24 de setembro de 2016

Artigo - Recuperação Judicial e desemprego

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Artigo - Recuperação Judicial e desemprego


Notícias à respeito da quebra de grandes empresas atuantes no país têm sido comuns desde meados de 2015, e mais numerosas nesse ano. Sem uma previsão de pagamento, os bancos brasileiros não têm tido outra saída senão as renegociações de dívidas com prazos maiores e novas condições de pagamento. Os pagamentos, porém, ganham prazos distantes e que muitas vezes poderão acabar em calote. As dificuldades de carteira que os bancos vêm sofrendo devido à alta inadimplência das grandes empresas, tem uma clara relação com o custo do crédito e com o volume de dinheiro em circulação na economia.

A inadimplência de pessoas jurídicas atingiu 3,19% dos empréstimos totais em março desse ano, valor expressivamente acima da média dos últimos anos. Os juros cobrados dessas companhias também aumentou, indo de 16,5%a.a para 21,7%a.a no período de dezembro de 2014 até junho de 2016. A dificuldade de pagar as dívidas inclui também o pagamento de impostos, gerando uma pressão sobre a questão fiscal atual. De acordo com o Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), os pedidos de recuperação judicial no Brasil aumentaram 113,5% no primeiro semestre de 2016, em relação ao mesmo período do ano passado.

A questão acerca do baixo desempenho dessas empresas está no grande impacto disso no crescimento do PIB. De acordo com Luiz Rabi, economista da empresa Serasa Experian, essas empresas tem grande peso na geração de empregos e quantidade de investimentos realizados. A quebra dessas, além de um efeito negativo sobre a renda das famílias, gera também um efeito negativo na cadeia produtiva: os fornecedores de médio e pequeno porte acabam tendo sua demanda afetada e consequentemente isso também recai sobre a quantidade de mão de obra empregada.

Um claro exemplo disso foram os problemas enfrentados pela Odebrecht. De acordo com reportagem publicada no Valor Econômico, a empresa reduziu drasticamente seus investimentos no Brasil. Entre 2011 e 2015, o grupo havia investido R$55 bilhões, sendo 59% desse total investido dentro do país. A partir disso, a empresa não realizou mais investimentos, e ainda sofreu um corte de cerca de 30% em seu quadro de funcionários.

A indústria mundial esta passando por um momento de alta incorporação de inovações e tecnologias que necessitam de investimento. A situação atual de baixo investimento e grandes dificuldades econômicas pode gerar uma defasagem ainda maior da indústria brasileira em relação à indústria externa. Além disso, o problema de perda de produtividade se agrava ainda mais, uma vez que os profissionais que acabam excluídos do mercado de trabalho terão um novo período de adaptação ao entrarem em novos cargos, gerando uma perda do potencial produtivo.

Na visão de alguns especialistas, as empresas que passam por tais processos tem uma grande chance de tornarem-se mais eficientes durante a sua recuperação, aprendendo a lidar melhor com recursos. A luz no fim do túnel para tais empresas virá com uma fase inicial de corte de gastos públicos para que posteriormente as novas demandas sejam atendidas, gerando um novo ciclo de investimentos e a possibilidade mais concreta de recuperação de sua atividade.

Délis Magalhães é Pesquisadora do Núcleo de Economia Sincomércio em parceria com Núcleo de Conjuntura, Finanças e Empreendedorismo/Unesp‐Araraquara.
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