18 de abril de 2016

Uma urgência de saúde pública

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Uma urgência de saúde pública

Rodolpho Telarolli Jr.

No dia 26 de abril é comemorado o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão, data que chama a atenção para um dos problemas de saúde pública mais sérios do século XXI. A hipertensão arterial ou simplesmente pressão alta é uma epidemia que acontece em todo o mundo, resultado de mudanças no estilo de vida e na alimentação.

Rodolpho Telarolli Jr.Entre 20 a 25% da população brasileira adulta é hipertensa, resultado do consumo excessivo de sal, da obesidade e do sedentarismo, que elevam os níveis da pressão sanguínea. Um indivíduo obeso tem uma chance até seis vezes maior de vir a sofrer de pressão alta.

Mais de 1/3 dos brasileiros morrem de doenças do sistema circulatório, em especial os infartos do miocárdio e os acidentes vasculares cerebrais ou derrames, que são problemas de saúde decorrentes, entre outros fatores, da hipertensão, que provoca uma série de problemas de saúde. O sangue circula com mais força, sobrecarregando o coração e a parede das artérias, que são danificadas com o passar dos anos.

Essa situação favorece a deposição de placas de gorduras sobre as artérias, que se tornam mais estreitas, até que ocorra um infarto ou um derrame. Outros órgãos que dependem da circulação de muito sangue também são prejudicados e sofrem danos, como os olhos, os rins e o pênis. As consequências são perdas na visão, mau funcionamento renal e até a necessidade de hemodiálise, e a impotência sexual.

A Organização Mundial da Saúde recomenda um consumo diário de até 5 gramas de sal ou 2,4 gramas diárias de sódio, que é o componente do sal cujo excesso provoca a pressão alta. O brasileiro consome em média 12 gramas diárias de sal, um elemento que está presente em quase todos os alimentos, inclusive naqueles de sabor doce, como bolos, doces e chocolates.

O combate à hipertensão esbarra no fato dessa ser uma doença silenciosa, que geralmente não traz sintomas, a não ser quando ocorrem os picos de pressão, que provocam um mal estar geral, tonturas e dor de cabeça. A grande dificuldade encontra-se na seguinte situação: como convencer alguém a modificar hábitos pessoais, em função de uma doença quase invisível, que não provoca sintomas? Padrões de alimentação fazem parte da cultura de cada povo, os hábitos herdados dos antepassados, e mudanças nessa área são sempre penosas. E o sal, ao lado do açúcar, é um dos alimentos que mais traz prazer às pessoas.

Modificações nos hábitos pessoais e alimentares são indispensáveis, para melhorar o padrão de saúde da população. Caso o Brasil seguisse as recomendações da OMS para o consumo de sal, haveria uma queda de 15% nas mortes por derrames e de 10% por infartos. Mudanças simples, como retirar o saleiro da mesa de refeição, ajudam a reduzir o consumo de sal. Cozinhar em casa, utilizando menos ingredientes industrializados, também ajuda. Conferir o teor de sal ou de sódio nas embalagens dos alimentos industrializados é medida poderosa no combate à pressão alta: alguns alimentos industrializados muito consumidos são campeões nos teores de sal e devem ser evitados, como os macarrões instantâneos, os salgadinhos de saquinho e os sanduíches das redes de fast food.

O governo federal tem centrado o combate à hipertensão arterial na distribuição gratuita de medicamentos contra a doença, através do programa Farmácia Popular. Mesmo dispondo do medicamento, muitos o utilizam da maneira errada, tomando os comprimidos apenas quando acreditam que a pressão está alta; na verdade, o produto tem que ser ingerido todos os dias. Somente o médico pode receitar ou alterar a dose de um medicamento para pressão alta.

Muito mais é necessário além das campanhas na mídia estimulando mudanças no estilo de vida, a prática regular de exercícios físicos e a redução no consumo de sal. Por seu papel multiplicador nas famílias, destaca-se o trabalho educativo permanente junto às crianças e adolescentes do ensino fundamental.

Rodolpho Telarolli Jr. é médico, doutor em Saúde Coletiva e professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Unesp em Araraquara.
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