23 de junho de 2016

A zika e a Olimpíada

,
A zika e a Olimpíada

Rodolpho Telarolli Jr.

Desde o início de 2016 tem sido cogitado o adiamento dos Jogos Olímpicos de 2016, em decorrência da dimensão assumida pela epidemia de zika na cidade sede do evento. Até o início de maio foram confirmados quase 50 mil casos no país, com uma das maiores incidências acontecendo no Rio de Janeiro. Por apresentar um quadro clínico mais leve que a dengue e a chikungunya e raríssimas mortes, a preocupação com a zika tem se centrado nos casos de microcefalia, decorrentes da infecção pelo vírus durante a gestação.

Até o início de maio foram confirmados quase 3 mil casos de zika em gestantes, passando de mil os recém nascidos com microcefalia. Mas como o Brasil nunca teve estatísticas dessa malformação, não é possível saber quantos desses nascimentos foram decorrentes da infecção pelo vírus.

O certo é que a ciência hoje acumula mais dúvidas que certezas a respeito do zika vírus. Algumas delas dizem respeito a aspectos básicos, como o período de reprodução do vírus no mosquito e o tempo de incubação no ser humano; a importância da transmissão sexual na veiculação da doença; e as chances de ocorrência de outras complicações neurológicas além da Síndrome de Guillain-Barré, bem como de malformações congênitas que não a microcefalia.

Apesar de haver registros de casos há décadas principalmente na Oceania, a zika só foi declarada emergência mundial em 2016, quando tornou-se uma epidemia no Brasil e foi confirmada a sua associação com a microcefalia. Até o momento foram registrados casos de microcefalia associada ao vírus em 8 países.

Alguns especialistas, com o apoio da Organização Mundial da Saúde, posicionam-se contra o adiamento dos Jogos Olímpicos, argumentando que, caso o evento seja realizado após agosto, a situação será pior, porquê o mosquito transmissor da doença se reproduz mais rapidamente a partir de outubro, quando o clima torna-se mais quente e úmido. Acreditam que o fluxo de turistas para o Brasil causará pouco impacto na disseminação da doença, já que ela está presente em 60 países e atualmente 20% da população mundial vive em áreas afetadas pela zika.

Do outro lado, estão os que defendem o adiamento dos jogos, lembrando que ainda sabemos muito pouco sobre a doença. Para eles é possível que a cepa do vírus que ocorre no Brasil seja uma variante mais grave que a encontrada no restante do mundo. A entrada dos 500 mil visitantes estrangeiros esperados no evento poderá favorecer a disseminação dessa cepa viral pelo hemisfério norte, onde se esperam surtos de zika a partir do verão e primavera de 2016. Acreditam, também, que é temerário contar com a proteção contra o Aedes aegypti representada pelo frio e secura do inverno do Rio de Janeiro. Pode haver imprevistos em relação à previsão do tempo para os próximos meses e, o calor e a chuva adiantando-se, os casos se multiplicariam durante as Olimpíadas.

O ponto em comum entre os dois grupos de especialistas diz respeito às mulheres grávidas: elas não devem vir ao Rio de Janeiro durante a Olimpíada!

O certo é que as medidas governamentais tomadas para conter o Aedes aegypti, mosquito vetor da zika, dengue e chikungunya, tem sido pouco eficazes em todo o país, mas suficientes para limitar os casos dessas doenças durante os Jogos Olímpicos. A aplicação de veneno para matar os mosquitos adultos tem sido regular e estão previstas até duas aplicações diárias nas instalações olímpicas. É uma medida eficaz, mas de curta duração, pois atua apenas sobre os mosquitos adultos, sem alterar a sua dinâmica da reprodução, que requer a eliminação dos criadouros. Também estão previstas campanhas educativas orientando o uso de vestimentas que cubram uma maior superfície do corpo, bem como a aplicação de repelentes nas áreas descobertas. Não está descartada a distribuição gratuita de preservativos, para reduzir a chance da propagação sexual da zika.

Autoridades da Organização Mundial da Saúde tem tranquilizado a população mundial quanto ao risco da zika para os que vierem ao Brasil durante os jogos. O certo é que as Olimpíadas ocorrerão durante o inverno e nessa época a natureza dá conta do que a imprudência e a falta de iniciativas regulares das autoridades sanitárias não deram conta; o Aedes estará controlado.

O certo também é que, passados as Olimpíadas e retornando o tempo das chuvas e do calor, a partir de outubro, a população do Rio de Janeiro voltará a enfrentar os mosquitos e, com eles, as três pestes por eles transmitidas, zika, dengue e chikungunya. As epidemias de 2017 são geradas na ausência de medidas consistentes de combate à doença no inverno de 2016.


Rodolpho Telarolli Jr. é médico, doutor em Saúde Coletiva e professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Unesp em Araraquara.

POR FABIANA MANFRIM
Comentários
0 Comentários
0 comentários to “A zika e a Olimpíada ”

Postar um comentário


Seu comentário é sempre bem vindo!

Comente, opine, se expresse! este espaço é seu!

Comentário Anônimo, sem nome e email , não será publicado.

Se quiser fazer contato por email, utilize o Formulário para contato

Espero que tenha gostado do Site e que volte sempre!

addthis

Contato (13) 3821-6148

Manutenção de celulares - Técnico de Informática

20 Mega de Internet

20 Mega de Internet na Infovale

Empregos no Japão

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
 
Google+

Site Registro-SP

Site Registro-SP
Cotação da Banana
Cotação da Banana
29/5 a 5/06

WhatsApp do Site

WhatsApp do Site
Autor
Facebook
Recomende-nos no Google

APP Notícias do Site

APP Notícias do Site

TV Ilha Comprida

TV Ilha Comprida

Receitas do Vale

Receitas do Vale

Sites Oficiais


Eventos Acer (RBBC)

Eventos Acer (RBBC)

Quadrinhos Registro da Colônia Japonesa

Quadrinhos Registro da Colônia Japonesa

O Vale do Ribeira Copyright © 2011 | Design by: [ Camilo Aparecido Almeida ] | Movido a: [ Blogger ]