28 de março de 2016

O Novíssimo Testamento de Bruxelas

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O Novíssimo Testamento de Bruxelas


Oscar D'AmbrosioOs atentados de 23 de março último em Bruxelas, Bélgica, mostram mais uma vez como a intolerância e o radicalismo são dois dos piores males da humanidade. A situação se agrava mais ainda quando lembramos que Deus morou naquela cidade. Sim, é isso mesmo que o cineasta local Jaco van Dormael propõe no filme "O Novíssimo Testamento", indicado pelo país para concorrer ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro deste ano, mas eliminado na fase final.

Na obra cinematográfica, definida pelo autor como um “conto surrealista para adultos”, Deus bebe e fuma demais, maltrata a humanidade, a esposa e a filha de dez anos, que segue os passos do irmão mais velho, Jesus Cristo, se revela, e envia mensagem aos seres humanos informando a cada um, pelo celular, o dia de sua morte. Feito isso, sai pela cidade em busca de seis discípulos. E cada um deles alerta para uma questão deste complexo mundo contemporâneo.

Os discípulos são uma bela, desejada e solitária mulher com um braço de silicone, um obcecado por sexo, um assassino que descobre o amor, uma mulher infeliz no casamento que encontra afeto num gorila, um menino que deseja ser menina e morrer junto ao mar e um aventureiro infeliz com a rotina do trabalho que rege uma revoada de pássaros.

O grupo forma um painel curioso e rico de uma Bruxelas que se torna microcosmos do mundo. Ao final, a esposa de Deus concerta o mundo, coloca, para alegrar a humanidade, os bordados que realiza no céu e dá uma esperança de felicidade para a humanidade, cancelando a mensagem enviada pela filha. Afinal, um dos grandes mistérios da vida está justamente em não se saber a data de nossa morte. Quanto a Deus, é punido pelos seus desmandos, sendo condenado a trabalhar como operário na fabricação de máquinas de lavar roupa.

Com recados diretos e poéticos contra qualquer tipo de intolerância, tanto aquelas do corpo como da mente, o filme, disponível na internet, alerta para a possibilidade de um mundo melhor. A filha de Deus, por exemplo, tem dois poderes que cada um de nós deveria exercitar: ouvir a música interior das pessoas e criar sonhos para elas.

Se cada um souber escutar as diferenças e mantiver a capacidade de fantasiar, estará contribuindo para que tragédias como de Bruxelas não se repitam indefinidamente e para que Deus, ou algo semelhante, viva dentro e fora de cada integrante da humanidade.        

Oscar D'Ambrosio é Doutor em Educação, Arte e História da Cultura, mestre em Artes Visuais e assessor-chefe de Comunicação e Imprensa da Unesp.
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