2 de agosto de 2016

Liberdade, Liberdade

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Liberdade, Liberdade


André Figueiredo Rodrigues

Quinta-feira, 4 de agosto de 2016: data do último capítulo da novela Liberdade, Liberdade, exibida pela Rede Globo. A trama conta a história de Joaquina, a filha do alferes Joaquim José da Silva Xavier, apelidado de Tiradentes, o mártir da Inconfidência Mineira (1788-1789).

Na história, Joaquina é uma mulher corajosa, imponente, de opiniões fortes, que ajuda as pessoas sem se importar com sua cor de pele e classe social, e que traz em seu sangue o germe da luta pela liberdade.

Após assistir a morte de seu pai, a menina foi criada pelo fidalgo Raposo. No passar dos anos, após morar em Portugal e, depois, regressar a Vila Rica, atual cidade de Ouro Preto, em Minas Gerais, Joaquina buscou reconstruir sua história, lutar contra diferenças sociais e agressões contra os mais pobres. No desenrolar da novela, casou-se com Rubião, o responsável pela denúncia que levou Tiradentes à morte e por assassinar Antônia Maria do Espírito Santo, a mãe de Joaquina.

Bela história, mas, afinal, quem realmente foi Joaquina, a filha de Tiradentes? O que de verdade se sabe sobre ela? Sobre a trajetória desta menina muito pouco se conhece. Sabemos que o relacionamento de Tiradentes com Antônia deve ter ocorrido no período de maio de 1786, quando provavelmente nasce Joaquina, até fevereiro de 1787. Após aborrecer-se com o comportamento de Antônia, que não soube honrá-lo durante um período de ausência, rompeu o compromisso do matrimônio, deixando para a filha e a sogra uma casa na Rua da Ponte Seca, além de uma escrava chamada Maria e seus filhos, para sustento da menina.

Mas, especificamente sobre a menina Joaquina, conhecemos apenas alguns dados iniciais de sua vida, como o dia de seu batismo, 31 de agosto de 1786, ocorrido na Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar e que teve como padrinho o capitão Domingos de Abreu Vieira, um dos comerciantes mais ricos de Minas. Sabe-se que sua mãe era filha do alcaide (oficial de justiça) da Câmara de Vila Rica, Antônio da Silva Pais, e de Maria Josefa da Silva.

No censo populacional realizado em 1804, consta que Joaquina, aos 17 anos de idade, vivia “pobremente” em companhia da mãe, na casa de sua avó, a mesma dada pelo alferes Tiradentes. Depois do censo, infelizmente, não se teve mais notícias da trajetória da menina, por onde andou, onde viveu, se ela se casou, como foi sua vida adulta, ou mesmo, quando faleceu, bem como desconhecemos os fatos de sua vida na infância e na adolescência. A partir de 1804, Joaquina sumiu “oficialmente” no tempo, muito provavelmente em virtude da lei determinar seu pai como infame e por ter que se apagar qualquer menção à sua memória e de seus familiares, como previa a condenação de Tiradentes. O tempo, portanto, aproveitou-se para apagar da história “oficial” quem foi Joaquina, a filha do Tiradentes; e a novela por contar-lhe uma história “ficcional”.   

André Figueiredo Rodrigues é professor do Departamento de História da Unesp, Câmpus de Assis. Contato: e-mail: andrefr@assis.unesp.br
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