24 de maio de 2016

A defesa antimísseis na Europa

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A defesa antimísseis na Europa


Raquel Gontijo
Raquel GontijoNo dia 12 de maio, um novo complexo de defesa antimísseis estadunidense, parte do sistema Aegis, foi declarado operacional em Deveselu, na Romênia.

Na cerimônia de inauguração, o Secretário Geral da OTAN, Jens Stoltenberg, enfatizou a importância desse novo passo para a garantia da segurança da Europa contra ameaças originárias de inimigos externos à zona euro-atlântica.

Apesar da garantia de Stoltenberg de que o sistema não tem como alvo os mísseis russos, não está clara qual ameaça esse sistema pretende deter.

Conquanto alguns países, como Irã, Coreia do Norte, Índia e Paquistão, estejam atualmente desenvolvendo mísseis que seriam capazes de atingir a Europa, essa capacidade ainda não foi concretizada. Assim, mesmo que o novo sistema seja uma precaução contra ameaças que ainda estão por vir, o governo de Putin, como era de se esperar, se manifestou intensamente contrário à base de Deveselu. Putin alegou que o novo sistema visa a enfraquecer o poder da Rússia, atenuando a eficiência de sua dissuasão nuclear.

Durante grande parte da Guerra Fria, entendia-se que a implantação de um sistema amplo de defesa antimísseis poderia atingir um nível tal de eficácia que o equilíbrio estratégico entre as grandes potências seria anulado. Sem esse equilíbrio e, portanto, sem a cautela imposta pela iminência da destruição mútua assegurada, haveria uma maior probabilidade de que uma das grandes potências lançasse um ataque surpresa contra a outra, deflagrando uma guerra nuclear de grandes proporções.

No entanto, as intensas mudanças internacionais da década de 1990 levaram a uma revisão dessas ideias. A partir dos anos 2000, os EUA iniciaram a implementação do sistema de defesa antimísseis. O complexo de Deveselu é apenas a adição mais recente a esse sistema, que já conta com navios equipados com a mesma tecnologia. A próxima etapa será a construção de um novo complexo, parte do sistema Aegis, na Polônia, que deve ser concluído em 2018.

De qualquer forma, esses sistemas não são capazes de interceptar os mísseis balísticos intercontinentais (ICBMs) russos, centrais para a manutenção da dissuasão. Representantes do governo russo alegam, no entanto, que o sistema inaugurado na Romênia não é apenas como um mecanismo defensivo, impondo uma nova ameaça para a Rússia. Isso obrigaria o país a adotar novas medidas para garantir sua segurança, por exemplo, com a reativação de uma estação de alerta de ataques de mísseis na Crimeia.

Os avanços no sistema de defesa antimísseis vêm, de fato, em um momento delicado. As relações da Rússia com os Estados Unidos e com a OTAN sofreram um abalo substancial em 2014, após o conflito da Ucrânia e a subsequente anexação da Crimeia pela Rússia. Desde então, os dois lados têm trocado acusações, apontando dedos e declarando que os cursos de ação do outro são inaceitáveis e podem comprometer a estabilidade estratégica. Se o sistema de defesa antimísseis é, de fato, percebido como crucial para a defesa da Europa, seus avanços devem ser conduzidos com cautela e muita reflexão. Afinal, não é inaudito que uma nação buscando meios de se defender melhor acabe, inadvertidamente, provocando uma guerra.   

Raquel Gontijo é doutoranda em Relações Internacionais pelo Programa de Pós-Graduação San Tiago Dantas (Unesp, Unicamp e PUC-SP).
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