais assinaram com o Irã em julho do ano passado e uma tentativa de satisfazer os republicanos no Congresso.  Em Israel, parte do dinheiro vai para os sistemas de defesa, mas outra parte vai para a manutenção da ocupação nos Territórios Palestinos e, especialmente, para financiar ações vistosas e violentas, em Gaza e no Líbano.

A política de Benjamin Netanyahu nos últimos anos tem tratado de expandir os assentamentos na Cisjordânia, aumentando o policiamento na região, violando direitos humanos e o direito internacional; além dos conflitos em Gaza que levaram à morte de centenas de civis palestinos. Com um orçamento de defesa maior Israel continuará com suas políticas controversas em relação aos territórios ocupados, sendo financiado pelos contribuintes estadunidenses através do dinheiro de seus impostos. Será que Obama quer isso? De acordo com a reunião entre Obama e Netanyahu na última semana, Obama afirmou que o crescimento dos assentamentos prejudica a resolução de dois Estados do conflito com a Palestina.  De que adiantou Barack Obama condenar veementemente as ações que o governo de Benjamin Netanyahu cometeu em relação aos palestinos (como os assentamentos, as violações do direito internacional, os crimes, as invasões e as guerras) se estas continuarão a ser realizadas com o dinheiro dos contribuintes estadunidenses e autorizadas pelo próprio presidente dos Estados Unidos? Obama se tornou financiador da ocupação, uma vez que o dinheiro do acordo é destinado à segurança israelense e as políticas de Netanyahu são bastante claras desde 2009.

Os israelenses não deveriam ser tão gratos pela generosidade dos EUA, pois é prejudicial ao seu país, já que a continuação das políticas de Netanyahu só prejudica a imagem externa do Estado, isolando-o no cenário internacional e prejudicando sua economia através de boicotes, que podem não prejudicar a economia de forma geral em números, mas prejudica principalmente acadêmicos e startups que perdem espaço no cenário internacional. Mesmo assim o ciclo continua, os EUA pagam e Israel ocupa e bombardeia, como se não houvesse nenhuma outra maneira. Essa é uma vitória pessoal do Primeiro-ministro Benjamin Netanyahu: todas as acusações sobre arruinar os laços com os Estados Unidos estão completamente sem fundamento agora. As relações nunca foram melhores, pelo menos de acordo com os números.

O que não se percebe é que esse acordo só reforça as políticas que Netanyahu e sua coalizão do governo vêm adotando ao longo dos últimos sete anos, e tendem a ser prejudiciais para a sociedade (sem contar os palestinos), uma vez que prejudicam a imagem do país no exterior (empresas estrangeiras se recusam a ir para Israel, bandas, cantores, artistas em geral boicotam Israel, acadêmicos são proibidos de participar de certos congressos ao redor do mundo por conta do boicote e do movimento BDS) e diminui ainda mais o orçamento destinado a outras áreas que não sejam defesa e segurança. A guinada para a extrema direita, o governo irascível de Benjamin Netanyahu que parece não ter limites para sua própria ambição e agora com mais dinheiro para financiar a indústria de defesa do país. Israel está entrando em um caminho sem volta e Barack Obama termina seu governo com uma sombra de hipocrisia em relação ao Oriente Médio.


Karina Stange Calandrin é mestranda em Relações Internacionais pelo Programa de Pós-Graduação San Tiago Dantas (Unesp, Unicamp, PUC-SP) e pesquisadora do Grupo de Estudos em Defesa e Segurança Internacional da Unesp de Franca.
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